<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783</id><updated>2012-02-03T23:50:51.175Z</updated><title type='text'>Um dia depois...</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>120</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2112881644625774319</id><published>2012-01-24T23:08:00.004Z</published><updated>2012-01-24T23:15:09.982Z</updated><title type='text'>Que seca!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-drmXlvTJtg0/Tx86n1xzaJI/AAAAAAAAAKI/h9rBmNJb6Ho/s1600/DSC00437.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-drmXlvTJtg0/Tx86n1xzaJI/AAAAAAAAAKI/h9rBmNJb6Ho/s320/DSC00437.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701340109399615634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seca! Olho para o outro lado da rua e vejo o jornaleiro que já não existe, a banca que desapareceu e os jornais que já não tentam desprender-se dos elásticos ausentes. &lt;br /&gt;Que seca! O velho café fechou e o novo que lá abriu, LCD na parede, cadeiras com ergonomia assegurada, visualmente moderno, pop, ou lá o que seja, deixa-me um sabor estranho nos olhos, talvez o perfume que me arranha a pele.&lt;br /&gt;Que seca! Diz a minha filha quando lhe infernizo o juízo e perante uma qualquer justificação parva exclama, LOL! E eu sem mais digo-lhe, SOS! O quê pai? SOS! Tu estás bem pai? Que seca tentar estar actualizado, perceber o que há-de ser sempre igual com vocábulos diferentes, vocábulos inventados na fobia juvenil de tudo codificar, de tudo diferenciar. E eu que tanto diferenciei sinto-me perdido por tudo me parecer igual. Fogo pai não percebes nada! Sim filha, eu também gosto de ti. Um sorriso teu que vale por mil, um ligeiro beijo…Pai tu picas! Eu sei, amanhã eu corto-a!&lt;br /&gt;Que seca! O olhar provocador do cão enquanto me mija o pneu do carro. ÃO! ÃO! Este carro pode ser teu mas entre aquela curva da estrada e este sinal de passadeira tudo tem de cheirar a mim. Eu não me importo que me mijes a roda do carro, o que eu não gosto mesmo é essa perna alçada, esses tomates à mostra, do género, “Olha o que eu tenho para ti!”. &lt;br /&gt;Que seca! Estou sentado e tento concentrar-me, as letras fogem-me e eu teimo em não usar os óculos para ver ao perto, para ler, para os detalhes…estou-me nas tintas para os detalhes! Olá Paulo! Posso sentar-me? Claro, meu irmão, estava mesmo farto de tentar ler o jornal. Nem sei porque é que ainda compras essa treta.&lt;br /&gt;Que seca! Há obras por todo o lado! Agora que me dizem não haver dinheiro só vejo é máquinas de asfaltar, “Estradas da Planície”, que imaginação! P…Que os Pariu! Já nem dinheiro têm para fazer o resto até Beja! Que seca!&lt;br /&gt;Este verão irão aparecer cartazes apelativos, “Sinta as pedras a bater no seu pára-brisas, sinta os fantasmas das árvores abatidas, sinta as camadas de asfalto fazerem-lhe cócegas nos pés, tudo isto que fazemos fazemo-lo para si, visite-nos, estacione a sua caravana junto das dezenas de outras que bordejam a praias, muro de casas sobre rodas em nome da mobilidade, da liberdade…” P…Que Pariu a liberdade! Que seca!&lt;br /&gt;Que seca! Escrevo estas palavras como um desabafo…Sou um falso…Não digo o que me vai na alma, apenas o que me incomoda, o que perturba a minha epiderme sensorial. Que seca, o copo está vazio, são vinte e três horas e apetece-me fumar um cigarro.&lt;br /&gt;Este Inverno falta-me um pouco de chuva…Que seca!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2112881644625774319?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2112881644625774319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2112881644625774319&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2112881644625774319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2112881644625774319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2012/01/que-seca.html' title='Que seca!'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-drmXlvTJtg0/Tx86n1xzaJI/AAAAAAAAAKI/h9rBmNJb6Ho/s72-c/DSC00437.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-4238374112567319044</id><published>2012-01-16T22:37:00.003Z</published><updated>2012-01-22T22:18:36.988Z</updated><title type='text'>Um conto</title><content type='html'>Jonas é um homem já feito. Feito porque foi feito, feito porque assim se mantém. Poder-se-ia dizer que depois de feito só lhe bastava crescer. Jonas tornou-se “Jonas” porque João não lhe bastava, nem aos amigos que assim o baptizaram.&lt;br /&gt;Jonas nasceu numa família pequena, numa casa pequena, numa terra pequena, num país pequeno, Jonas também é pequeno, mas só de tamanho, mas disso não tem culpa assim como de tudo o resto.&lt;br /&gt;Jonas andou na escola mas não estudou, teve empregos mas não trabalhou, mas quando sonhou partiu. Esteve em África quando todos se vieram embora, foi para o Brasil quando o Brasil era favela e fez-se pescador quando voltou a Portugal.&lt;br /&gt;Jonas teve um barco pequeno, pequeno foi o barco mas grande foi o amor que teve por ele. Jonas que é um homem já feito disse que tinha sido feito para o mar. Foi o mar que lhe levou o barco e por pouco também a vida. Maldito dia em que um barco maior não o viu e numa madrugada enevoada o entornou para a água.&lt;br /&gt;Benditos os braços de Jonas que lhe despiram a roupa, lhe tiraram as botas e lhe remaram o corpo para terra.&lt;br /&gt;Jonas, homem já feito, tornou-se mendigo, habitou-se a pedir, trocou o mar pela terra e vagueou sem destino à espera de outro sonho, Jonas queria ser poeta. &lt;br /&gt;Mas Jonas não sabia escrever, ou já não se lembrava, sabia no entanto as palavras que descreviam a vida do homem que era. Jonas recordava da mesma maneira que os poetas inventam.&lt;br /&gt;Jonas comia pouco e bebia o que podia. Jonas tinha uma tenda por detrás do pinhal.&lt;br /&gt;Jonas trocava poemas por sandes, frases por cigarros, filosofias por um copo.&lt;br /&gt;Hoje Jonas partiu…Não morreu! Partiu apenas. Deixou a tenda e o sonho da poesia. Diz quem sabe que o viu a caminho do Algarve, a pé, pela estrada que sai do Cercal.&lt;br /&gt;Jonas, homem já feito, não para de sonhar…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-4238374112567319044?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/4238374112567319044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=4238374112567319044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4238374112567319044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4238374112567319044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2012/01/um-conto.html' title='Um conto'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2905303075933349663</id><published>2012-01-04T22:45:00.000Z</published><updated>2012-01-05T23:12:20.651Z</updated><title type='text'>Argumento de “Uma, muito pequena, curta-metragem”</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Esta noite fui cedo para a cama.&lt;br /&gt;Poderá esta frase resumir o espírito de uma Nação?&lt;br /&gt;Não!&lt;br /&gt;A Nação não foi cedo para a cama!&lt;br /&gt;A Nação acredita no milagre fatalista!&lt;br /&gt;A nação desconhece o futuro que lhe preparam!&lt;br /&gt;A passagem de ano revela-se como mais uma noite de copos.&lt;br /&gt;A passagem de ano revela-se comemorativa,&lt;br /&gt;Como se algo houvesse para comemorar…&lt;br /&gt;Para quem tem fome, a fome perdurará!&lt;br /&gt;Para quem não a tiver, a ausência será constante!&lt;br /&gt;Depois da fome o próximo passo será a guerra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sonho esperanças vãs,&lt;br /&gt;Não anseio promessas falsas.&lt;br /&gt;Os começos já os conheço,&lt;br /&gt;Episódios que ciclicamente me repetem.&lt;br /&gt;As luzes da minha rua estão gastas,&lt;br /&gt;Pequenas estrelas humanas,&lt;br /&gt;De duração programada.&lt;br /&gt;É esse o caminho que me leva ao quarto.&lt;br /&gt;As sombras do que lá existe,&lt;br /&gt;Dizem pouco ou pouco têm para dizer.&lt;br /&gt;Afinal de contas,&lt;br /&gt;As sombras não falam,&lt;br /&gt;Balbuciassem elas as palavras necessárias,&lt;br /&gt;E contariam histórias.&lt;br /&gt;Porque é de histórias que eu falo,&lt;br /&gt;Porque de histórias são feitos os meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou normal,&lt;br /&gt;A corrente eléctrica chega a minha casa por fios,&lt;br /&gt;A minha secretária é de madeira,&lt;br /&gt;De madeira é a lenha que queimo na minha lareira.&lt;br /&gt;E eu que sou normal,&lt;br /&gt;Não me sinto assim.&lt;br /&gt;Olho para o fogo,&lt;br /&gt;E lembro-me do fogo,&lt;br /&gt;Das palavras poéticas,&lt;br /&gt;E do terror da torrefacção.&lt;br /&gt;Dos finais que todos os dias o são,&lt;br /&gt;Dos começos que os acompanham.&lt;br /&gt;Sou normal na minha maneira de o ser,&lt;br /&gt;Sinto que sou o que sou.&lt;br /&gt;Senta-te e escreve a verdade que te ensinam…&lt;br /&gt;…Segue leve….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo,&lt;br /&gt;E ao escrever ouço-me.&lt;br /&gt;Penso em mim como uma voz,&lt;br /&gt;Um reflexo do que vi,&lt;br /&gt;Do que vejo.&lt;br /&gt;Sou um pedaço orgânico,&lt;br /&gt;Pedaço entre pedaços,&lt;br /&gt;Reflexo orgânico de desejos,&lt;br /&gt;Que não sendo meus também o são,&lt;br /&gt;Reflexo de frustrações,&lt;br /&gt;Que não sendo minhas,&lt;br /&gt;São as minhas confissões.&lt;br /&gt;Reconheço-me enquanto escrevo,&lt;br /&gt;E não preciso sofrer,&lt;br /&gt;Para ver que o que escrevo,&lt;br /&gt;É o colectivo a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finge-te,&lt;br /&gt;Homem ou coisa,&lt;br /&gt;Algum lugar ou nenhures,&lt;br /&gt;Finge-te a seco.&lt;br /&gt;Não te escondas do que finges.&lt;br /&gt;Finge-te mas não te enganes.&lt;br /&gt;Não te escondas em substâncias.&lt;br /&gt;Abre a janela do quarto,&lt;br /&gt;Não tenhas medo do frio,&lt;br /&gt;Da solidão ou vazio.&lt;br /&gt;Homem que é Homem é isso,&lt;br /&gt;Essa coisa complicada,&lt;br /&gt;Que chora por não ser nada,&lt;br /&gt;Quando é tudo o que precisa.&lt;br /&gt;Finge-te parvo ou incerto,&lt;br /&gt;Mas não finjas que não sentes,&lt;br /&gt;Nem desprezes quem está perto.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2905303075933349663?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2905303075933349663/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2905303075933349663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2905303075933349663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2905303075933349663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2012/01/argumento-de-uma-muito-pequena-curta.html' title='Argumento de “Uma, muito pequena, curta-metragem”'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2522255691713897527</id><published>2012-01-04T22:27:00.001Z</published><updated>2012-01-04T22:46:23.950Z</updated><title type='text'>Os dias estão bonitos!</title><content type='html'>Os dias estão bonitos. Talvez por estarem tão bonitos deixaram-me mais atento. Que melhor desculpa poderia eu ter para ouvir diálogos alheios?&lt;br /&gt;À portaria da fábrica, por volta das oito horas, juntam-se uniformes de trabalho num mesclado cinzento. São os “empreiteiros”, pessoal que veio de longe, de perto, de qualquer lugar onde falte emprego, a construção da nova unidade assim o exige. Os quartos da região estão todos ocupados, os andares arrendados, a espanhóis, a imigrantes do leste, a brasileiros, aos africanos de nascença ou de descendência, a portugueses vindos do norte, a gente de sul que deixou de poder trabalhar em Espanha, na Holanda, em qualquer outro lugar, onde o dinheiro ganho de forma sazonal, ia dando para a despesa.&lt;br /&gt;Formam-se grupos, esperam-se os encarregados, os responsáveis pela segurança, aguardam-se chamamentos que permitam a entrada ordenada pelo torniquete. No meio desde burburinho tento entrar despercebido, sigo um atalho de corpos, espero a minha vez e sigo atrás de um pequeno grupo. O passeio construído em “I’s” de cimento é ladeado por vários metros de relvado durante os duzentos metros que separam a portaria da rede das fábricas. Não costumo seguir, ordeiro, na corrente que se forma até à segunda entrada, geralmente entretenho-me a fazer gincanas.&lt;br /&gt;Mas os dias estão bonitos, frios mas bonitos e convidam-me a passos lentos. Sigo aquele pequeno grupo, quatro homens, uma mulher, a responsável pela segurança, mulher nova com menos de trinta anos. Um dos homens, moço novo com pouco mais de vinte anos, queixa-se com o frio do quarto, “F…tu tinhas dito que ias comprar a m… dum aquecedor”, o mais velho, moço de trinta e poucos, responde-lhe à letra “Porque que não o compras tu c…? Sais á noite para mamar mas para comprar o c… do aquecedor tá quieto!”. O outro tentou responder qualquer coisa que o vento abafou e o mais velho continuou, “Eu se tivesse guita também andava nos copos, mas f…., se vou para o quarto já não saio! E tu não precisas de aquecedor meu cabrão, tu cagas-te como ò c….!”. Riram-se todos, eu também me ri...por dentro…&lt;br /&gt;Houve troca de acusações até que o mais velho fez valer a experiência “Meu, eu na paragem dois mil só havia um dia que não vinha bêbado e era à sexta feira!”. Virei para o lado direito, pressenti-os e lancei-lhes um último olhar…Cabo Ruivo 1983!....o que a memória vai buscar…&lt;br /&gt;F… os dias estão mesmo bonitos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2522255691713897527?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2522255691713897527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2522255691713897527&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2522255691713897527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2522255691713897527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2012/01/os-dias-estao-bonitos.html' title='Os dias estão bonitos!'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7468185916695780067</id><published>2011-12-30T22:15:00.000Z</published><updated>2011-12-30T22:17:04.370Z</updated><title type='text'>E depois…A Gravata Verde</title><content type='html'>Na mesa que estava gasta,&lt;br /&gt;O dia ia longo,&lt;br /&gt;De lonjuras gastronómicas,&lt;br /&gt;De garrafas cansadas de vazias,&lt;br /&gt;O dia ia longo neste natal de 2011.&lt;br /&gt;Alguém que coma mais um pouco,&lt;br /&gt;Um pouco do que sobra nestes pratos,&lt;br /&gt;Nesta mesa gasta,&lt;br /&gt;Cansada de um dia longo.&lt;br /&gt;A televisão esgotara-se,&lt;br /&gt;Esvaíra-se,&lt;br /&gt;De programas,&lt;br /&gt;De circos,&lt;br /&gt;De pretensos filmes de natal,&lt;br /&gt;De espectáculos gastos…&lt;br /&gt;…E longos,&lt;br /&gt;Neste dia de natal,&lt;br /&gt;Que ia longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois…&lt;br /&gt;A gravata apareceu,&lt;br /&gt;Verde,&lt;br /&gt;Elegante,&lt;br /&gt;Preparada.&lt;br /&gt;A gravata estava preparada,&lt;br /&gt;Arranjada,&lt;br /&gt;Estudada,&lt;br /&gt;Hoje vais ser verde,&lt;br /&gt;Verde da esperança que nos falta,&lt;br /&gt;Verde da esperança que te prometem esta noite,&lt;br /&gt;Mas que te roubam de dia,&lt;br /&gt;Todos os dias,&lt;br /&gt;Também neste dia,&lt;br /&gt;Um dia que ia longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gravata não veio sozinha,&lt;br /&gt;Tinha um sujeito agarrado,&lt;br /&gt;De fato imaculado…&lt;br /&gt;Era um facto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7468185916695780067?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7468185916695780067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7468185916695780067&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7468185916695780067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7468185916695780067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/12/e-depoisa-gravata-verde.html' title='E depois…A Gravata Verde'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-559367932649964151</id><published>2011-12-21T01:13:00.000Z</published><updated>2011-12-21T01:14:35.281Z</updated><title type='text'>Meu fado</title><content type='html'>O fado como eu o conheço,&lt;br /&gt;É feito de palavras doridas,&lt;br /&gt;Coisas amargas, sofridas,&lt;br /&gt;Dores que vi e não esqueço.&lt;br /&gt;A minha vida não tem preço,&lt;br /&gt;Nunca a vendi a ninguém,&lt;br /&gt;Nem mesmo a quem me quer bem.&lt;br /&gt;Não tem rotulo nem etiqueta,&lt;br /&gt;Não está num frasco ou saqueta,&lt;br /&gt;Só dela estou refém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fado é destino traçado,&lt;br /&gt;Vida que é vida por ser,&lt;br /&gt;O que se é antes de morrer.&lt;br /&gt;Fado é futuro é passado,&lt;br /&gt;É um amor destroçado,&lt;br /&gt;É o caminho dos dias,&lt;br /&gt;Companheiro das noites frias,&lt;br /&gt;Retrato da minha tristeza,&lt;br /&gt;Dúvida na minha certeza,&lt;br /&gt;O livro que tu não lias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fado é o meu esquecimento,&lt;br /&gt;E o que me falta esquecer.&lt;br /&gt;Do que não vi mas vou ver,&lt;br /&gt;Apenas aguardo o momento,&lt;br /&gt;Pois o fado é espera é tormento,&lt;br /&gt;É o choro de alguém sentido,&lt;br /&gt;Soldado sem guerra, perdido.&lt;br /&gt;Fado é sorte é esperança,&lt;br /&gt;Uma memória, lembrança,&lt;br /&gt;A alma de um convertido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-559367932649964151?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/559367932649964151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=559367932649964151&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/559367932649964151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/559367932649964151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/12/meu-fado.html' title='Meu fado'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-6438903384693867600</id><published>2011-12-09T22:29:00.004Z</published><updated>2011-12-10T14:17:24.075Z</updated><title type='text'>Décimas para,</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um fado de (falsas) ilusões&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;Fado do mal agradecido&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;Fado da geração de “Alex”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Leva-me à boca a garrafa,&lt;br /&gt;Deixa-me bebê-la de um trago,&lt;br /&gt;Sonhar quer já fui jovem,&lt;br /&gt;Sem me sentir estragado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir desse novo som,&lt;br /&gt;Sentir novamente a nascer,&lt;br /&gt;A vontade de quem quer “viver”.&lt;br /&gt;Pensar que sou bom,&lt;br /&gt;Que não estou fora de tom.&lt;br /&gt;O escritório que me agrafa,&lt;br /&gt;Afogado num ar que me abafa.&lt;br /&gt;As paredes que me cercam,&lt;br /&gt;As portas que me fecham,&lt;br /&gt;Leva-me à boca a garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou longe de mim,&lt;br /&gt;Estou onde não escolhi estar.&lt;br /&gt;Poderia estar noutro lugar,&lt;br /&gt;Mas como vês estou assim.&lt;br /&gt;Estou à procura de um fim,&lt;br /&gt;De um canto, um lugar vago.&lt;br /&gt;De mergulhar neste lago.&lt;br /&gt;De sentir uma mão.&lt;br /&gt;Traz-me uma nova canção,&lt;br /&gt;Deixa-me bebê-la de um trago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-me deus meu, meu senhor,&lt;br /&gt;Ouve o que te quero pedir,&lt;br /&gt;Estou farto de fugir.&lt;br /&gt;Sangra-me a alma, sinto dor,&lt;br /&gt;Perdi o resto de amor.&lt;br /&gt;Olho para o que lá vem,&lt;br /&gt;Olho e sinto desdém.&lt;br /&gt;Esta vida não me agrada,&lt;br /&gt;Vou-me fazer à estrada,&lt;br /&gt;Sonhar que já fui jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei e olhei à volta,&lt;br /&gt;Olhei p’ró fundo, p’ró fim,&lt;br /&gt;Olhei para dentro de mim,&lt;br /&gt;Mesmo junto à minha porta.&lt;br /&gt;Não vou pedir vida morta,&lt;br /&gt;De boi manso, de mau gado&lt;br /&gt;Do que deixei do outro lado.&lt;br /&gt;Olhei p’ró que me falta viver,&lt;br /&gt;Vivo a vida por querer,&lt;br /&gt;Sem me sentir estragado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-6438903384693867600?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/6438903384693867600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=6438903384693867600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6438903384693867600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6438903384693867600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/12/decimas-para.html' title='Décimas para,'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7169240341547039186</id><published>2011-12-01T23:11:00.000Z</published><updated>2011-12-01T23:12:43.855Z</updated><title type='text'>Décimas para um fado actual</title><content type='html'>Moderna morte a fadiga.&lt;br /&gt;Falta-me trabalho e dinheiro,&lt;br /&gt;Mas não me faltam promessas,&lt;br /&gt;Para uma visita ao coveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destino turvo e curvado,&lt;br /&gt;Tristes estradas e caminhos,&lt;br /&gt;Todos juntos ou sozinhos.&lt;br /&gt;Uns de frente outros de lado,&lt;br /&gt;Um ou outro mais chegado.&lt;br /&gt;Levo a mão que mendiga,&lt;br /&gt;E a boca que mastiga&lt;br /&gt;Por vergonha está cerrada.&lt;br /&gt;Tenho uma vida cansada&lt;br /&gt;Moderna morte a fadiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que estou sem lei&lt;br /&gt;Conto-te a história da vida,&lt;br /&gt;Da minha por ser vivida,&lt;br /&gt;Porque das outras não sei.&lt;br /&gt;Por lá perto eu andei,&lt;br /&gt;Tinta do mesmo tinteiro,&lt;br /&gt;Cortiça do mesmo sobreiro.&lt;br /&gt;Conto-te de mim onde estou.&lt;br /&gt;Onde estive, para onde vou,&lt;br /&gt;Falta-me trabalho e dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que tudo perdi,&lt;br /&gt;Derrapagem sem sentido,&lt;br /&gt;Sem direito a desmentido,&lt;br /&gt;Olho em silêncio para ti.&lt;br /&gt;Perdoa-me se não reagi,&lt;br /&gt;No passado de onde regressas,&lt;br /&gt;Nas minhas noites sem pressas,&lt;br /&gt;Guardo em mim a tua imagem,&lt;br /&gt;Margem da outra margem,&lt;br /&gt;Mas não me faltam promessas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo o meu sentimento,&lt;br /&gt;Estou mais farto do que velho,&lt;br /&gt;Mais despido, mais vermelho,&lt;br /&gt;Vítima deste momento,&lt;br /&gt;Sou sacrilégio, sou tormento,&lt;br /&gt;Sou um homem meio inteiro,&lt;br /&gt;Cortaram-me pelo meio.&lt;br /&gt;É a alma que se agarra,&lt;br /&gt;Tristemente a uma guitarra,&lt;br /&gt;Para uma visita ao coveiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7169240341547039186?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7169240341547039186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7169240341547039186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7169240341547039186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7169240341547039186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/12/decimas-para-um-fado-actual.html' title='Décimas para um fado actual'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-6680854951434345899</id><published>2011-11-23T00:21:00.001Z</published><updated>2011-11-23T00:25:14.452Z</updated><title type='text'>A CULPA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Louvados sejam os deuses,&lt;br /&gt;Glorificados os seu actos,&lt;br /&gt;Na esperança de sua bênção.&lt;br /&gt;Que incapacidade genética,&lt;br /&gt;Que deficiência maligna,&lt;br /&gt;Nos tornou tão submissos?&lt;br /&gt;Louvados sejam os guias,&lt;br /&gt;Adorados os seus passos,&lt;br /&gt;Porque o caminho é difícil.&lt;br /&gt;Levem-nos pela mão,&lt;br /&gt;Cegos por convicção,&lt;br /&gt;Amanhã o regresso será incerto,&lt;br /&gt;E o futuro desconhecido.&lt;br /&gt;Pensem por nós que somos pecadores.&lt;br /&gt;Nós que escolhemos sem saber&lt;br /&gt;Um destino qualquer.&lt;br /&gt;Lavem-me a roupa das nódoas,&lt;br /&gt;A alma das misérias&lt;br /&gt;E a cabeça de pensamentos.&lt;br /&gt;Doem-me tanto as decisões,&lt;br /&gt;As escolhas incertas,&lt;br /&gt;As ruas desertas&lt;br /&gt;Por onde me fazem andar.&lt;br /&gt;Deixem-me somente o prazer,&lt;br /&gt;Mesmo que não seja eu a escolher.&lt;br /&gt;Quero lá saber da liberdade,&lt;br /&gt;Se não souber a quem louvar.&lt;br /&gt;Quero que me levem pela mão.&lt;br /&gt;Levem-me vocês que inventaram o medo&lt;br /&gt;E a minha solidão.&lt;br /&gt;Levem-me dos receios que não sabia,&lt;br /&gt;Levem-me de tudo o que desconhecia.&lt;br /&gt;Não quero ter opinião,&lt;br /&gt;Que me reste a justificação&lt;br /&gt;De não haver outra saída.&lt;br /&gt;Adormeçam-me com receios,&lt;br /&gt;Cenários escuros e negros,&lt;br /&gt;Abismos e sobressaltos.&lt;br /&gt;Acordem-me para votar,&lt;br /&gt;Façam-me sentir importante&lt;br /&gt;Com escolhas de mão no ar.&lt;br /&gt;Ontem disse que sim,&lt;br /&gt;Hoje penso que não.&lt;br /&gt;E vocês que já lá estão&lt;br /&gt;Estão a rir-se de mim.&lt;br /&gt;Louvados todos os que eu sigo&lt;br /&gt;Porque já não há solução,&lt;br /&gt;Enquanto eu beijar a mão&lt;br /&gt;Que me dá o castigo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-6680854951434345899?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/6680854951434345899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=6680854951434345899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6680854951434345899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6680854951434345899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/11/culpa.html' title='A CULPA'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8765371597355184886</id><published>2011-11-19T22:30:00.003Z</published><updated>2011-11-19T22:37:40.384Z</updated><title type='text'>Dúvida</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-QFBtNY0yvZs/Tsgva4DNq_I/AAAAAAAAAJ8/7rALVRk1cDM/s1600/S3700007.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676839469069478898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-QFBtNY0yvZs/Tsgva4DNq_I/AAAAAAAAAJ8/7rALVRk1cDM/s400/S3700007.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zZY5FfOgtUQ/Tsgu74VVFNI/AAAAAAAAAJw/TmNP1BKghq4/s1600/S3700001.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de mim,&lt;br /&gt;em cada passo me revejo.&lt;br /&gt;Do centro ao sul&lt;br /&gt;e depois ao centro.&lt;br /&gt;Lembro-me de ti,&lt;br /&gt;ao lado dos passos que dei.&lt;br /&gt;De um lado ao outro,&lt;br /&gt;De tudo o que foi,&lt;br /&gt;e depois voltei.&lt;br /&gt;Voltei porque tinha de voltar,&lt;br /&gt;porque os passos não se esquecem,&lt;br /&gt;porque com os passos que dei,&lt;br /&gt;a algum lado havia de chegar.&lt;br /&gt;Sítio que é porque estou,&lt;br /&gt;relembro quem ficou.&lt;br /&gt;E lembro-me de mim,&lt;br /&gt;com os passos que dei.&lt;br /&gt;Assim foi o que decidi,&lt;br /&gt;horas na estrada do sul,&lt;br /&gt;rumo ao sol que nascia,&lt;br /&gt;rumo ao sul que um dia soube,&lt;br /&gt;para um “Eu” já pequenino.&lt;br /&gt;Numa terra de um largo,&lt;br /&gt;num terraço já antigo,&lt;br /&gt;de uma casa que não existe,&lt;br /&gt;com uma porta e um postigo,&lt;br /&gt;por onde ninguém olha.&lt;br /&gt;Foi destino, foi castigo,&lt;br /&gt;foi a vida, fui eu,&lt;br /&gt;com os passos que dei,&lt;br /&gt;que decidi, amigo,&lt;br /&gt;voltar ao que já não sei.&lt;br /&gt;Sei que não é retorno,&lt;br /&gt;parte de mim ai morreu&lt;br /&gt;e outra parte renasceu,&lt;br /&gt;num lugar mais morno.&lt;br /&gt;Lembro-me de mim&lt;br /&gt;e dos passos que dei,&lt;br /&gt;Só não sei se fui eu que caminhei. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8765371597355184886?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8765371597355184886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8765371597355184886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8765371597355184886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8765371597355184886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/11/duvida.html' title='Dúvida'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-QFBtNY0yvZs/Tsgva4DNq_I/AAAAAAAAAJ8/7rALVRk1cDM/s72-c/S3700007.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5202228939193347609</id><published>2011-11-14T23:48:00.003Z</published><updated>2011-11-14T23:52:41.167Z</updated><title type='text'>Quando as palavras nos faltam porque as pessoas se foram</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Ns4i6UkVzHQ/TsGpvLXOz_I/AAAAAAAAAJk/xjSTzV2VcPg/s1600/316145_2128436135420_1381461305_31803115_297116912_n.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 144px; height: 338px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Ns4i6UkVzHQ/TsGpvLXOz_I/AAAAAAAAAJk/xjSTzV2VcPg/s400/316145_2128436135420_1381461305_31803115_297116912_n.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675003633432711154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na minha cadeira,&lt;br /&gt;no conforto do meu quarto,&lt;br /&gt;na sala do meu descanso, manso o desassossego das visitas.&lt;br /&gt;A cadeira de um café,&lt;br /&gt;onde também se bebia café,&lt;br /&gt;porque era no café que tudo começava&lt;br /&gt;e onde tudo também podia acabar.&lt;br /&gt;Falam as bocas de coisas, de pessoas,&lt;br /&gt;das pessoas o mundo,&lt;br /&gt;do mundo as palavras e as pessoas que as dizem. &lt;br /&gt;Foi ontem, mais ou menos à trinta anos,&lt;br /&gt;como podia ser hoje a pensar ontem,&lt;br /&gt;como se tivesse importância o que se diz quando se pensa.&lt;br /&gt;Foram quartos, muitos quartos,&lt;br /&gt;dos  quartos de pessoas que se conheciam.&lt;br /&gt;O conforto dos quartos, que era o conforto da amizade,&lt;br /&gt;da cumplicidade, de mais qualquer coisa.&lt;br /&gt;Na sala a música,&lt;br /&gt;omnipresente,&lt;br /&gt;pretexto e finalidade,&lt;br /&gt;desculpa ou lazer,&lt;br /&gt;prazer, discussão, união.&lt;br /&gt;As visitas que se repetiam,&lt;br /&gt;os números que sabiam,&lt;br /&gt;as portas que se conheciam,&lt;br /&gt;e outras coisas mais que atenuavam desassossegos.&lt;br /&gt;Mansos os dias de visita,&lt;br /&gt;calmas peregrinações,&lt;br /&gt;de café em café, sala em sala,&lt;br /&gt;nas escadas, nos jardins, nos passeios&lt;br /&gt;ou simplesmente na rua,&lt;br /&gt;na minha, na tua, na nossa,&lt;br /&gt;que também podia não ser…&lt;br /&gt; tudo isto são palavras que são ditas quando não existem palavras,&lt;br /&gt;porque as palavras escasseiam quando a ausência é definitiva,&lt;br /&gt;no entanto dizem-se!&lt;br /&gt;Até logo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5202228939193347609?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5202228939193347609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5202228939193347609&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5202228939193347609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5202228939193347609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/11/quando-as-palavras-nos-faltam-porque-as.html' title='Quando as palavras nos faltam porque as pessoas se foram'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Ns4i6UkVzHQ/TsGpvLXOz_I/AAAAAAAAAJk/xjSTzV2VcPg/s72-c/316145_2128436135420_1381461305_31803115_297116912_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5496357711871880742</id><published>2011-08-24T00:15:00.002+01:00</published><updated>2011-08-24T00:20:13.602+01:00</updated><title type='text'>Assertivo</title><content type='html'>ASSERTIVO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assertivo (Lat. assertivu),adj.  que encerra asserto; afirmativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;asserto  (Lat. assertu), s.m. asserção; afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;asserção (Lat. assertione), s.f. proposição que se apresenta como verdadeira; afirmação; asseveração; alegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;afirmação (Lat. Affirmatione), s.f. acto de afirmar; asseveração, declaração peremptória;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu afirmo!&lt;br /&gt;Serei assertivo? &lt;br /&gt;E se afirmar uma mentira, será a minha mentira uma declaração peremptória?&lt;br /&gt;Decisiva será se for terminante, se nela encerrar a convicção de quem engana.&lt;br /&gt;E se mentir convicto de afirmar verdade?&lt;br /&gt;Será a minha afirmação uma asserção?&lt;br /&gt;E a minha atitude?&lt;br /&gt;Terá ela a assertividade que se reconhece nas pessoas honestas?&lt;br /&gt;Será honesta a pessoa que não confirma as suas afirmações?&lt;br /&gt;E se essa pessoa confirmar incorrectamente, se basear as suas afirmações numa mentira bem contada, numa mentira que é geralmente aceite como verdade sem que disso tenha consciência?&lt;br /&gt;Poderei eu respeitar os outros apenas pelo facto de afirmar sem alienar, sem influenciar?&lt;br /&gt;Sempre quis ser assertivo, homem de bem, homem de proposições que se apresentam como verdadeiras, mesmo quando não o são. &lt;br /&gt;Sentado à mesa, uma mesa comprida, rectangular, de frente para um grupo de homens austeros, rígidos, implacáveis, inflexíveis. Sentado à mesa, deste lado, do lado de cá. Comigo estão outros homens, também eles rígidos, tesos, como se diz dos homens que vão à luta, que arriscam o pouco que têm pelo muito que todos possam ganhar.&lt;br /&gt;Sentado à mesa espero a minha vez. Alguns tópicos num papel, a convicção de que tenho razão. Os tópicos que também são as minhas razões, as razões que esperam por se afirmar.&lt;br /&gt;Por cima da mesa ouvem-se afirmações, asserções, declarações, de um lado, do outro, num jogo de esgrima, como se as palavras de uns procurassem a sua verdade nas incertezas dos outros, nos outros termos, nos outros homens que os dizem.&lt;br /&gt;Conseguirei eu ser assertivo, repousar a minha verdade de forma conclusiva, definitiva, como se nada mais houvesse para dizer, ou melhor, afirmar.&lt;br /&gt;Sim, eu proferi afirmações, verdades que sendo minhas estão de acordo com as verdades dos outros, ou não? Eu julgava que sim, assim como eles. Eles que procuram as imperfeições das minhas afirmações, que tentam destruir a minha assertividade, num duelo de verdades, as deles, as minhas, verdades que se cruzam de tempos a tempos, um ligeiro roçar de sílabas, um partilhar de conceitos desgarrados sem que isso se torne compromisso. &lt;br /&gt;Entrei no jogo, entrei para perder, o jogo de assertividades contraditórias, eu sei que não tenho toda a razão, eles também não a têm e sabem-no. Poderemos ficar pelo meio, menor denominador comum, que o maior seria pedir muito, seria?&lt;br /&gt;A meio do jogo o resultado é incerto, mas eu tenho algumas certezas, a certeza de que não vou conseguir tudo o que pretendo, a dúvida de que talvez consiga alguma coisa, uma declaração favorável, algo a que me possa agarrar, uma verdade que seja comum, uma no meio de todas as outras que não o são.&lt;br /&gt;O jogo está a chegar ao fim, a mesa está cheia de garrafas de água, cheia de assertividades inconsequentes, cheia de verdades que de tantas vezes ditas perderam objectividade.&lt;br /&gt;Podemos fazer a acta da reunião, que afirmações podem ficar registadas? O silêncio que ocupa aqueles breves segundos…Será altura de fazer mais afirmações?&lt;br /&gt;Faz-se um esboço, depois cada um lê e lá para o final da semana sairá a versão definitiva que de tão consensual nunca será assertiva. De um lado ficará a nossa verdade do outro a verdade deles, no meio, o que conseguirmos aproveitar…&lt;br /&gt;Amanhã ir-me-ão perguntar, “Então correu bem? Conseguiram o que tínhamos decidido no plenário?”, “ Não!”, seria esta a asserção, mas não posso fazê-lo, não devo fazê-lo, e tanto que eu quero dizer “Não!”. Vou-me deixar levar pela demagogia, fazer uma festa com uma mão cheia de nada.&lt;br /&gt;Vale a pena lutar? Claro que vale! Para saberem que não somos uns” merdas”, podem mandar na gente mas não nos fazem de parvos.  &lt;br /&gt;Somos parvos!&lt;br /&gt;Serei eu assertivo quando digo que somos parvos?&lt;br /&gt;Pelo menos é uma afirmação.&lt;br /&gt;Ou será a confissão de um estado de espírito?&lt;br /&gt;Tudo isto afirmei, verdades da minha verdade, a assertividade possível, a que me foi possível. Terá sido suficiente?&lt;br /&gt;Para mim foi.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5496357711871880742?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5496357711871880742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5496357711871880742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5496357711871880742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5496357711871880742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/08/assertivo.html' title='Assertivo'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2168353468624043512</id><published>2011-08-23T00:05:00.002+01:00</published><updated>2011-08-23T08:01:19.237+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje pressionaram-me imenso! Começaram de manhã. Pressões de vogal, a primeira da lengalenga, o “a”, maiúsculo ou minúsculo, pouco interessa. &lt;br /&gt;Sou um teclado, um teclado comum, de plástico, letras pretas em fundo branco, letras que são símbolos e símbolos que não são letras, emblemas de outras literaturas.&lt;br /&gt;Sou pressionado de manhã e de tarde, tenho um horário fixo. Teoricamente isso corresponderia à verdade. Quem me pressiona tem também um horário fixo. Fixo no contrato assinado em que se assentou a presença quotidiana. A presença que existe independente da pressão contratualizada. &lt;br /&gt;Quando sou bem pressionado a imagem flui no ecrã. Independentemente do tamanho ou qualidade os ecrãs serão sempre o espelho da minha pressão. Não que eu tenha experiência no assunto, ainda hoje sou fiel ao meu primeiro reflexo.&lt;br /&gt;Mas hoje abusaram, palavras cheias de letras massacradas, titubeantes. O contrato que se cumpre. São oito são oito! São sete são sete!&lt;br /&gt;Não há tempo a perder, arrumam-se as letras em sinais eléctricos, que sem electrões nada disto se faz, por enquanto…&lt;br /&gt;Tenho duas teclas gastas e a funcionar mal. Sujidade? Humidade? Ou apenas a erosão do que não é estável. Quantos óxidos escondidos? Quem sabe algum pequeno insecto que se tenha habituado à rotina. Ele entra! Eu saio! &lt;br /&gt;Estou cansado. Não é só a pressão, também é quem a exerce. Não me sinto motivado para fingir letras em impulsos electrónicos, jogos de pressões e contactos, acordos, o eu hoje que amanhã serás tu.&lt;br /&gt;Estou cansado, não são só os dedos que me martelam. É o martelar sem sentido. O provocar de reflexos inconsequentes. Para quê tanto esforço? Hoje é até às cinco! Até às seis! Hoje eu faço horas! Prolongo o meu esforço como consequência da mecânica dos teus dedos, extremidades insaciáveis. Eu sou piano! Ouve o meu silêncio, o gentil ruído da percussão sem corda nem ressonância, o gemido da tua aflição.&lt;br /&gt;Está escuro e a sala está quente. O ar condicionado também tem horário. Tento-me lembrar das palavras que escrevi. Falta-me o pensamento, o raciocínio de quem as juntou. Nunca tive jeito para papagaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou povo! Sou dois digítos de desempregados! Sou o que apanha e que esqueçe!&lt;br /&gt;Sou teclado, povo pressionado, que escreve sem entender, sou aquele que ainda acredita, mas que diz que não acredita, por vergonha, com medo que deixem de escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim hoje, como Cecil Taylor, improvisando só para me libertar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Perdoe-me o Cecil Taylor que é de longe muito melhor músico que eu escrevinhador. No entanto foi ele que me inspirou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2168353468624043512?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2168353468624043512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2168353468624043512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2168353468624043512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2168353468624043512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2011/08/hoje-pressionaram-me-imenso-comecaram.html' title=''/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5290715332951630437</id><published>2010-01-13T19:07:00.004Z</published><updated>2011-07-06T22:34:51.968+01:00</updated><title type='text'>O velho e o casal</title><content type='html'>Num banco de jardim está sentado um velho, assim mesmo, velho. Velho de velhice vivida, daquela que se agarra à pele e marca cada pequeno pedaço de carne, a pele ajusta-se e enruga. Eu vejo-o daqui mas não é aqui que eu estou. Estou mais além, à porta daquele café, de frente para aquela mulher que por sinal é a minha mulher, não que a tenha comprado, mas o contrato assim obriga. No fim de contas talvez não tenha sido o contrato, mas que importa isso agora que a vejo daqui. O velho olha para nós, paciente, à espera. A experiência diz-lhe que algo se vai passar e ele que já pensou levantar-se, sim eu bem o vi fazer o gesto que a finta desfez quando a ouviu gritar, deixa-se ficar mais um pouco. E eu daqui olho para ele e ouço-te chamar-me parvo e imagino-me a corar, a encher-me de raiva. Pela expressão do velho sei que vou responder, ele que inclina ligeiramente a cabeça, como se eu não fosse gritar suficientemente alto, Eu não sou parvo! Mas sou, sempre fui e ainda agora que daqui nos vejo o sou. Vejo-me parvo, pateticamente parvo e vejo que o velho me vê tal e qual. E eu grito que não sou, que só sou quando acredito em ti e eu acredito sempre em ti, mesmo quando não acredito, porque os teus olhos verdes me fazem sonhar, porque a tua pele que é branca e aveludada me toca sem me tocar, cola-se a mim e quando tu te vais embora eu choro porque sei que não és só minha. A minha mulher, será que o velho percebe que ela não é só minha, que todo aquele trabalho fora de horas…O velho inclina-se um pouco mais e arregala os olhos. Fui eu que levantei a mão. Porque levantei eu a mão? Não estava com atenção, olhava para ti velho de uma figa, mas adivinho uma das tuas respostas entre dentes, se não acreditas em mim tens bom remédio, mesmo depois de lhe sentir o cheiro na tua roupa, aquele cheiro de aftershave cara que eu não tenho dinheiro para pagar nem nariz para apreciar. Eu preciso trabalhar, o velho retoma uma posição de recosto, a minha mão desceu devagar, cobarde do gesto que nunca teve intenção, e eu preciso de ti, depois de eu ir trabalhar. Sinto que o velho me olha com pena, agora que olho para mim também eu sinto pena…De mim…Porque és tão grande e eu tão pequeno, tão insignificante ao pé de ti? O velho olha-me e vê-me pequeno, de ombros caídos, cansado de mim que te ama desesperadamente. O velho vê-te e partir, depois vira o olhar na minha direcção e estremece. Não sei bem o que foi, talvez um arrepio de frio, com este calor, nunca se sabe, a idade, o velho abre a boca e solta um som, talvez uma palavra, o seu olhar é um misto de incredulidade e terror. Começo a assustar-me, quero olhar para nós e não consigo, os meus olhos estão fixos no velho que grita. Ouvem-se tiros e eu que não tirei os olhos do velho vejo-o encolher-se e escorregar pelo banco do jardim. Ele escorrega lentamente e vai deixando um pequeno rasto vermelho acastanhado, sangue, provavelmente sangue, sangue de velho, gasto, escuro, baço. Agora que o velho se encontra todo no chão, escorrido e mole eu olho para ti e não te vejo, vejo-me a mim de arma na mão tentando apontar não sei a quem. Vejo-me cair e só depois percebo que também tu estás deitada. O polícia, que se aproxima, à confiança faz mais um disparo. Vejo-me imóvel e olho para o velho, também ele imóvel. Ao de leve sinto-me partir. Dos três corpos deitados só um me desperta atenção…Adeus velho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5290715332951630437?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5290715332951630437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5290715332951630437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5290715332951630437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5290715332951630437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2010/01/o-velho-e-o-casal.html' title='O velho e o casal'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-4020308904477762483</id><published>2009-12-23T18:52:00.002Z</published><updated>2010-01-15T00:42:13.285Z</updated><title type='text'>Natal</title><content type='html'>Sem necessidade de ser violento. Falar do Natal como se falasse de paz. Oferecer a ceia e desfrutar da companhia dos familiares. Olhar para as luzes e ver apenas as luzes, as luzes multiplicadas pelas ruas de lojas, todos esses apêndices luminosos que nos confortam o coração, que nos escondem da escuridão, do medo de ficarmos sós quando todos gostam de todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem necessidade de mentir como se falasse verdade. Deixar que os olhos consumam tudo aquilo que é feito para consumir. Também o sonho porque é do sonho que eu falo. O sonho que se alimenta e que existe nas crianças. Acreditas no Pai Natal? Responder como se respondesse a um teste. Ainda acreditas no Pai Natal? Responder como se estivesse num tribunal. Eu já não escrevo cartas, não sei o que pedir. Portei-me bem Pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem necessidade de ser grosseiro. Lembrar-me do pinheiro cortado comprado junto às grades da estação de caminho de ferro. O pinheiro que entrava no balde forrado de cores garridas. O balde que se enchia de pedras. Tanto que eu gostava de apanhar as pedras. São suficientes? Do tamanho certo? Obrigado Mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem necessidade de jantar e de abrir prendas. Falar do Natal como se falasse de amor, do gosto que tenho em estar com vocês, mesmo que o vinho me faça tropeçar nas palavras e que as palavras falem da vida, da que foi, lembras-te, da que virá, esperemos, da que é e que temos de aproveitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã não será Natal e eu encherei o balde com laços e papéis. Para alguns será uma medida de sucesso. Tenho medo de deixar ir o Natal embrulhado em tantos laços e papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos um bom Natal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-4020308904477762483?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/4020308904477762483/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=4020308904477762483&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4020308904477762483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4020308904477762483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2009/12/natal.html' title='Natal'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3843350264535417395</id><published>2009-12-11T23:30:00.001Z</published><updated>2011-07-06T22:33:19.415+01:00</updated><title type='text'>Rotinas</title><content type='html'>Na porta umas verrugas imensas, a rugosidade dos anos, e eu sem tocar, sem saber se tocamos, eu e as minhas mãos, com medo de ficarmos velhos, velhos como aquela porta.&lt;br /&gt;Distraio-me da porta e fixo-me nas paredes, também elas velhas, sujas, húmidas, verdes, cinzentas, negras, de bolores intemporais. O sangue escorre-me frio, para os pés, e eu penso em água quente, água muito quente, penso no leite da minha mãe, no café da manhã, na manta que tenho na sala, na cama quando tu estás e eu estou.&lt;br /&gt;Agora sim a janela, a janela com vidros, vidros partidos e sujos que deixam passar o frio e tapam a visão. A janela que podia ter sido o que tudo o resto não foi, e eu ali, parado, sem saber, toco, não toco.&lt;br /&gt;Volto-me e encontro o caminho que percorri. Tão complicado voltar atrás quando só a cabeça volta. Arrisco uma simulação, uma finta, uma vénia traiçoeira. Arrisco convencido que estou a arriscar, arrisco sem saber que já tinha aberto a porta.&lt;br /&gt;E no entanto a piscina está lá, toda aquela água que eu devoro três vezes por semana, todo aquele esforço para me cansar, uma, duas, três…Vinte, vinte e uma, vinte e duas…Oitenta…Cem…Para! Eu paro! Não estou convencido mas paro.&lt;br /&gt;O vapor, os azulejos quentes que me escaldam a pele, seis metros quadrados que me lembram a asma, a janela aberta, eu a querer respirar, a querer voar, a querer viver.&lt;br /&gt;Esqueci-me da porta, hoje não vou pensar mais nela. Não vou pensar mais na porta.&lt;br /&gt;Não vou pensar mais na porta nem nas paredes…&lt;br /&gt;Vou esquecer a janela e o caminho que me trouxe mas que não me pode levar para trás.&lt;br /&gt;Só assim faz sentido ter-me cansado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3843350264535417395?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3843350264535417395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3843350264535417395&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3843350264535417395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3843350264535417395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2009/12/rotinas.html' title='Rotinas'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2307117690354350338</id><published>2008-05-20T14:21:00.003+01:00</published><updated>2008-05-21T01:33:17.301+01:00</updated><title type='text'>Enganos I</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Levado por falsas conversas, argumentos enganosos, cavalos de Tróia em palavras de madeira, o logro no seu interior.&lt;br /&gt;Prometem-lhe que sim, que pode vir a ficar. Por enquanto o recibo, as férias sem dinheiro, o Natal sem prendas, as moedas que ganham importância, contam-se primeiro os Euros, depois os cêntimos, depois os passos para casa dos pais, os dela, os dele, as escassas reformas que sustentam a sua actividade mal paga.&lt;br /&gt;Ele espera porque não vê saída, porque se esconde na traição das palavras, veículos blindados, armas mortíferas que se habituou a odiar. Espera a conta ao balcão de um café de centro comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também espera. O seu quarto emprego acabou e espera pelo quinto. O curso de sociologia não ajuda, “Não precisamos de gente com curso.”, atender um telefone, dar recados, tirar fotocópias, distribuir memorandos e ordens de serviço, ser bonita e gentil, arranjada o suficiente para ser agradável ao senhor Doutor. Não será difícil enquanto a beleza dos seus vinte e seis anos permitir. “Vive com alguém? É casada! E filhos? Pensa ter filhos?”, “Não, de maneira nenhuma, nunca antes dos trinta.”, sim claro que pensa, pensa nisso todos os dias. No outro dia pegou no bebé da vizinha, um belo moço com quatro meses. Cresceu-lhe uma vontade do fundo da carne, vontade de ser mãe, vontade de amamentar aquele filho que podia ser seu, “Os miúdos são uma chatice, primeiro quero viver a vida. Mais tarde logo penso nisso”, “E o seu marido, o que pensa ele?”, “Estamos em total sintonia”, sim ela quer e ele não, ainda não. E quando fala nisso o corpo a pedir, a mão que inconscientemente repousa no ventre como que a sentir.&lt;br /&gt;Vai começar amanhã, falaram-lhe num contracto mas os primeiros meses são com recibo, “Sabe como funciona?”, “Sim, sei!”, o meu marido está na mesma situação há três anos, a minha melhor amiga também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pagou a conta e saiu. Sente-se cansado, cansado de respirar ar reciclado: Está quase na hora de voltar ao escritório, cinco minutos a pé pelo meio do trânsito. Puxa por um cigarro e antes de o acender olha instintivamente por cima do ombro, “Voçê promete-me que vai deixar de fumar?”, “Claro senhor Gonçalves, já fui ao médico e tudo.”, inspira profundamente aquele fumo nicotínico, sente uma ligeira tontura, uma sensação de agradável relaxamento. Retarda o passo, aprecia o cigarro na mão e retira-lhe a cinza com um sopro enérgico. Ainda ontem andava a estudar, cinco anos na engonha numa Universidade Particular, o curso não acabado, a imposição dos pais, “Não acabas o curso vais trabalhar que a gente não consegue aguentar, o mês passado já nos atrasamos na renda.”, faltava só um ano, o mais difícil, aquele em que a cabeça só queria noite. Foi na noite que a conheçeu. Também a ela faltava um ano. Ela acabou-o, ele foi trabalhar. Foi depois da queima das fitas que marcaram o casamento, os pais de ambos assim decidiram e eles cegos pelo amor assim aceitaram, não seria por causa de um papel que a iria perder. Um “Não” dos pais dela e ela desistiria dele, incapaz de confrontar os seus progenitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou primeiro pela casa da mãe para dar a novidade, o Ricardo saberia depois quando ela se vestisse para o receber à noite e o convidasse para jantar naquele restaurante mais caro ao fundo da rua. Sentia-se aliviada com a possibilidade de nesse mês não precisarem pedir dinheiro a ninguém. Talvez com esse alívio voltassem a fazer amor como das primeiras vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Voltei! Uns dias depois...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2307117690354350338?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2307117690354350338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2307117690354350338&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2307117690354350338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2307117690354350338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2008/05/enganos-i.html' title='Enganos I'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5996898043023541548</id><published>2008-01-11T22:53:00.000Z</published><updated>2008-01-11T22:59:53.473Z</updated><title type='text'>O Automóvel X (O FIM)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A polícia entrou de repente, “Deitados no chão, já! Mãos atrás da cabeça!”. A Xana empurra-o aos gritos e tenta chegar à porta. Ouvem-se tiros de pistola. Ele tenta protegê-la com o corpo. A cabeça que não seguiu o movimento envolve-se de tonturas, o desmaio, onde estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma enfermaria, tudo branco e o silêncio, “Onde estou?”. Uma enfermeira que se aproxima enquanto recomenda:&lt;br /&gt;- Deixe-se estar deitado que eu vou já ter consigo!&lt;br /&gt;- Onde estou?&lt;br /&gt;-No Hospital.&lt;br /&gt;- O que me aconteceu?&lt;br /&gt;- Foi uma rapariga que o trouxe. Segundo ela, lançou-se do seu jeep em andamento, bateu com a cabeça no asfalto e desmaiou. Tem a cabeça partida e o corpo todo esfolado, de resto está bem. Só precisa descansar e ficar mais umas horas em observação. Que raio de ideia a sua, lançar-se de um automóvel em andamento. O susto que deve ter pregado à pobre da moça.&lt;br /&gt;A enfermeira tenta ajeitá-lo na cama e impedindo-o de se levantar.&lt;br /&gt;- E a Xana?&lt;br /&gt;- A Xana?&lt;br /&gt;- A rapariga que me trouxe.&lt;br /&gt;- Chama-se Xana? Não a conheço, deve ser nova cá na zona. Sabe, mais cedo ou mais tarde todos por cá passam.&lt;br /&gt;- Foi-se embora?&lt;br /&gt;- O que estava à espera? Muita sorte teve voçê, se fosse outra tinha-o deixado lá estendido e fugido a sete pés.&lt;br /&gt;- A minha carrinha?&lt;br /&gt;- Essa não foge, não se preocupe. O reboque que voçê pediu levou-a para a oficina Central. “Central” é o nome e fica ao pé da paragem das camionetas o que lhe vai dar muito jeito. Tenho comigo um cartão que eles me deram para lhe entregar.&lt;br /&gt;  O Zé não conseguiu perguntar pela casa de Xana, pelo quarto de Xana, pelo corpo de Xana. Queria acreditar que tinha salvo Xana das balas assassinas da polícia, queria ser o herói daquela história onde não estava sozinho.&lt;br /&gt;  Está sozinho, sentado junto a uma janela, no expresso para Lisboa. Fez-se noite. Foi de táxi para a Damaia. Na mesa da cozinha, entre duas torradas e um chá, faz as contas possíveis. Só o transporte da carrinha é um balúrdio. E ainda foi um favor, teve de convencê-los a trazerem-na no dia a seguir, logo de manhãzinha. Amanhã irá à oficina do André para saber dos estragos.&lt;br /&gt;  A noite passou-se. Sem sonhos, visões, ilusões ou qualquer outro tipo de alucinações. Acordou vazio. Sentiu falta de uma mulher que não existia. A mulher que não só o ajudou, mas também lhe ofereceu cama, o corpo e que o fizera sentir-se vivo, era um truque, uma partida do subconsciente. Não teve vontade de tomar o pequeno almoço em casa. Apetecia-lhe o leite quente em casa da Xana, da Xana que inventou.&lt;br /&gt;  Hoje irá olhar para a sua carrinha e ouvir o André confessar a sua impossibilidade para efectuar a reparação:&lt;br /&gt;- Teria que correr todas as sucateiras de Lisboa e arredores. Sem contar com o trabalho de bate chapas. Ficava-te uma fortuna Zé. E ficarias sempre com uma carrinha velha, nunca irias recuperar o dinheiro, nem mesmo que a vendesses.&lt;br /&gt;- Eu não queria vendê-la, só queria vê-la inteira novamente. Percebes?&lt;br /&gt;O Zé carregava aquela interrogação de todo o seu sofrimento, a mágoa de perder a última coisa de que realmente gostava.&lt;br /&gt;- Eu percebo Zé, mas ouve o que eu te digo. Por metade do preço do arranjo da carrinha, consigo-te um Ibiza a gasóleo de dois lugares quase novo, impecável, deixas de vir cá tantas vezes.&lt;br /&gt;  E Sorriu, o Zé não: &lt;br /&gt;- Diz-me tu um número para eu pensar no assunto.&lt;br /&gt;- Vais ver que não te arrependes!&lt;br /&gt;  O Zé saiu da oficina com um número, um número demasiado grande para as suas economias, ainda assim possível de se conseguir com umas horas extraordinárias. Foi o último dia desse ano em que trabalhou oito horas. Todos os outros tiveram doze ou mais horas de rotina vigilante. Começou a apanhar tudo. Chegou a não despir a farda de segurança, adormecendo no sofá agarrado a uma carcaça com manteiga. No princípio o café bastava para o manter acordado. Com o acumular do cansaço precisou de outro tipo de ajudas. Não precisou ir muito longe para conseguir o que pretendia. Mesmo ali, no café da rua, local onde um conhecido vendedor de substâncias ilícitas lhe recomendou anfetaminas:&lt;br /&gt;- Olha que eu não quero ficar maluco e a ver coisas. Eu só quero é aguentar o serviço acordado.&lt;br /&gt;- É por isso que não te estou a vender outras merdas. Mas tens de ter juízo. Toma isto com calma, “meio” antes de ir trabalhar deve chegar.&lt;br /&gt;Olha que eu não te quero ver como os outros que cá vêm, tu não és desses.&lt;br /&gt;- Então sou de quais?&lt;br /&gt;- Não sei, és diferente.&lt;br /&gt;Realmente aquilo ajudou. Principalmente naquele último mês, o mês que faltava para ter o dinheiro suficiente.&lt;br /&gt;  O Zé perdeu o apetite e deixou de se cuidar. Não fosse a sua disposição para aceitar tudo tê-lo-iam despedido. Nele, a farda parecia pendurada num cabide. Foi essa imagem que ele apresentou ao André quando lhe estendeu a mão com o cheque.&lt;br /&gt;  O Ibiza comercial, de dois lugares, era branco. Esperou duas horas até conseguir um lugar de onde o pudesse vigiar da sua janela.&lt;br /&gt;  No dia seguinte pegou no carro e dirigiu-se para a ponte em direcção ao sul. Foi sem razão aparente que se jogou para fora do veículo em andamento. As pessoas que viajavam atrás dele ainda tentaram ajudá-lo. Não o salvaram mas foram a tempo de o ouvir:&lt;br /&gt;- Onde estou? És tu Xana? &lt;br /&gt;  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Fim)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S. Um grande abraço para a minha irmã TiTá, para o Adriano e para o PB. A voçês as minhas desculpas pelas ausências, silêncios, pela falta de resposta. Por favor não a confundam com falta de respeito. O desejo de um bom ano para todos voçês.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5996898043023541548?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5996898043023541548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5996898043023541548&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5996898043023541548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5996898043023541548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2008/01/o-automvel-x-o-fim.html' title='O Automóvel X (O FIM)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8125601617801839607</id><published>2007-12-14T12:34:00.000Z</published><updated>2007-12-14T12:35:55.105Z</updated><title type='text'>O Automóvel IX</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A carrinha atravessa a ponte 25 de Abril, sai de Lisboa e brilha, brilho de pintura metalizada que não veio de origem, brilha com o sol que pode ser de Verão, ou talvez não. O velocímetro regista o cuidado do condutor, sessenta quilómetros por hora. A distância de segurança que separa a carrinha do carro da frente é cumprida. O rádio está ligado, sem palavras supérfluas, só as canções têm direito a elas. A ponte já lá está, para trás, no sítio onde o passado guarda as coisas. Os pneus esborracham-se no asfalto procurando aderência. O ruído que eles provocam é contínuo, registo agradável que denuncia o contacto com o solo. A estrada é estreita, ladeada por árvores de tronco grosso, é noite e as luzes da Toyota procuram o caminho no meio da serra, guiam o corpo metálico pela estrada sinuosa, subida íngreme e constante. O Zé não conduz o carro. Vai no banco de trás, embrulhado numa manta. Está a dormir e agarra um cowboy mascarado de roupa azul clara. O cowboy ainda tem na mão o seu revolver, mas os seus vinte centímetros de altura não o ajudam na tarefa protectora. Para dizer a verdade é o Zé que proteje aquele homem armado de andar aos safanões dentro da carrinha. A carrinha que chega ao parque em frente à praia. A curva que rodeou as piscinas deixou-se ficar insinuando a saída. O mar está bravo, a espuma castanha revolta a areia espalhando-a com impulsos vários. O Zé sai da carrinha e corre para ao pé do pai, agarra-lhe a mão. A mãe olha para os dois e ri-se. O riso fica e dilui-se.&lt;br /&gt;Xana entrou na cama devagar. Deixou que o corpo magro daquele homem se moldasse com o seu. Deixou que ele lhe chamasse mãe, acariciou-o, guiou-lhe uma das mãos para os seus seios e apertou-a. Diverte-a o facto do Zé não saber o que faz. Tão frágil, tão puro, tão diferente dos homens que conheceu, que conhece. Encaixou um dos joelhos do Zé entre as suas pernas, sorri satisfeita enquanto meneia as ancas com volúpia. Ele sonha, pede-lhe coisas que ela não percebe, não quer perceber. Perante os movimentos da mulher ele estende-se e encolhe-se em convulsões. Ela deixa-se embalar no desassossego do homem. Quase sem querer tem um primeiro orgasmo. Aperta-o um pouco mais e solta um murmúrio que não chega a gemido. O Zé continua sonhando, está bêbado e uma rapariga tenta despi-lo, ele resiste com pouca convicção. Sonha que ela lhe toca no sexo, agarra-o possessiva, movimenta-o, aumenta o ritmo. Sonha que a manda parar, grita-lhe para parar, tarde demais. O Zé acordou ainda a mão de Xana repousava, flácida, sobre o seu sexo de homem, despreocupada dos fluidos que provocara. A vergonha, o embaraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu?&lt;br /&gt;- Beija-me!&lt;br /&gt;- O que é que fizeste?&lt;br /&gt;- Beija-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé obedeceu ao pedido, à ordem. Nunca se tinha sentido tão submisso. O beijo foi longo, Xana prolongou-o com carinho, depois adormeceu. Ele ficou sem sono. Estará ainda a dormir, belisca-se e solta um ligeiro gemido de dor, não era preciso exagerar. Até de madrugada não vai conseguir adormecer e só o barulho de viaturas em bruscas travagens e a porta do quarto a ser arrombada o fizeram levantar da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8125601617801839607?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8125601617801839607/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8125601617801839607&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8125601617801839607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8125601617801839607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/12/o-automvel.html' title='O Automóvel IX'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-917088109178980971</id><published>2007-11-15T16:11:00.000Z</published><updated>2007-11-15T16:12:04.674Z</updated><title type='text'>O Automóvel VIII</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ainda está no jeep. Daí a pouco entrará no quarto de Xana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apetece-te alguma coisa?&lt;br /&gt;- Deitar-me. Tenho o corpo dorido, sinto-me cansado.&lt;br /&gt;- Queres comer? Posso trazer-te uma fatia de pão com manteiga, um chá, para enganares o estômago.&lt;br /&gt;- Leite quente! Se tiveres um pouco de leite quente com café eu agradeço.&lt;br /&gt;- Arranja-se. Mas tens de comer, nem que seja uma bolacha.&lt;br /&gt;- És obstinada. Não sei se aguento até tu voltares.&lt;br /&gt;- Aguentas. Para já vou buscar um pijama para ti.&lt;br /&gt;- Eu posso dormir assim.&lt;br /&gt;- Mas eu não quero! O pijama vai-te ficar largo, os meus irmãos são bem maiores que tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé bocejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aguenta um pouco que eu venho já. Liga a televisão mas baixa-lhe o som.&lt;br /&gt;- Para não os acordar?&lt;br /&gt;- A quem?&lt;br /&gt;- Aos teus irmãos.&lt;br /&gt;- Agora sim estás a ser parvo.&lt;br /&gt;- Não te esqueceste.&lt;br /&gt;- É raro fazê-lo.&lt;br /&gt;- Mas eu estou a falar a sério. Eles não vão ficar chateados por tu trazeres um estranho para casa, ainda por cima para dormir no quarto da irmã?&lt;br /&gt;- O que eu acho é que estás com medo deles, ou então de mim.&lt;br /&gt;- És capaz de ter razão. Não estou habituado a dormir na casa de outras pessoas.&lt;br /&gt;- Não precisas preocupar-te, nós somos muito independentes. Vivemos juntos e sabemos defender-nos como família mas no que diz respeito às nossas relações pessoais não interferimos. Nem sei se eles estão em casa.&lt;br /&gt;- E os vossos pais?&lt;br /&gt;- Morreram, mas eu não quero falar nisso. Vou buscar-te o pijama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xana cortou assim a conversa, de forma rápida, abrupta. Saiu de cabeça baixa, com gestos desenvoltos mas de cabeça baixa. A morte dos pais ainda lhe pesava no coração. O Zé ficou sentado no sofá. Olhou para a televisão mas não teve coragem para a ligar. Tinha ficado com o comando na mão desde que pegara nele para se poder sentar, sem saber porquê não o largara desde então. Olhou depois para a cama, cama pequena para uma só pessoa e começou a preocupar-se, onde iria ele dormir, onde iria ela dormir. Sentiu um grande incómodo pelo desconhecido que a situação provocava. Ele que não gostava de ser pressionado a reagir. E a carrinha? A sua carrinha. Queria vê-la, amanhã de manhã seria a primeira coisa a fazer. Xana voltou a entrar no quarto com um pijama na mão, umas calças, uma camisola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está amarrotado porque tive de o ir buscar ao cesto da roupa por passar a ferro. Mas tu não te deves importar com essas coisas. Veste-o enquanto eu vou aquecer o leite para ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o deixou responder, deu a ordem e voltou a sair. Que mulher, pensou o Zé. Sentia-se intimidado, frágil. Obedeceu, acima de tudo para não ter que justificar a recusa ou inacção perante a ordem da Xana. O pijama era realmente grande, duas peças, calças e camisola de um azul desbotado, comido de lixívias e detergentes. O tecido, de meia estação, não era desagradável mas não o conseguiu identificar. Deixou-se estar sentado boiando na roupa de um mano que não era o seu. Esteve assim um bom bocado até começar a ouvir vozes, de homem, primeiro, da Xana, depois. A voz do homem destilava bebida alcoólica, a da Xana, reprovação. Pareceu-lhe que discutiam. Ao fim de um bom bocado as vozes calaram-se. Sentiu medo que entrassem pela porta do quarto e o vissem naquele estado, farrapo humano, ressacado de medicamentos, tristezas e outros azares, vestido para dormir com roupa que não é sua, sem justificação credível para a sua presença a não ser a vontade de Xana. A vontade de Xana. Qual seria a vontade de Xana. Nesse momento abriu-se a porta e o seu coração quase parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa a demora. O teu leite já deve estar frio, vais ter de o beber assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esboçou um sorriso que não lhe disfarçou a preocupação estampada na fonte enrugada. Tinha um sorriso bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz mal. Está tudo bem.&lt;br /&gt;- O meu irmão mais velho está a cair de bêbado. Veio a casa buscar dinheiro e quer sair outra vez, vou ter de ir falar com ele.&lt;br /&gt;- Espero que ele te ouça.&lt;br /&gt;- Eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esta sentença Xana apressou-se a sair do quarto mas antes lançou-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podes deitar-te na minha cama que eu logo me desenrasco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé não lhe respondeu. A cabeça doía-lhe. Bebeu o leite lentamente, não tinha café, não estava frio, não tinha bolachas. Rendeu-se à cama, devagar, por cima dos cobertores. Acariciou os lençóis e sentiu o odor de mulher. Num impulso lento, se tal existe, enrolou-se neles e assim adormeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cont.)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-917088109178980971?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/917088109178980971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=917088109178980971&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/917088109178980971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/917088109178980971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/11/o-automvel-viii.html' title='O Automóvel VIII'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8451900142373275471</id><published>2007-10-25T16:42:00.001+01:00</published><updated>2007-11-05T18:12:56.198Z</updated><title type='text'>O Automóvel VII</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Não dormiu no Hospital. O médico de turno conhecia Xana. Recomendou-lhe atenção. Muito embora os exames comprovassem normalidade, os inchaços na cabeça do Zé eram motivo para preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se ele se sentir mal, vomitar ou tiver dores de cabeça promete que me telefonas.&lt;br /&gt;-Prometo!&lt;br /&gt;-Eu não estou a brincar Xana.&lt;br /&gt;-Eu também não senhor doutor, Jorge.&lt;br /&gt;-Continuas sem juízo nenhum.&lt;br /&gt;-E tu continuas com ele todo.&lt;br /&gt;-Terá sido por isso que me recusaste?&lt;br /&gt;-Não! É por isso que eu gosto de ti.&lt;br /&gt;-Sempre com resposta pronta.&lt;br /&gt;-Sabes como eu sou, não gosto de guardar nada para depois.&lt;br /&gt;-Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge sentou-se por detrás da secretária. Xana fixou nele o olhar. Sentindo-se incomodado apressou a receita. Ela sempre o intimidara, desta vez também não foi diferente. Estendeu-lhe o papel quase sem levantar a cabeça. Só depois de sentir o ligeiro puxão e ouvir um sorriso demasiado feminino, o sorriso de Xana, teve coragem para a enfrentar novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes qual é a farmácia que está de serviço?&lt;br /&gt;- Não deve ser difícil encontrá-la. Das três há-de ser uma.&lt;br /&gt;- Tem cuidado. Tu nem conheces o fulano.&lt;br /&gt;- Nem preciso. O destino cruzou-nos, ele precisa de ajuda e eu vou ajudá-lo. Depois de amanhã desaparece daqui dizendo que o trataram bem e eu fico muito satisfeita.&lt;br /&gt;- Estás a ser irónica.&lt;br /&gt;- E tu estás a ser ciumento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tom de voz da Xana foi demasiado para o Jorge. A xana já não ouviu o pedido de desculpas que Jorge lançou no vazio do gabinete. Longas seriam as horas até sair de serviço. Vai-te lixar Xana!&lt;br /&gt;Xana já levou o Zé para o exterior, para o pequeno parque de estacionamento mesmo junto às urgências. O Zé sente-se tonto e vai amparado na mulher, lembra-se da mãe, também ela tem os seios grandes, talvez por isso se sinta tranquilo. Xana ajudou-o a subir para o Jeep.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás bem?&lt;br /&gt;- Estou. É longe a tua casa?&lt;br /&gt;- Não! Daqui a um quarto de hora estamos lá.&lt;br /&gt;- Posso fechar os olhos?&lt;br /&gt;- Preferia que fosses com eles abertos, pelo menos até chegarmos.&lt;br /&gt;- Percebo, não queres chegar com um morto a casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tom de graça fê-los rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha , olha, também sabes rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé já tinha fechado os olhos. Tinha a respiração pesada. Os tranquilizantes ainda estavam a fazer efeito. Xana olhou para ele e decidiu ir directo para casa, mais propriamente um monte, uma série de casas baixas distando alguns quilómetros da estrada principal.&lt;br /&gt;Foi o ladrar dos cães que acordou o Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8451900142373275471?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8451900142373275471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8451900142373275471&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8451900142373275471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8451900142373275471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/10/o-automvel-vii.html' title='O Automóvel VII'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5968524681837467063</id><published>2007-10-25T15:12:00.000+01:00</published><updated>2007-10-25T23:41:09.934+01:00</updated><title type='text'>Quinze anos depois - Outubro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Decidi arrumar a garagem, que no meu caso não serve para arrumar nenhum carro. Entre bicicletas, bolas de basquet, máquina de lavar roupa, arca frigorífica, uma mesa de actividades e muito mais coisas, encontra-se um móvel onde vou colocando o que não me cabe na sala. Dentro dele encontrei rastos na minha vida, passo a explicar. Sempre gostei de coleccionar revistas. Quando mais novo comprei a revista semanal “Tintin” onde o Vasco Granja me ensinou a gostar de Corto Maltese, do Tenente Blueberry, de Bruno Brazil e a sua brigada Caimão entre muitos outros. Já mais velhinho, em 82, acabado de fazer a prova oral em francês do 11ºano, comecei a comprar a revista Rock &amp;amp; Folck, francesa, hábito que só larguei nos anos noventa. Em noventa e dois rendi-me à irreverência do estilo do Miguel Sousa Tavares que imprimiu, aliada a um excelente cuidado gráfico, à Grande Reportagem uma imagem de marca que quase aguentou a sua saída. Tenho a década de noventa em Grandes Reportagens guardadas na garagem. Porque estamos em Outubro aqui vão algumas das actualidades de 92, já lá vão quinze anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Editorial, Miguel Sousa Tavares afirmava num texto intitulado “Regresso à barbárie”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“que Europa é esta, que Nova Ordem Internacional é esta, que assiste inerte à selvajaria que todas as noites nos é servida em casa pelas imagens da televisão? Enquanto a Europa discute se há-de ou não viver com o tratado de Maastricht, para depois ter uma política externa e uma política de defesa comum que lhe permitirão (dentro de três ou quatro anos) intervir em situações como a da Bósnia,”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na secção “As coisas que eles dizem” aparece uma citação de D. José Policarpo, à altura bispo auxiliar de Lisboa e Reitor da Universidade Católica, retirada do semanário Expresso (edição de 12 de Setembro de 92). Assim, sem “papas na língua”, como diz o povo, desculpem-me falar dele, ele que anda tão mal tratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O caso de Timor Leste é muito complicado. Em Portugal, a posição dos media em relação a Timor Leste só apanha um dos lados do problema. Nós temos informações muito mais completas, que nos levam a uma tomada de posição mais silenciosa, até para ser eficaz. Todos nós sabemos que estes problemas complicados não se resolvem na praça pública mas na confidencialidade das chancelarias e canais diplomáticos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-lhe a Grande Reportagem o Prémio “Deus lhe perdoe tanto silêncio” visto tratar-se de uma secção onde se premiavam citações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas actualidades um pequeno artigo falava de cientistas russos a viver e trabalhar no Pólo Sul. Dizia esse artigo que os tais cientistas continuavam de “castigo”. Punha-se em questão a sua sobrevivência no Inverno que ai vinha. Sentindo-se abandonados pediram socorro pela rádio a outros cientistas de uma base Americana em Amundsen-Scott (Trágica a morte de Scott). Declarações feitas pelo chefe da base russa de Vostok referiam “O governo deixou-nos cair.”. Em resposta as autoridades de Moscovo justificavam-se com outras prioridades. Em todas as estações antárcticas ponderava-se o recurso à greve inviabilizando o envio dos boletins meteorológicos para S. Petersburgo e para Moscovo. Sentenciava o artigo, “A situação de abandono destes técnicos russos é uma das consequências das mudanças ocorridas na ex-União soviética. Recebem apenas 10 por cento dos salários a que têm direito e os responsáveis pelas estações polares, ou seja o Comité de Estado para a Hidrometeorologia, caiu em desgraça.”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Na “fotossíntese” encontrávamos uma fotografia do Eng.º Guterres (Foto de Pedro Silva, publicada no Diário de Notícias de 16-9-92). O Homem estava mais novo, queimado pelo sol das férias acabadas de gozar, dizia-se, na Praia dos Tomates.&lt;br /&gt;Em pleno Cavaquismo criticava-se a apatia do PS em férias no Algarve e do PC na festa da Atalaia. Em tom de desabafo constatava-se, “A oposição em Portugal já só se ouve graças ao CDS”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda e só CDS com Paulo Portas no semanário Independente (acho que o MEC também para lá andava), isto digo eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo mês vou trazer outras recordações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande bem haja para todos os que colaboraram na Grande reportagem. A eles lhes peço que vejam este post como um tributo e não como um plágio. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5968524681837467063?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5968524681837467063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5968524681837467063&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5968524681837467063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5968524681837467063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/10/quinze-anos-depois-outubro.html' title='Quinze anos depois - Outubro'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3695710165947477609</id><published>2007-10-12T15:53:00.000+01:00</published><updated>2007-10-12T15:54:30.524+01:00</updated><title type='text'>O Automóvel VI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Continuava com os pulsos presos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estou?&lt;br /&gt;Estás no hospital e tens sorte em não ter partido nada. Foste de cabeça ao chão duas vezes e continuas vivo. És um tipo com sorte.&lt;br /&gt;Devo dizer obrigado?&lt;br /&gt;Se quiseres?&lt;br /&gt;Estou a ser parvo.&lt;br /&gt;Ainda é cedo para dizer o que tu estás a ser.&lt;br /&gt;Tens razão.&lt;br /&gt;Eu sei.&lt;br /&gt;Podes ajudar-me?&lt;br /&gt;Eu estou a ajudar-te!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Xana chegou-se ao Zé e tirava-lhe os cintos. O Zé olhava-a com o ar culpado de quem cometeu um acto injusto. O semblante culpado do homem contrastava com a compreensão da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás melhor?&lt;br /&gt;Estou! Que horas são?&lt;br /&gt;É quase meia-noite.&lt;br /&gt;Meia-noite?!&lt;br /&gt;Da primeira vez que acordaste foste muito agressivo, foram precisos sedativos.&lt;br /&gt;Da primeira vez?&lt;br /&gt;Depois de saltares do meu jeep desmaiaste. Consegui reanimar-te e chamei os bombeiros. Quando eles chegaram só chamavas pela carrinha e não deixavas que te levassem para o hospital. Os gajos passaram-se e deram-te uma injecção. Fiquei contigo até agora.&lt;br /&gt;Obrigado!&lt;br /&gt;As palavras saíram-lhe sinceras, descargo de consciência, mas logo se lembrou da Toyota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a minha carrinha?&lt;br /&gt;Gostas mesmo muito dela?&lt;br /&gt;Sim!&lt;br /&gt;Parece que não puxaste o travão de mão como deve ser. Encontraram-na voltada ao contrário no fundo de um pequeno barranco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cara do Zé transformou-se, sentiu-se desfalecer novamente. Sentiu nojo, tonturas. A minha carrinha, a minha única amiga, sangue do meu sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que ela está?&lt;br /&gt;Está um pouco amassada.&lt;br /&gt;Um pouco?!&lt;br /&gt;Não penses nisso agora. Tens onde ficar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não pensar? Agora sim é que tinha arranjado um belo problema. Não teria decerto dinheiro para o arranjo, ainda por cima com a dificuldade em arranjar peças, muito trabalho de bate chapas, horas de labor naquele lugar escuro a que chamam oficina e que é o único que ele conhece, o único em que ele tem confiança para deixar a sua carrinha, mas primeiro ainda tem de a tirar daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde é que ela está?&lt;br /&gt;Não desistes?&lt;br /&gt;Ficou lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xana mostrou propositadamente um ar desiludido e enfadado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Os moços do reboque são meus amigos e conseguiram tirar de lá a tua querida carrinha que descansa agora no parque de uma oficina para tu amanhã, de cabeça fresca e com calma, decidires o que queres fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé reparava agora na maneira pouco formal como aquela rapariga falava com ele. Parecera-lhe mais velha da primeira vez que a viu, talvez a maneira pouco cuidada como se veste, a ausência de maquilhagem, as maneiras masculinas e de movimentos bruscos, a tenham envelhecido. Agora, com mais atenção apercebe-se da sua juventude, pele morena e lisa, marca de duas ou três borbulhas que ficaram da adolescência na cara bonita embora um pouco arredondada. Xana era uma rapariga alta e forte onde não havia lugar a gorduras supérfluas, os seus vinte e dois anos assim como o trabalho que fazia de permeio com várias actividades radicais não o permitia. Zé reparou que ela esperava uma reacção sua. Era também notório que estava aborrecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheces algum sítio onde eu possa dormir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xana abriu a boca num grande sorriso e largou um risinho demasiado feminino para o seu aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é que estás a falar bem. Se quiseres podes ficar em minha casa.&lt;br /&gt;E tu não tens medo? Mal me conheces.&lt;br /&gt;No estado em que tu estás não fazes mal a uma mosca, além disso eu vivo com dois irmãos bem maiores que tu. Eu própria sou maior que tu. Tens cara de escritor, ou poeta, muito pálido, magrinho, com ar esgazeado e sonhador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não teve coragem para lhe dizer que era segurança. A descrição que ela fizera dele não lhe deixara qualquer vontade de se revelar, por outro lado até lhe agradava saber que não parecia um gorila, que não assustava ninguém. Que melhor oferta poderia ter a estas horas da noite. Admirava-se com a persistência da rapariga. Não é todos os dias que se encontra alguém que nos ajuda de uma maneira desinteressada. Ele que se julga um Michael K português. Solidão, desapego material, fraca figura, que pode alguém esperar dele. Está demasiado cansado para pensar, sente fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso comer alguma coisa.&lt;br /&gt;Comes quando chegarmos a casa. Espera um pouco enquanto trato da papelada. É verdade, tirei-te a carteira e as chaves da carrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé levantou-se e deixou-se estar encostado à cama. À sua volta encontravam-se mais duas camas com rodas, ambas ocupadas por idosos. Numa cadeira com rodas estava uma mulher de meia-idade ligada pelo braço a uma embalagem de soro. A enfermaria parecia calma aquela hora, Agora que estava em pé apercebia-se das escoriações, todas superficiais, não tinha partido nada, quase que lhe apeteceu ficar ali durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Bom fim-de-semana!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3695710165947477609?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3695710165947477609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3695710165947477609&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3695710165947477609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3695710165947477609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/10/o-automvel-vi.html' title='O Automóvel VI'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-6133196775287687299</id><published>2007-10-09T16:41:00.000+01:00</published><updated>2007-10-09T16:45:53.474+01:00</updated><title type='text'>O Automóvel V</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cheirava a medicamentos, a desinfectantes vários. Mexeu primeiro os dedos das mãos e dos pés. Apercebendo-se deitado abriu os olhos. O tecto branco cegou-o e fechou-os novamente. Imaginou-se numa enfermaria e teve receio de mover o corpo. O medo de que alguma coisa estivesse mal, a ânsia de saber o quê. Lentamente o medo recua, a ânsia avança destrutiva e num gesto reflexo tenta levantar-se. Sente uma dor aguda que lhe começa nas costas e acaba na perna esquerda. O braço esquerdo também lhe dói e cedeu ao esforço fazendo-o desequilibrar-se. Vencido deixa-se cair. O impacto desamparado da cabeça no chão deixa-o novamente sem sentidos.&lt;br /&gt;Agora o cheiro a medicamentos recorda-o da queda, tem os pulsos presos.&lt;br /&gt;Alguém que se aproxima, ele pressente o movimento, os pés que calçam sapatos sem salto, sola de borracha no guincho com o pavimento polido. O movimento é leve, dir-se-ia gracioso. Neste momento algo respira por cima dele, uma voz desabafa, Ia jurar que o vi mexer. Manteve-se imóvel, deixou que a respiração se afastasse. Não se afastou muito, o barulho de uma cadeira ali perto assim o indicou, novamente a voz, Se ele não acordar vou-me embora. A voz, a voz que o conduzia num Jeep, a voz que lhe gritou, Não faça isso!&lt;br /&gt;Está acordado mas mantém os olhos fechados. Irá decidir abri-los, revelar através deles que recuperou a consciência.&lt;br /&gt;Abriu a porta e saiu, o pânico assim determinou, a carrinha que não estava onde devia estar, a sua imagem num relance, mais abaixo, virada ao contrário num declive abrupto. Abriu a porta e saiu, a voz, Não faça isso!&lt;br /&gt;Ele lá fora, a queda, o vazio, o momento do impacto, a dor e de seguida novamente o vazio, desta vez escuro, intemporal.&lt;br /&gt;É este o momento, decidido está a enfrentar a realidade, o que aconteceu à sua carrinha, onde está a sua carrinha?&lt;br /&gt;Novo movimento reflexo, desta vez com a força que a convicção grava nas nossas decisões, sentado de uma só vez, apoiado nos braços como se estes fossem suporte de um baloiço.&lt;br /&gt;Xana arregalou os olhos, o movimento demasiado rápido surpreendeu-a, já não era a primeira vez.&lt;br /&gt;Olha quem acordou! Já estava para me ir embora.&lt;br /&gt;O Zé ouviu a voz ao longe e quis responder, enrolou a língua nos dentes e grunhiu algo parecido com, Onde está o meu automóvel?&lt;br /&gt;O seu automóvel? Não me faça rir.&lt;br /&gt;Até ele sentiu vontade de rir, por momentos sentiu vontade de rir e sentiu-se ridículo, Onde está a minha carrinha?&lt;br /&gt;Não seria melhor saber onde estás?&lt;br /&gt;Xana está irritada, o Zé está desorientado, melhor o silêncio que vai ficar entre os dois nos minutos que se seguiram.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Cont.)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S. Obrigado a todos os que me comentam por me fazerem continuar. A todos vós um abraço. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Até  que tudo o que é a vida nos separe.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-6133196775287687299?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/6133196775287687299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=6133196775287687299&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6133196775287687299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6133196775287687299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/10/o-automvel-v.html' title='O Automóvel V'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1234451756187679441</id><published>2007-10-07T23:58:00.000+01:00</published><updated>2007-10-08T00:00:14.894+01:00</updated><title type='text'>Branco</title><content type='html'>&lt;em&gt;Branco,&lt;br /&gt;Sou branco, tenho quarenta e dois anos e sou branco,&lt;br /&gt;Podia ser azul, cor-de-rosa, amarelo, mas não…&lt;br /&gt;Sou branco…Por definição…por justificação…&lt;br /&gt;E vejo branco, no branco dos meus olhos,&lt;br /&gt;Vejo branco na minha maneira de ser.&lt;br /&gt;Disseram-me o que era o branco,&lt;br /&gt;Do lado de cá,&lt;br /&gt;Do ocidente.&lt;br /&gt;Eu vejo branco,&lt;br /&gt;Eu pinto de branco,&lt;br /&gt;Eu sonho em branco,&lt;br /&gt;Fizeram-me branco e criaram-me branco.&lt;br /&gt;Se alguma vez fugir,&lt;br /&gt;Fujo em branco.&lt;br /&gt;Não fui eu quem inventou a cor,&lt;br /&gt;Sou consequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pálidas as faces&lt;br /&gt;Das pessoas que por mim passam.&lt;br /&gt;Em certas alturas, na rua, no passeio,&lt;br /&gt;Tudo se desfoca,&lt;br /&gt;Olho para eles e vejo-me.&lt;br /&gt;Pálidos os reflexos&lt;br /&gt;Das manhãs cinzas que inventei.&lt;br /&gt;Janeiro borralho e a humidade nos vidros.&lt;br /&gt;A borra castanha escura,&lt;br /&gt;Escuro do negro,&lt;br /&gt;No negro do café.&lt;br /&gt;A língua que se revolve na boca procura&lt;br /&gt;O doce meigo do açúcar,&lt;br /&gt;O frio que cede ao calor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo o jornal debaixo,&lt;br /&gt;Não sei se do braço, se de todo o arco.&lt;br /&gt;Da coluna arqueada saem coisas,&lt;br /&gt;Demandas, cansaços, os gastos quotidianos,&lt;br /&gt;Pormenores, e tantos que eles são!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, por ser hoje,&lt;br /&gt;Pensei no que fui, no que sou.&lt;br /&gt;Sobra-me a mim o lado lógico do contador de anos.&lt;br /&gt;Moderno equilíbrio que gasta todas as peças,&lt;br /&gt;Reciclado está o futuro para quem o há-de comer,&lt;br /&gt;O plágio irónico à saída do autocarro.&lt;br /&gt;Falta-me um pouco de vida para o fim de carreira,&lt;br /&gt;Do emprego que vai para além do fim do mês, no fim de mais um dia.&lt;br /&gt;Sou branco,&lt;br /&gt;Digo-o como se tivesse importância,&lt;br /&gt;Justificando, quem sabe,&lt;br /&gt;A falta de outra cor.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1234451756187679441?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1234451756187679441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1234451756187679441&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1234451756187679441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1234451756187679441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/10/branco.html' title='Branco'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2011386216712350082</id><published>2007-09-24T17:51:00.001+01:00</published><updated>2007-09-24T21:14:21.053+01:00</updated><title type='text'>O Automóvel IV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Olhou em redor, cento e oitenta graus de cabeça, o suficiente para se sentir sozinho. Rodou a chave mais uma vez. Um clique e novamente o silêncio, a presença sonora do que se ouve à volta, um registo suave que acompanha a paisagem. Está indeciso, valerá a pena olhar para o motor, tentar percebe-lo, no fim de contas há trinta anos que se conhecem. Se fosse a bateria seria fácil. Procurou o telemóvel na esperança de este ter a bateria carregada, algo que raramente acontecia quando era urgente a utilização. Não vai ser diferente desta vez e a alternativa vai passar pelas pernas do Zé. Tirou a mochila com meia dúzia de livros, os documentos e fechou a carrinha. Afinal não me livrei duma torreira. Não se sentia em má forma, tivesse o tempo mais fresco e o inconveniente da avaria até que seria um bom pretexto para uma caminhada no campo. O restaurante não ficava longe, dois mil metros numa alameda entre pinheiros e a “vacaria” que se adivinha, não mais de quinze minutos, porquê a medição do tempo, retratar o espaço? Ambos relativos pareceram-lhe maiores, a ele que abusou da sua relatividade. Explicando melhor, o Zé não é homem de finanças abastadas, no Zé nada é abastado. Mentira! Existe uma coisa onde o Zé não encontra limites, o seu olhar é orgânico. Voltando ao assunto, o Zé é um teso. Moço bem entrado nos trinta, digamo-lo por simpatia, o ordenado é curto na empresa onde nunca subiu, empresa de segurança que lhe garante os horários mais estranhos nos locais mais impróprios. São portarias de fábricas de noites desertas, estabelecimentos comerciais em hora de ponta, Hospitais e Clínicas de gente doente, enfim, tudo o que lhe mandem fazer, o Zé não é moço de refilar. Assim sendo, a avaria do seu automóvel pode tornar-se um sério problema económico que o poderá privar da sua liberdade. Fez todo o percurso a pensar no assunto, não foi a primeira vez. Também o pai e a mãe tiveram um fim, um dia seria a vez da sua carrinha. O último membro da família, que ele considerava chegada, poderia morrer. Afastou os pensamentos negros, tinha dinheiro suficiente para ir à oficina do André, a dificuldade existia em arranjar peças. Com uma regularidade pendular o Zé levava a Toyota à oficina do André, uma espécie de amante que mantinha uma relação vergonhosa com a sua carrinha e que lhe levava muitas das suas poupanças. Foi assim o trajecto do Zé até ao restaurante, amargurado, receoso, repleto de preocupações, logo ele que detesta preocupações. A fome dissipou-se, o estômago encolheu, só a cabeça crescia, do tamanho dos seus medos. Avistou a placa de faca e garfo apontada. O Zé já só pensava em arranjar um telefone de onde pudesse mandar um pedido de socorro, todo um fim de semana estragado. Ainda por cima a próxima semana seria no Hospital, maldito Hospital, se pudesse recusar, mas não pode.&lt;br /&gt;Alegrou-se ao ver a longa casa rasteira caiada de branco, debruada a azul, pequeno toldo na porta de entrada, letreiro discreto avisando do nome e do que ali se fazia. Sentia-se fatigado, mais da cabeça do que do corpo, por esse motivo deixou-se ficar um pouco cá fora antes de entrar. Organizou as ideias, primeiro iria comer, de nada serviria esperar de barriga vazia, contrariar o pessimismo, relaxar, depois o telefone, um qualquer mecânico que o tentaria intrujar, com sorte ficaria com o problema mecânico resolvido e com menos uns Euros na conta mensal, pelo menos assim o esperava. Foi com o espírito renovado que entrou no restaurante e escolheu uma mesa para se sentar. Ainda hoje está para saber se foi ele que escolheu a mesa ou se esta lhe atravessou o destino insinuando-se tentadora, junto à janela, cheia de luz, para duas pessoas, um pouco afastada das longas mesas de seis e quatro pessoas, beneficiando do facto de uma coluna interior a isolar do resto espaço. Sentou-se e apreciou o aconchego daquela luz, local ideal para observar todo o campo em volta. Ao longe as vacas procuravam abrigo junto das arvores isoladas, mancha castanha e verde marcando a paisagem. Sentiu as palavras da empregada. Sentiu-as sem as ouvir, como se sente a presença de algo que está onde deveria estar, sabe que a intenção das palavras vem acompanhada de uma lista, bastará sorrir e agradecer, obrigado, se calhar nem tanto. Esta era a única mesa de onde se podia ver distintamente o balcão. Estava situada no ponto exacto onde este, fazendo um ângulo de 45º, escondia da sala quem nele se quisesse apoiar. Foi por este motivo que enquanto bebia o café deixou o seu olhar orgânico repousar numa mulher ao balcão. Já tinha telefonado a um mecânico, “amigo” do dono do restaurante que lhe garantiu ajuda dali a uma hora. Ficava portanto com uma boa meia hora sem nada para fazer. De tanto a olhar ela correspondeu e ele receoso baixou a cabeça sem reparar que ela sorriu.&lt;br /&gt;Decidiu pagar ao balcão e o dono do restaurante, dirigindo-se à mulher, arranjou-lhe boleia até à carrinha. Embora envergonhado não teve coragem para recusar. Quase sem palavras e apenas sabendo que lhe chamavam Xana deixou-se arrastar até um velho Landrover. O caminho até à sua Toyota seria rápido. Decidiu aproveitar e olhar para a mulher, que descobria agora, muito bonita. Começava a sentir-se mais à vontade quando ela lhe perguntou pela carrinha, efectivamente já deviam ter chegado ao local onde a tinha deixado. Ao olhar para trás apercebeu-se da árvore que escolhera para a estacionar. Debaixo dela nada se via. Ainda em andamento abriu a porta do jeep e saltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2011386216712350082?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2011386216712350082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2011386216712350082&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2011386216712350082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2011386216712350082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/09/automvel-iv.html' title='O Automóvel IV'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1529155793669849120</id><published>2007-09-06T18:54:00.000+01:00</published><updated>2007-09-24T21:14:35.963+01:00</updated><title type='text'>O Automóvel III</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sábado, Verão, uma linda manhã de sol. O “lindo” para as cores claras, brilhantes, o branquear dos tons, a sensação extrema de luz, quase o desconforto, bem ditos óculos escuros.&lt;br /&gt;A Toyota encontra-se imóvel, meio asfalto, meio terra, areia. O ar está salgado, sabe a mar. Estranha névoa que percorre a linha da praia sem nunca passar as dunas, sem nunca ofuscar o sol, traço de vertigem na paisagem costeira. O Zé está de olhos fechados no lugar do condutor. Tem no seu colo um livro aberto. As mãos sobre o livro tremem ligeiramente. A respiração é pausada, por enquanto.&lt;br /&gt;Agora que já é mais tarde, pela cara do Zé escorrem gotas de suor, acelera o ritmo cardíaco, o ar entra e sai mais rápido, mexe as pernas, cai o livro. Acorda assustado, incomodado com a falta de espaço, com o calor, Que brasa!&lt;br /&gt;Ao sair da carrinha reparou no livro aberto, Herberto Hélder, do mundo, “Esta coluna de água, bastam-lhe o peso próprio, o ar à roda,”, a garrafa, com esse precioso líquido, em cima da mesa do restaurante no dia anterior. A decisão de abalar para sul, por dois dias, para ler sob um céu aberto, horizonte sem arestas. Hoje fecha com cuidado o livro de poemas e arruma-o, guarda-o na mochila, esconde-o, hoje é ele o poeta. Antes fosse. As palavras nunca lhe fluíram. Oralmente desaparecem por entre grunhidos e trejeitos faciais. Na escrita emperram no branco da folha. Tantas as vezes que ideias brilhantes se dissiparam na aridez da caneta e do papel. Desistiu de o fazer. Deixou que o olhar fosse a sua poesia.&lt;br /&gt;Percorre a passadeira de madeira que o leva para o primeiro desnível, onde a vegetação é verde seco e as flores arranham. A areia é grossa, talvez nova, ainda pouco rolada nos ciclos marítimos. Sente-a nos pés à mistura com conchas, umas inteiras, outras partidas, todas juntas no limite da maré anterior, perto está a rebentação, escondida no segundo desnível. As ondas desfazem-se na areia numa raiva trepadora que morre na forte inclinação da praia. Difícil entrar e sair, lá dentro tudo é mais calmo, mais amplo, mais bruto, dois metros e deixa-se de ter pé, que magnifico lugar para relaxar, deixar os olhos fazerem magia, soltar a poesia dos azuis do mar, dos azuis do céu. Olhá-los demoradamente, as palavras que não ditas, não escritas, as palavras olhadas, os azuis que o fazem sentir bem, que não é um estranho no mundo, que é normal querer isolar-se, não querer companhia, que transformam tudo isso num belo e efémero poema, como se a palavra efémero lhe pudesse aumentar a beleza. Não fosse o estômago e o Zé teria torrado ao sol. Quase nunca a fome o convence, não é escravo da comida nem das horas para comer, para se sentar à mesa, quase sempre sozinho. Dias não são dias, está com fome, porque não aproveitar? Sentiu-se satisfeito com a sua decisão. Enquanto palmilha o caminho em sentido contrário vai inventando menus, cardápios com nomes a cheirar a Verão, nomes de peixes, peixes abertos no prato, o azeite, o vinagre, só uma gota, para tirar o doce. Apetece-lhe vinho, vinho branco muito fresco, está de apetites, ele que raramente bebe bebidas alcoólicas, muito menos quando conduz. Se vai aproveitar a fome, também vai aproveitar a sede. A carrinha está perto, apercebeu-se que acelerou o passo e sorriu, Que gesto mais impróprio, nem pareço eu! Lançou um último olhar às dunas antes de engrenar a primeira. Fez a inversão de marcha com cuidado e iniciou a subida em segunda. Já no alto, e quando a estrada inicia um serpentear pelo pinhal, o motor falhou. Aproveitando a descida procurou uma sombra, uma daquelas enormes árvores seria sua amiga. De falha passou a silêncio. O arranque eléctrico não fazia mover a mecânica. Merda! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1529155793669849120?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1529155793669849120/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1529155793669849120&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1529155793669849120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1529155793669849120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/09/automvel-iii.html' title='O Automóvel III'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8990789251773489435</id><published>2007-08-23T18:07:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T18:08:23.415+01:00</updated><title type='text'>O Automóvel II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;  Em Lisboa, tinha ele oito anos, entrou no stand de automóveis. Ia com os pais. Havia dois anos que poupavam dinheiro, dois anos de privações. Decidiram-se prestações, mensalidades de suavidade calculada, a casa na Damaia ainda estava a ser paga. Também venderam o “carocha”.&lt;br /&gt;  No stand tudo era novo e limpo. Cheirava a materiais acabados de transformar, aromas acabados de moldar, “Cheira bem.”, disse para si e revelou-o na expressão exibindo um sorriso largo. De olhos bem abertos assimilou o fascínio, o brilho do objecto, o apelo dos panfletos publicitários que haviam convencido os seus pais, que também o tinham convencido. Estacionada no meio, entre dois parentes, quatro portas, duas portas, a station que superava todas as expectativas, mais brilhante, mais cromada, mais negra nos seus estofos, apelativa nos extras, o volante com o símbolo, o conta quilómetros indicando cento e sessenta, quatro velocidades, excelente a subir.&lt;br /&gt;  Logo que entraram um homem de meia-idade veio ter com eles, também ele de sorriso aberto. Não se lembra muito bem do homem. Sentou-se na carrinha, no banco de trás, os pais, à frente, simulavam a viagem, o homem incentivava-os, “Veja o cinzeiro, as mudanças, o espaço, o conforto, e ainda não viu o motor!”. Foi a sua primeira viagem na carrinha. Nos olhos cerrados a imagem de uma estrada num espaço aberto, o poster na parede do stand, o carro vermelho, ele ia a conduzir.&lt;br /&gt;  O negócio foi demorado, discutiram-se números, dinheiro que faltava, preencheram-se papeis, intermináveis papeis, “Pai, quando é que vamos embora?”, “Vamos já.”, o olhar da mãe, comprovação serena do poder paternal. Nesse dia a carrinha ficou no stand, nesse dia e nos nove dias que o seguiram. Nove noites, nove sonhos, em Janeiro, dias cinzentos, dias que o Zé pintou de amarelo Verão e azul calor. António José viajou por todas as fotografias, todas as imagens, jornais, revistas, televisão.&lt;br /&gt;A televisão a preto e branco, a carrinha cor de vinho atravessando paisagens no telejornal, a carrinha nas imagens do sul de França, na revista da sala de espera do médico da mãe, do médico que disse que a mãe iria morrer alguns anos mais tarde.&lt;br /&gt;  Foram buscar a carrinha numa quinta-feira. O tecto que desaparece e dá lugar ao céu, a cara esborrachada no vidro, a respiração presa no movimento da máquina. Percorreram as ruas de Lisboa num estranho momento de sol. A Damaia chegou e havia lugar para arrumar, muitos lugares. Da janela do primeiro andar, depois do jantar, ficaram olhando a carrinha, indiferentes à intensa chuva que caía.  Nesse dia não sonhou.&lt;br /&gt;Sexta à noite partiram para a terra, foi a primeira grande viagem da Toyota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8990789251773489435?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8990789251773489435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8990789251773489435&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8990789251773489435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8990789251773489435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/08/o-automvel-ii.html' title='O Automóvel II'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3007719273277136848</id><published>2007-08-14T22:46:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T15:55:09.744+01:00</updated><title type='text'>O Automóvel</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Automóvel, viatura, carro, bólide ou então a marca, “Eu tenho um Mercedes.”, “Eu tenho um BMW.”, “Eu tenho um Fiat Uno em segunda mão”. A personagem de quem vou contar este episódio trata o carro por “O meu carro”, para os amigos o seu carro é “O chaço do Zé.”. O Zé tem um carinho especial pela Toyota Corolla 1200 station, cor de vinho tinto, herdou-a do pai. Junto com a carrinha veio também o apartamento na Damaia e uma série de bugigangas que lhe causaram grande sentimento de culpa, como escolher o que deitar fora de entre os pertences de um pai morto. Sem dinheiro para remodelar a casa aligeirou-a de tudo o que precisasse de muita limpeza. Ainda hoje recorda com imensa tristeza esses dias em que as coisas iam e vinham para dentro de grandes caixas de papelão, cortesia de um vizinho dono de uma pequena loja de electrodomésticos na Amadora, objectos que se demoravam nas mãos, primeiro uma ligeira lembrança, estava com a mãe, com o pai, depois o local, Portimão, a hora do dia, talvez meio-dia, antes do almoço de certeza, comeu à pressa para lhe poder mexer, aquela jarra branca cheia de ramos verdes e flores, parecem rosas, são rosas. Já não tem essa jarra, partiu-a a dona Chica, Cabo-Verdiana forte e de temperamento instável que lhe limpa a casa uma vez por semana. Para o Zé a casa não é importante, também não se pode dar a grandes luxos. Tem o essencial para os padrões normais de vida num apartamento, máquinas para lavar, a roupa, a loiça, máquina de frio, aspirador, ferro de engomar e uma televisão. Também tem um leitor de cassetes VHS que ainda funciona, muito embora o aspecto do aparelho indiciasse outra constatação. Além destas essencialidades também tem uma cama, uma mesa-de-cabeceira, uma pequena escrivaninha, uma cadeira, isto no quarto. Na sala o móvel da televisão, contraplacado à vista por detrás da fina capa a imitar pinho, um sofá que com boa vontade albergaria quatro pessoas não anafadas. Na cozinha uma mesa, seis cadeiras, número exagerado para o uso diário. Só uma se mostra usada, prova que o Zé é homem de hábitos e rotinas e escolhe sempre a forma de utilizar os mesmos objectos, passava-se o mesmo com os garfos, as facas, os pratos, os copos. Da sala pode ir-se para outros dois quartos, o quarto do pai que ficou na mesma desde que este morreu e outro, mais pequeno, atravancado de estantes cheias de livros, o vício do Zé, a leitura.&lt;br /&gt;O Zé é António, podia ser Tó-Zé mas não é. É António José Maria Cardoso, António porque o avó paterno era António, José Maria porque sua mãe era devota a Cristo, o Cardoso também é do avó paterno, que assim sendo tem a primazia do baptismo. Quis o destino que António Manuel Cardoso nunca tenha conhecido o neto. Foi Miguel Cardoso, pai do Zé, que assim prestou homenagem à memória do progenitor. Mas que interessa o nome, interessa o suficiente para dele contar-mos toda uma história se for essa a intenção. Não é este o caso.&lt;br /&gt;O Zé tem uma paixão, a sua carrinha Toyota Corolla. Aos fins-de-semana, faça sol ou faça chuva, planta-se com a sua carrinha num local perto do mar e desfruta do prazer da leitura durante horas. Baixou os bancos de trás de modo a só poder transportar mais um passageiro. No banco do passageiro encontra-se um amontoado de livros. O motor da carrinha está afinado, a carroçaria não apresenta mazelas, a pintura está em bom estado, os interiores estão cuidados, gastos mas cuidados. Desde os seus oito anos que aquela carrinha é o seu meio de transporte, o seu automóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cont.)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P.S. A história que agora começei pode ou não ser original, tantas são as palavras que já foram escritas, uma coisa eu prometo, não a copiei de ninguém embora me tenha inspirado num pequeno conto de nome “O Capote” escrito por Nikolai Gogol no século XIX que situou a acção na cidade de São Petersburgo&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3007719273277136848?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3007719273277136848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3007719273277136848&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3007719273277136848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3007719273277136848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/08/o-automvel.html' title='O Automóvel'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1441517204618484736</id><published>2007-08-04T01:25:00.000+01:00</published><updated>2007-08-04T01:38:17.984+01:00</updated><title type='text'>Ressacando das férias (a culpa de quem não quer produzir)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RrPIgGg8kYI/AAAAAAAAACw/qWJO0MK9FuM/s1600-h/DSC02146.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094636057316331906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RrPIgGg8kYI/AAAAAAAAACw/qWJO0MK9FuM/s400/DSC02146.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De espada na mão decapitei uns quantos. Estava deitado numa toalha, numa praia…E o mar, sempre o mar e o som do mesmo agora nos meus ouvidos e eu deitado numa toalha.&lt;br /&gt;O Sol, também o Sol. O Sol nos meus olhos cerrados e as figuras por ele criadas…e eu divirto-me e deixo-me levar.&lt;br /&gt;Que bom o descanso…O descanso?! Sim o descanso, o mar manso, a toalha, a areia, o silêncio no grito da minha filha, “Pai já posso tomar banho?”, “Espera mais um bocadinho…”, “Vá lá Pai!...”.&lt;br /&gt;Eu e a minha mulher tocando-nos por amor ao toque, o leve eriçar da penugem corporal, a sensação de que o tempo pode mesmo ser parado.&lt;br /&gt;O carro sobe junto à falésia e de repente fura a rocha, uma vez e outra e outra ainda, desemboca num vale, numa rotunda, na escolha que sempre se faz quando se viaja sem destino, “Paulo, temos gasolina?”, “É melhor parar aqui.”.&lt;br /&gt;De espada na mão decapitei uns quantos…Que nobre o sentido das coisas, são cortes temporários, cabeças que hão-de voltar ao lugar.&lt;br /&gt;No dia seguinte o sol e eu, e a toalha, o agrado da irresponsabilidade, tenho tempo para vocês, consigo ouvir-vos melhor…Estamos numa ilha, isolados do mundo…&lt;br /&gt;O que eu gosto mais das férias é a minha filha, a minha mulher…O cenário pode mudar, escolha-se o cenário!&lt;br /&gt;A minha filha, a minha mulher, os meus amigos, o meu mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena as férias terem acabado…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1441517204618484736?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1441517204618484736/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1441517204618484736&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1441517204618484736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1441517204618484736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/08/ressacando-das-frias-culpa-de-quem-no.html' title='Ressacando das férias (a culpa de quem não quer produzir)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RrPIgGg8kYI/AAAAAAAAACw/qWJO0MK9FuM/s72-c/DSC02146.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1439497375846656900</id><published>2007-07-07T00:58:00.000+01:00</published><updated>2007-07-07T01:02:01.466+01:00</updated><title type='text'>O que me ficou depois de ter escrito IV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A garrafa já está vazia&lt;br /&gt;Raul não sente o alcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde estás Joana?!”&lt;br /&gt;“Joana…Joana…Joana…Joana!...?&lt;br /&gt;Adormeci nos teus braços, entreguei-me no teu corpo, aconchego de mãe…”,&lt;br /&gt;“Joana…Joana…Joana…Joana!...&lt;br /&gt;Que vou eu fazer das folhas escritas?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garrafa está vazia e ele tão cheio.&lt;br /&gt;Poucas as palavras para tão cheio conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho cem palavras escritas em Português escorreito, em verso, do verso filosofo, do professor frustrado.”,&lt;br /&gt;“Preciso de ti Joana, dos teus braços, do teu corpo, aconchego de mãe…Não Joana! Estou a mentir-te…Não sei do teu corpo…Agora que não estás aqui!”,&lt;br /&gt;“Joana…Joana…Joana…Joana…&lt;br /&gt;…Lembra-me um sonho lindo…Fausto? Sim! O músico, o Português!”.&lt;br /&gt;“Vou tomar banho, lavar-me de suores residuais, sínteses químicas, produtos das reacções, das minhas reacções…Joana…Joana…Joana…Espera por mim…Joana!...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guarda o saquinho de pó branco junto do arroz, na cozinha, cinco gramas mal pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou desistir, pedir a demissão, a rescisão gentil do contrato…Amigável…Retirem-me da trincheira, da fronteira, da loucura…”,&lt;br /&gt;“Que vou eu fazer dos meus ensinamentos, do meu entendimento, das horas que passei lendo tudo o que os outros pensaram, tudo tão depressa, demasiado depressa…Hoje, depois dos quarenta…Que irei eu fazer depois dos cinquenta?...Talvez F… , Pedro? Sim! O Português, o cantor!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre mais uma garrafa, a última, a que provoca pânico de ausência, demência. Limpou-se delicadamente, vestiu-se de novo, como se novo fosse, como se não se sentisse velho. Ao fim de todos estes anos, tantas as páginas que faltaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Joana…Joana…Joana…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A demência, o pânico, a ausência…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“…Joana…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora de novo, como se novo fosse. Novo de gestos lentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde estás Raul, Dr. Raul, Sr. Raul, Professor Raul, Raul?...Onde estás Joana? Simplesmente Joana…No passado, na rádio novela, simplesmente Maria, simplesmente um nome…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saco com o pó branco voltou-lhe à mão. Entretanto Joana discute com o patrão. O patrão sente um enorme desanimo por ainda não a ter levado para a cama.&lt;br /&gt;Raul pega no telefone…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Atende Joana!...Janta comigo…Não me deixes só…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Joana vai sair mais cedo do escritório. Não sabe se vai voltar. O patrão, o Dr. João está a sangrar do nariz, em silêncio, encharcando um lenço de pano fino. A Joana atendeu o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, eu vou jantar contigo. Não faças asneiras…Promete-me…”, “Tu sabes que não posso prome…”,  “Eu preciso falar contigo.”, “Eu também preciso de ti…”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Joana vai chegar a tempo de chamar uma ambulância. O Dr. Raul não irá voltar ao ensino. Seis meses isolado na serra da estrela fizeram dele um homem novo. Joana vai ficar com ele, ama-o. Foi ela que o levou para casa dos avós e lá ficou nos tempos mais díficeis. Depois arranjou emprego em Coimbra…Do resto não sei…Um conto é mesmo assim, é uma fracção de tempo, um pouco de vida, da vida…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Vou de férias. À Titá, ao PB, ao AD, à Isabel, ao Rocha de Sousa, à Elsa, ao Talk, enfim, a todos os que me visitam e comentam um abraço.&lt;br /&gt;Até sempre!&lt;br /&gt;(Sim, são estes os Blogues que eu mais visito)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1439497375846656900?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1439497375846656900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1439497375846656900&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1439497375846656900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1439497375846656900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/07/o-que-me-ficou-depois-de-ter-escrito-iv.html' title='O que me ficou depois de ter escrito IV'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7074229812908633840</id><published>2007-07-02T18:45:00.001+01:00</published><updated>2007-07-03T18:24:08.780+01:00</updated><title type='text'>O que me ficou depois de ter escrito III</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Querida Joana…”, o desabafo, o arrependimento. Joana foi para casa cedo. Saíu ainda o sol não tinha aparecido. Preocupou-se com o quarto, com o Dr. Raul que desmaiara a altas horas da madrugada pregando-lhe um susto de morte. Chegou a falar com a emergência médica, pediu informações, instruções, procedimentos, agradeceu e desligou…O Raul tinha acordado e procurava o copo, cego, de gestos desconexos. Aconchegou-o no seu colo, adormeceram os dois…Antes de sair arrumou o quarto, silenciosa, vigilante do sopro de vida do seu amante. Está apaixonada, sempre gostou de se apaixonar, de todas as vezes sofreu…Sina de quem vive intensa a dependência amorosa…Mas quem poderá dizer que viveu sem a sentir?&lt;br /&gt;Joana foi de carro para a cidade, ficou presa no transito e chorou enquanto ouvia as notícias das nove. Apeteceu-lhe telefonar mas não foi capaz. Agarrou o telemóvel com força até o sentir queimar…Largou-o bruscamente. Procurou o lenço na mala e deixou o motor do carro ir abaixo. Atrás de sim as buzinas começaram a tocar, uma mistura desagradável de sons estridentes que lhe agravou a tensão. Fechou os olhos e sentiu correrem-lhe lágrimas pela cara, percebeu que chorava novamente…Por momentos tudo despareceu…O motor do carro está a funcionar. Olhou-se no espelho retrovisor. Dois grandes riscos negros nas faces, um em cada uma, emprestavam-lhe um ar sinistro de palhaço assassino. Simétricos os riscos, o olhar que endureçera, “Reage Joana!”, “Que suplício!”, “Com sorte daqui a meia hora largo o carro.”.&lt;br /&gt;Deixou a moeda habitual a um dos arrumadores habituais. Este revezava-se com mais dois que protegiam o local contra possíveis intrusos. Era sem dúvida o mais forte. Dizia-se Romeno, confessava a fome, os vícios, os crimes e mostrava uma garra fora do normal para quem anda naquela vida. Joana nunca se sentira incomodada com ele, antes pelo contrário, preferia a sua presença à dos outros dois “sócios”. Foi gentil o suficiente para reparar no desarranjo de Joana, suficiente para lhe perguntar se ela precisava de alguma coisa, para lhe garantir que não precisava de se preocupar com o carro e que o dia ia estar muito bonito. Sim, a Joana não tinha dúvidas quanto a isso. Precisava limpar a cara, tentar-se apresentável. Entrou no café que ficava mesmo junto à entrada do escritório de advogados onde trabalhava. Cumprimentou a empregada mais velha e fez-lhe sinal que precisava de ir à casa de banho. Esta desimpediu a ponta do balcão e preparou-lhe um chá bem quente com uma torrada.&lt;br /&gt;Joana deixou-se ficar, de mãos no lavatório, olhando-se no espelho, “Gosto tanto de ti Raul, deixa-me pelo menos provar o mel… antes do fel…”, riu-se de si, da rima feita ao acaso. O que a juventude não faz, não há nada que pague a juventude, um sorriso, uma expressão que muda, os vinte cinco anos de Joana a mostrar frescura, sangue que é quente, contracenso, a frescura do semblante, o sangue quente…&lt;br /&gt;Bebeu o chá em silêncio, perdeu-se na conversa de dois homens que discutiam uma contratação do Benfica. Enquanto mastigava a torrada reflectiu sobre a facilidade que os homens tinham em descarregar as suas frustrações no futebol. Nem todos eram assim, mas para o caso isso também não interessava, também as mulheres tinham os seus truques. No seu caso não eram as novelas ou as revistas, mas honestamente não poderia dizer-se imune a esse tipo de descompressão. Gostava de fazer compras, gostava de comprar, isso fazia-a sentir-se bem…Quando não estava a ler, a estudar, a escrever, a amar…Comprar e vestir-se…Joana era uma mulher bem feita, talvez um pouco magra, mas a roupa assentava-lhe bem e ela gostava da sensação.&lt;br /&gt;Libertou-se do balcão com um beijo para a dona Marta que apontou a despesa num bloco.&lt;br /&gt;Agora o trabalho, o escritório. Primeiro a entrada do edíficio, é preciso dar ordem às coisas…O edificio, que tinha beneficiado de melhoramentos recentes, era ostensivamente fruto dos anos sessenta, habitações plurifamiliares que se foram desabitando, pilar, viga. Não gostava dele nem o sentia confortável. Hoje, em particular, ser-lhe-ia ainda mais desagradável…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Cont.)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S. Perdoem-me o espaçamento. Este conto vai ter de acabar até ao fim da semana...Depois...Férias...Descanso...Um abraço a todos os visitantes.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7074229812908633840?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7074229812908633840/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7074229812908633840&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7074229812908633840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7074229812908633840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/07/o-que-me-ficou-depois-de-ter-escrito.html' title='O que me ficou depois de ter escrito III'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1015351960636192857</id><published>2007-06-23T03:02:00.000+01:00</published><updated>2007-06-23T03:06:15.056+01:00</updated><title type='text'>O Trabalho (Pequena reflexão nocturna)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Diz Javé a Adão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Maldita seja a terra por tua causa, e dela só arrancarás alimento à custa de penoso trabalho, todos os dia da tua vida. Produzir-te-á espinhos e abrolhos, e comerás a erva dos campos. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de onde foste tirado. Porque tu és pó e ao pó hás-de voltar.” (Génesis, 3, 17-19)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O penoso trabalho, o castigo diário cravado nas nossas mais remotas origens religiosas. Será que nos apercebemos da maldição, da cruz herdada de Adão, o primeiro a arrancar alimento através da canseira, do suor, até à morte…&lt;br /&gt;Mas que dizer do trabalho? O trabalho é o que é, vale o que vale, o dos outros vale sempre menos…&lt;br /&gt;Pesada herança a de Moisés que teve de convencer os Judeus, pastores nómadas, a praticarem a agricultura. Qual o argumento? Na verdade consegui-o convencendo-os da irreversibilidade do castigo divino. Distribuiu as terras e criou leis que impediam a sua venda definitiva. De cinquenta em cinquenta anos o Jubileu saldava todas as dívidas, a ninguém seria espoliado o direito à terra, ao ganha pão, ao trabalho!&lt;br /&gt;Como poderão os ricos comer o pão com o suor no rosto, como poderão os pobres suar menos para comer um pouco mais de pão, como poderão os desempregados comer algum pão, pobres da pobreza , da miséria e da exclusão…E do trabalho.&lt;br /&gt;Enquanto o trabalho for pago será sempre deficitário no número de vagas. Na escravatura não existe limite para a necessidade de fazer, construir, ampliar, angariar. A remuneração é um sério problema, travão do progresso.&lt;br /&gt;Que novos reinos existem? Serão os países pobres os verdadeiros herdeiros da palavra de Javé?&lt;br /&gt;Aqui fica a minha dúvida, a minha vertigem nocturna…&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Um bom fim de semana a todos!...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1015351960636192857?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1015351960636192857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1015351960636192857&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1015351960636192857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1015351960636192857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/06/o-trabalho-pequena-reflexo-nocturna.html' title='O Trabalho (Pequena reflexão nocturna)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8779832919655551287</id><published>2007-06-14T03:34:00.000+01:00</published><updated>2007-06-14T03:40:09.296+01:00</updated><title type='text'>O que me ficou depois de ter escrito II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Em tudo acertámos, no copo, na casa de banho, no cigarro, no… Sente um amargo na boca, “O gosto amargo é causado por átomos redondos, macios, pequenos, cuja circunferência é, na realidade, sinuosa; portanto, ele é ao mesmo tempo pegajoso e viscoso.”, malditos filosofos, malditos átomos, redondos, macios…O amargo quimico da substância que lhe entrou pela veia, “Por convenção existem o doce e o amargo, o quente e o frio, por convenção existe a cor; na verdade são os átomos e o vazio…”, o vazio…”Demócrito defende que os elementos são o cheio e o vazio; chama-lhes ser e não ser, respectivamente. Ser é cheio e sólido, não-ser é vazio e não-denso.”, tudo se resume a um problema de densidade, e porque não?...&lt;br /&gt;O coração acelera, tem palpitações de esforço. O embolo desce e sobe uma vez, duas vezes, três vezes…E pára! Por momentos as forças vão-se, impossível o gesto, o movimento, perdido no orgasmo que é todo aquele sentir, aquele calor e logo a seguir o arrepio de frio e as forças novamente a voltarem…”Um dia não volto…”. Agora sim, está pronto para enfrentar o carrasco branco. “Onde é que eu ia?...”, estranhou a arrumação, as folhas alinhadas, o repouso da máquina sobre a mesa. Pegou nas folhas como se não fossem suas, como se aquelas palavras não tivessem nascido do contacto dos seus dedos com as teclas, e passou-as uma a uma, uma a uma olhou-as sem as ler, admirando-se da escrita, do contorno preto das estrofes…Nem bem preto…Mais cinzento…”Que bela silhueta…Terá igualmente belas palavras…”…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que fazer com o saber que me incomoda&lt;br /&gt;Filosofo do pecado&lt;br /&gt;Irmão gemeo que me ocupas…&lt;br /&gt;Bebe um golo e cerra os olhos com força&lt;br /&gt;Marca a vida antes que ela te fuja&lt;br /&gt;Dá-lhe metade de ti&lt;br /&gt;De mim&lt;br /&gt;Não a deixes ir sózinha…Matéria…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se reconheçe nas palavras, no desabafo feito poema, “Que merda é esta?...”, “Onde está a prosa segura que me caracteriza, onde estão os mestres que deveria evocar?”…”O intelecto actua sempre como se o fascinasse a contemplação da matéria inerte. É a vida a olhar para fora, saindo de si mesma, tomando como principio os caminhos da matéria inorgânica, para dirigi-los de facto.”, “Bergson tem razão…Que fascinio…O intelecto com o poder de ver as coisas separadas e a matéria para as destinguir como diferentes…Será que alguma vez o compreendi? Que me interessa isso agora? Se está certo ou errado…Só me interessa o belo…”, “Porque não me sai bela a poesia? Porquê a amargura…Falso filosofo, falso poeta…”.&lt;br /&gt;Enrola mais um cigarro, acaba de beber o que resta no copo e enche-o novamente, está calor. Decidiu abrir os estores e o sol quase que o cega, “Que bonito dia, que boa essa energia solar, fonte de vida…E de morte…”. No prédio em frente, duas adolescentes numa janela fazem-lhe caretas de nojo. Apercebe-se do seu triste estado, “Aonde queres chegar Raul…Dr. Raul…Professor Raul…Raul?”, afasta-se da janela e apaga o candeiro, refugia-se no fundo de um sofá velho, em pele, de um avó famoso, também ele Doutor, Professor, homem de grande saber, de grande capacidade de trabalho, com extensa obra públicada…”…Ouve bem Raul, sem trabalho nada se consegue. Os sonhos são bonitos mas precisamos conquistá-los.”, “Sim avó.”, ou só o dizer que sim com a cabeça, que idade teria?&lt;br /&gt;O pensamento cortado pela presença de um pedaço de papel, porque não reparou nele? Estava junto da garrafa, agora definitivamente meio vazia. Um pedaço de papel pequeno, bem dobrado, bem cheiroso. Desdobrou-o adivinhando-lhe letras, palavras, frases, sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amo-o Dr. Raul&lt;br /&gt;Amo-te Raul&lt;br /&gt;Não te destruas por favor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Joana…Afinal foste tu…Querida Joana…”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Continua...Com um abraço para todos os que se dão ao trabalho de por cá passar)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8779832919655551287?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8779832919655551287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8779832919655551287&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8779832919655551287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8779832919655551287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/06/o-que-me-ficou-depois-de-ter-escrito-ii.html' title='O que me ficou depois de ter escrito II'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2041684233102365656</id><published>2007-06-05T01:36:00.000+01:00</published><updated>2007-06-05T01:42:35.879+01:00</updated><title type='text'>Para lá dos recantos, dos segredos da alma.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RmSxSR_GobI/AAAAAAAAACo/CVEPP4qosjA/s1600-h/DSC01863.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072374007949861298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RmSxSR_GobI/AAAAAAAAACo/CVEPP4qosjA/s400/DSC01863.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Para lá dos recantos, dos segredos da alma,&lt;br /&gt;Das crenças e superstições.&lt;br /&gt;Distante fica o corpo, observando-nos em fuga…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retenho o cheiro da seara ceifada,&lt;br /&gt;Os fardos de formas geométricas,&lt;br /&gt;O aroma do caule cortado, multiplicado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho o segredo de mim,&lt;br /&gt;Sei-me fazer feliz,&lt;br /&gt;Egoísta do que não sei nem quero saber…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para cima e invento deuses,&lt;br /&gt;Faço do que me ensinaram,&lt;br /&gt;Sei que não tenho a chave…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a porta aberta,&lt;br /&gt;Numa amplitude incerta,&lt;br /&gt;O suficiente para passar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…A areia que desliza na ampulheta…&lt;br /&gt;O mecanismo gravítico, movimento manual que prolonga o tempo,&lt;br /&gt;Não me posso esquecer de a virar…&lt;br /&gt;Escorre e dá-me a medida do que existi, do que existo, do que tenho para dar.&lt;br /&gt;Sou eu que te peço, agora que te virei.&lt;br /&gt;Vejo o amontoado de tempo, acumulando-se no fundo,&lt;br /&gt;O fio de areia que o aumenta…Escorre e responde-me granulado temporal…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado!&lt;br /&gt;Pelo teu silêncio de frequências, rumor de partículas roçando-se.&lt;br /&gt;Obrigado por me fazeres olhar…&lt;br /&gt;Para lá dos recantos, dos segredos da alma.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2041684233102365656?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2041684233102365656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2041684233102365656&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2041684233102365656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2041684233102365656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/06/para-l-dos-recantos-dos-segredos-da.html' title='Para lá dos recantos, dos segredos da alma.'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RmSxSR_GobI/AAAAAAAAACo/CVEPP4qosjA/s72-c/DSC01863.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-4174119209523076593</id><published>2007-06-02T03:52:00.000+01:00</published><updated>2007-06-02T03:53:02.792+01:00</updated><title type='text'>O que me ficou depois de ter escrito</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A janela de cortinas arregaçadas parecia nua e oferecia do alto do segundo andar um espectáculo de desordem e sujidade a quem, convenientemente colocado, o pudesse contemplar. Numa cama de casal uns lençois, que já deviam ter sido brancos, eternamente enrodilhados salientavam o ar de abandono. Além da cama pouco mais havia a registar, uma cómoda pequena a seus pés, uma escrivaninha e uma cadeira encostadas à parede que defronte para a janela ostentava uma gravura a carvão de um mosteiro, numa moldura envelhecida. Algumas garrafas de vinho pelo chão e dois cinzeiros completamente cheios, um na cama outro na escrivaninha, eram adereços de uma companhia de Teatro sem subsídios. Na janela ao lado o contraste era evidente, com os estores totalmente fechados como que negando todo e qualquer raio de luz que ousasse iluminar por pouco que fosse a escuridão que se adivinhava nesse quarto, levando-nos a concluir, talvez um pouco apressadamente, que se no outro quarto não se via ninguém, neste deveria ser presença pelo menos um ser humano. Embora apressada, a conclusão estava correcta, efectivamente havia vida nesse quarto, alguém que dormindo, procurava passar despercebido ao mundo exterior, esse que por norma nos costuma rodear e nalguns casos trágicos digerir. Como não se pode ter tudo, correcta a conclusão, errada a escuridão que se tentou adivinhar. Um candeeiro de pé alto  iluminava uma sala onde tudo parecia demasiado arrumado tendo em conta o aspecto abandonado do homem que dormia em tronco nu, num sofá que poderia ser cama se o tivessem aberto para esse efeito. Este homem não é de se preocupar com locais para dormir, o sono vem-lhe do cansaço, das horas de desassossego.&lt;br /&gt;O sol está a pique, como deve estar o sol que quer queimar. Algumas gota de suor escorrem-lhe da testa, destilam o veneno que o consumiu, doce veneno…Hummm, doce veneno…Quando acordar logo sentirá a carência. Arrumada, a sala mostrava-se indiscreta aos vícios, uma caixa metálica com algodão, uma seringa de vidro e respectiva agulha, um vidro de relógio, uma garrafa de água, um saquinho de pó branco…Uma garrafa de Grants meio cheia…Meio vazia…Sempre a mesma merda de dilema…Desde que não seja a última…Não consegue dormir sem saber que pelo menos existem duas garrafas por abrir…Ao acordar a mão pede o copo, o copo pede a garrafa e ela tem de estar lá…Como poderia ele escrever, como poderia ele ensinar…Ainda se dão ao trabalho de o ouvir na faculdade onde dá aulas de filosofia…Esqueçeu os filosofos sem esqueçer a filosofia, algumas más linguas acusam-no de inventar…Tudo mentira… &lt;br /&gt;Está de baixa vai para três semanas, para escrever o livro que o vai tirar da miséria, que o vai libertar de patrões…Desculpas, mais de vinte dias a consumir de modo intensivo…Escorre-lhe suor do corpo magro, branco, magro sem fragilidades, branco sujo da vida.&lt;br /&gt;Acordou, os olhos mantêm-se fechados, primeiro só os ouvidos, o emaranhado sonoro, o fio por onde lhe pega, na agulha, na cabeça, a ambulância ao longe, os miúdos na rua, o autocarro que arranca, o trinco da porta da escada…Também ladram, os cães da vizinha…&lt;br /&gt;Já tem todos os sons, agora sim pode abrir os olhos, um de cada vez, devagar…O corpo ainda não se mexeu…Quando o fizer vai pegar no copo e vai reparar que está vazio, vai enche-lo com a garrafa meio cheia, meio vazia, verificar do stock…Só depois a casa de banho, o cigarro sem filtro que vai enrolar à mão, o saquinho de pó branco…Está a ficar vazio…Como a conta bancária…Está quase o fim do mês…&lt;br /&gt;Ainda usa máquina de escrever, como o Paul Auster, só que não houve nenhum artista a querer pintá-la, nem ele que também se julga pintor. Também a máquina está arrumada, alinhada com a mesa, alinhada com uma resma de folhas escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(I Parte, tem continuação)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-4174119209523076593?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/4174119209523076593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=4174119209523076593&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4174119209523076593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4174119209523076593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/06/o-que-me-ficou-depois-de-ter-escrito.html' title='O que me ficou depois de ter escrito'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8051508139363260314</id><published>2007-05-30T16:52:00.000+01:00</published><updated>2007-05-30T16:59:12.320+01:00</updated><title type='text'>Foi hoje! Podia ter sido outro dia...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Manifesto de intenções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu prometo não inventar mais do que posso.&lt;br /&gt;Prometo também escrever…escrever sobre tudo…sobretudo o que não conseguir esconder.&lt;br /&gt;Não tenho pretensões moralistas, nem acredito que alguém precise delas.&lt;br /&gt;Sou novo da idade, de que me quero, sou velho da idade que já tive…E acrescento…&lt;br /&gt;Regulo os dias por horários.&lt;br /&gt;Regulo os dias pela pausas…Entre cada pausa um anseio…&lt;br /&gt;Não durmo enquanto falo.&lt;br /&gt;Nas escadas, se as desço, olho para os pés…Não é visível…&lt;br /&gt;Entristece-me o adeus definitivo, o abalar sem perspectivas.&lt;br /&gt;Não evito confrontos, mas preciso de razões.&lt;br /&gt;Por elas vou lutar todos os dias.&lt;br /&gt;Na indignação, no desencanto vou encontrar motivos para viver.&lt;br /&gt;Prometo não me esquecer.&lt;br /&gt;Vou-me lembrar de ti e de todos os que estiveram comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Greve Geral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo estas linhas sem ter ouvido a comunicação social. Levantei-me cedo e fui andar de bicicleta, estou de folga. Havia tempo que eu não me sentia tão bem. Benditas sejam, a cremalheira, a corrente, todo aquele conjunto de engenhocas que me permite galgar distâncias, encontrar-me só com as minhas decisões…Parece fácil mas não é...Quando se pedala os caminhos que se escolhem pegam-se ao corpo, pagam-se com o corpo…É preciso saber quanto o corpo vale, fazer a gestão do seu valor…Também para a vida…Durasse a vida cento e oitenta minutos, o tempo de uma volta no campo…&lt;br /&gt;Não estou em greve, estou de folga. Chateia-me não ter sido posto à prova, aferir do meu inconformismo. Nada a fazer, se tenho dúvidas com elas vou ter de ficar. De qualquer maneira é a primeira vez que, enquanto trabalhador sindicalizado, não faço greve.&lt;br /&gt;Não sei se foi um êxito ou um fracasso, da minha experiência estas coisas não se medem como no futebol…”Quem ganhou?”, “O Governo, três zero!”, ou, “O Sindicato, dois a um!”, ou ainda, “Empataram a zero!”, são outras as questões. Estamos ou não treinados para ver esta coisa das greves como coisas de comunistas? O que é ser comunista? Quantos de nós leram Marx ou Lenine? Confesso que li pouco.&lt;br /&gt;Percebo no entanto o sonho dos incógnitos, a necessidade de justiça de quem não se evidenciou, obviamente e por definição, a grande maioria.&lt;br /&gt;Entendo a greve como uma medida de protesto, um medir forças com o poder, com todas as consequências que possam devir desse facto. Assusta-me a represália, o despedimento, a exclusão social dos desempregados, a culpa do insucesso, a culpa é nossa! De quem mais haveria de ser?&lt;br /&gt;Hoje, dia trinta de Maio de dois mil e sete, houve com certeza gente corajosa, gente que fez por nós o que gostaríamos de ter feito…Mas não fizemos…Quando nos falta a coragem tão fáceis são as desculpas…Não interessa se são comunistas, istas…Interessa saber se acreditamos no caminho ou se estamos lá apenas por que nos falta a garra, medo de acreditar que haja outras soluções.&lt;br /&gt;Amanhã tudo voltará à normalidade. De alguma forma vamos esquecer isto tudo e trabalhar para os novos impostos…”Sim! A electricidade é mais barata em Espanha.”, “Os professores na Escócia ganham três mil e seiscentos euros.”, “Sim, fomos mal governados e por esse motivo estamos a pagar mais que os outros…Isto não era preciso sermos Espanhóis, bastava-nos um Rei, ou talvez Salazar…Quem sabe…”.&lt;br /&gt;Perdeu-se a culpa, na curta memória do último fim de semana já não se sabe quem lixou isto tudo. Foi Salazar, foi a democracia, os anos comunistas do PREC, os anos socialistas, a AD, o PSD, o PS, novamente o PSD agora com o CDS, novamente o PS…Talvez os Portugueses…Em última análise esses serão os culpados…Sim! A maioria de nós vai pagar por isso.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8051508139363260314?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8051508139363260314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8051508139363260314&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8051508139363260314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8051508139363260314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/05/foi-hoje-podia-ter-sido-outro-dia.html' title='Foi hoje! Podia ter sido outro dia...'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5949509261317075140</id><published>2007-05-26T00:21:00.000+01:00</published><updated>2007-05-26T00:25:12.071+01:00</updated><title type='text'>Para além do Tejo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Espelho, espelho meu, existe alguém mais burro que eu?&lt;br /&gt;Eu nasci para ser cão, não um burro! Cabrão de espelho…Que teimosia em duplicar-me com orelhas grandes, espetadas, olhos grandes, negros, estúpidos.&lt;br /&gt;Costumo ladrar desencontrado com os outros, para me ouvir, para afinar o meu gemer canino, fazer-me de cão. São cascos senhora, são cascos, as extremidades que me unem ao chão e embora eu esteja convencido de que estou a uivar, será a voz de um burro o que de mim sairá…Eu até já estou habituado à ideia, desiludido mas habituado, acomodado.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje é o deserto, alguém que me alerta, “Vives num deserto, não tens hospitais, não tens escolas, universidades, comércio, pessoas…Não existes e assim vais continuar, nómada da minha indiferença”. Obrigado Sr. Ministro, agradeço-lhe pelo que tenho de mais sagrado, a sua falta de atenção, a sua insensibilidade, a sua falta de educação. O que somos nós a Sul do Tejo, aquele terço de Portugal que se estende até ás praias do Algarve onde tudo muda?&lt;br /&gt;O Sr. Doutor Almeida Santos é peremptório, venham os terroristas, destroem-se as pontes e pimba, toda a segurança nacional fica ameaçada…Ou Ota ou morte!&lt;br /&gt;Espelho, espelho meu existe alguém mais camelo que eu?&lt;br /&gt;Não tenho particular apreço por aeroportos e aprecio o esforço dos responsáveis governativos por me confundirem com a paisagem, sou apenas aquela coisa à beira da auto-estrada ou por detrás da colina…Lá mais dentro no planalto ou do outro lado, para junto do Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;O engano, a inconveniência, o deslize, o fugir a boca para a verdade. Desta vez não me posso queixar, são eles próprios que o dizem, país pobre, de baixos salários, que precisa de flexibilizar-se…E tanto que nós temos sido flexíveis…&lt;br /&gt;Há quem diga que estes momentos de reflexão, em que são apanhados os nossos ministros, são perfeitamente normais. Pela minha parte considero-os úteis, quase as anotações de Napoleão no “O Príncipe” de Maquiavel. Aprende-se muito nas entrelinhas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu que nasci para ser cão acabar assim, burro de burrice inteira, asno assumido, instrumento de carga de mercadoria desconhecida.&lt;br /&gt;Também já me explicaram que não é obrigatório o crescimento económico ter reflexos na vida da maioria dos cidadãos, que o serviço nacional de saúde foi sabotado por terroristas internacionais, os mesmos das pontes sobre o Tejo (eles andam ai!...) e que a sua reconstrução vai ter a minha contribuição, se entretanto não me despedirem, ou dispensarem, ou desligarem…Parvoíce…Eu sou um burro e os burros não se desligam…Abatem-se!&lt;br /&gt;É isso mesmo! Sinto-me como um burro…A presidência europeia, a presidência da rosa, as pétalas simbolizando os países da união sobre o azul do mar…&lt;br /&gt;E eu burro com pretensões a cão, ladrando, zurrando…Acudi ao paço Real que matam o burro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o comentário da semana pelo inventado repórter Paulo Guerreiro, enviado especial no deserto para além do Tejo.&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5949509261317075140?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5949509261317075140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5949509261317075140&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5949509261317075140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5949509261317075140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/05/para-alm-do-tejo.html' title='Para além do Tejo'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3639577380178867993</id><published>2007-05-16T01:05:00.000+01:00</published><updated>2007-05-17T17:22:36.671+01:00</updated><title type='text'>E se tudo não passasse de um sonho?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RkpMaPjWLjI/AAAAAAAAACg/H348OhnUUNM/s1600-h/igreja.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064944744666639922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RkpMaPjWLjI/AAAAAAAAACg/H348OhnUUNM/s400/igreja.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na Paróquia tudo está calmo. O Padre Miguel parou o carro no parque. O parque está vazio como sempre se encontra à hora da sesta. Deixou-se ficar sentado, de mãos agarradas ao volante, o motor ainda a trabalhar. Na rádio as notícias das duas terminaram. O locutor anunciava agora que o programa iria continuar com música. Tirou a chave da ignição com o intuito de eliminar ruídos. Os sinais luminosos no painel de instrumentos desapareceram, desapareceu também a indicação que o avisava da necessidade de encher o depósito. Levou a mão ao bolso à procura da carteira, quarenta euros em notas de dez e um papel de Multibanco evidenciando um saldo diminuto, maldito ordenado que mal chega…Dinheiro divino mas curto. Saiu do carro e fechou a porta com cuidado, procurou no comando o botão do fecho centralizado e activou-o. Ouviu o ruído automático das trancas. Deixou que o olhar acariciasse a viatura comprada em segunda mão, um Seat Leon em muito bom estado, um favor ao Sr. Padre. Nunca um objecto lhe tinha dado tanto prazer…&lt;br /&gt;Junto ao passeio que cercava o parque, encontravam-se flores cuidadosamente plantadas pelos jardineiros da autarquia. Agora, na primavera, e depois da poda que as fez rejuvenescerem, perfumavam o ar e coloriam a atmosfera. Sentiu-se tentado a colher uma, que diria a dona Rosa se o visse de flor na mão, será que perceberia a nostalgia do gesto, a alegria infantil, a libertação da mente em relação aos dogmas, a atitude simples de um homem que também foi criança, ou antes acharia o acto despropositado, estragar assim o jardim da igreja, logo o Sr. Padre, “Olhe lá Padre Miguel, o senhor sente-se bem?”.&lt;br /&gt;Se a dona Rosa estivesse lá para o questionar e se ele tivesse colhido a flor poderia responder-lhe que sim, que o cheiro daquela flor na sua mão lhe tinha trazido um enorme conforto. Não a colheu e entrou triste no pequeno átrio que antecipava o local de oração. Benzeu-se num gesto automático que hoje não tinha significado de motivação, apenas respeito ensinado. Sentiu vontade de chorar, sentiu o peso dos seus cinquenta e dois anos de idade, trinta anos de paróquias, de jovens raparigas que o tentaram, de velhas que o enjoaram, benzeu-se novamente perante o pecado do pensamento, o lamento, já não tinha idade para dúvidas…&lt;br /&gt;…”-Faz-me o favor de um retorno certo. Eu espero, tu sabes que eu espero, sempre esperei…Amanhã? Porque não?!&lt;br /&gt;-Serás capaz de aguentar as minhas demoras? As indecisões próprias de quem não tem certezas?! Será o teu amor tão grande que roce a imbecilidade?&lt;br /&gt;-Dúvidas tu da minha capacidade para me anular, para te amar, incondicionalmente?....&lt;br /&gt;-Duvido que te dures eternamente escravo, escravo de mim que não quero ser tua dona.&lt;br /&gt;-Que provas te posso eu dar? De tudo eu desisto…Desisti…Resta-me a tua presença, as tuas palavras, o som delas materializando-te, o ter cheiro, tu…&lt;br /&gt;-Doentio esse amor que construíste. Não posso continuar a ser personagem nessa história, nunca poderei garantir um final feliz para a tua vida.&lt;br /&gt;-E quem pode?...&lt;br /&gt;-…Nem tão pouco a esperança que tal pudesse suceder.&lt;br /&gt;-Nunca te pedi isso, apenas que me deixes sonhar, sonhar este amor que não existe, se necessário morrer por ele…&lt;br /&gt;-Não sejas trágico, patético.&lt;br /&gt;-Não é necessária a ofensa.&lt;br /&gt;-Tu obrigas-me a ser assim. Eu não gosto de ser pressionada…Gostava de poder ser tua amiga…&lt;br /&gt;-Tu és minha amiga, a minha maior amiga…Terei culpa de amar a minha maior amiga.&lt;br /&gt;-Não terás culpa do amor mas por ele a amizade pode ser destruída…Se não o foi já…”&lt;br /&gt;Sim…Nessa altura teve dúvidas…Não tivesse havido a recusa e a vida teria sido diferente…Qual o problema da idade, o que são quinze anos quando se ama…Ele dezassete, ela trinta e dois, madura de dois filhos e três relações frustradas…&lt;br /&gt;A quem se confessa um Padre?&lt;br /&gt;O Padre Miguel não vai ouvir confissões, hoje não é dia para essa tarefa, penosa tarefa de ouvir os outros pecarem por ele, pecados pequenos, outros maiores, mas nunca de mortes ouviu testemunho.&lt;br /&gt;Miguel hoje não se sente Padre…Sente-se criança, com saudades da terra, o cheiro lembrado que faz chorar, o cheiro que nos guia quando a vista nos engana…&lt;br /&gt;Sentou-se na primeira fila, defronte ao altar, à Cruz, Cristo que não está lá mas se pressupõe…Que interessa se existiu…A história existe e é Linda, Bela, Pura, o limar dos Evangelhos na unificação factual, o clímax da virtude e do sacrifício, a declaração carnal da existência do Supremo, do Divino…&lt;br /&gt;Quantas vezes falou em seu nome?...&lt;br /&gt;“De que falei eu?...E se tudo não passasse de um sonho?...De quem este corpo que eu comi, este sangue que eu bebi, esta memória que não me deixa fugir?....”&lt;br /&gt;Na pia santa a água benta convida-o à penitência…Penitência…&lt;br /&gt;…Ainda tem o número da irmã…Penitência…&lt;br /&gt;O Miguel não vai ser Padre esta noite…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3639577380178867993?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3639577380178867993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3639577380178867993&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3639577380178867993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3639577380178867993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/05/e-se-tudo-no-passasse-de-um-sonho.html' title='E se tudo não passasse de um sonho?'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RkpMaPjWLjI/AAAAAAAAACg/H348OhnUUNM/s72-c/igreja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7040098419562562966</id><published>2007-05-07T01:09:00.000+01:00</published><updated>2007-05-07T01:18:19.238+01:00</updated><title type='text'>Declaração</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rj5vdtYuUJI/AAAAAAAAACY/9fvEyAA1ikM/s1600-h/DSC01885.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061605587401199762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rj5vdtYuUJI/AAAAAAAAACY/9fvEyAA1ikM/s320/DSC01885.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Por detrás o sol nasce cinzento&lt;br /&gt;Reflexo polido&lt;br /&gt;Esfera afagada.&lt;br /&gt;Por fora o brilho que ofusca&lt;br /&gt;A luz que não mostra&lt;br /&gt;Contorno apagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho o contorno na mão&lt;br /&gt;No papel que o lápis suja&lt;br /&gt;No meu dedo na areia&lt;br /&gt;Na projecção da minha sombra&lt;br /&gt;Na assinatura do poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresce&lt;br /&gt;Criança velha&lt;br /&gt;Da vida&lt;br /&gt;Cresce&lt;br /&gt;No sentido decrescente&lt;br /&gt;No lugar poente&lt;br /&gt;Para onde tudo cresce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresce e perdoa-te&lt;br /&gt;Porque crescer é pecado para ser perdoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol que nasce mudou de cor&lt;br /&gt;Cinzento sou eu se não a souber&lt;br /&gt;Olhando para ti&lt;br /&gt;Minha flor&lt;br /&gt;Meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca-me ao de leve&lt;br /&gt;Leva de mim um bocado&lt;br /&gt;Deixa de ti o que puderes&lt;br /&gt;Para eu poder tocar-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vi a cabeça de um passarinho&lt;br /&gt;Morto&lt;br /&gt;Na primavera da minha rua&lt;br /&gt;Na distância da árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi ele&lt;br /&gt;Não fui eu&lt;br /&gt;E eu estou feliz por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou poder chegar a casa&lt;br /&gt;E dizer que te amo.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7040098419562562966?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7040098419562562966/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7040098419562562966&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7040098419562562966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7040098419562562966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/05/declarao.html' title='Declaração'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rj5vdtYuUJI/AAAAAAAAACY/9fvEyAA1ikM/s72-c/DSC01885.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5528752964046354573</id><published>2007-05-03T15:23:00.000+01:00</published><updated>2007-05-03T15:36:29.731+01:00</updated><title type='text'>Fim de Semana</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RjnyLdYuUII/AAAAAAAAACQ/zizDuFm0pE8/s1600-h/Barragem+de+Odivelas+(ProduÃ§Ã£o2).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060341935008272514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RjnyLdYuUII/AAAAAAAAACQ/zizDuFm0pE8/s400/Barragem+de+Odivelas+(Produ%C3%A7%C3%A3o2).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; Teatro de sombras, ao Sul&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rjnw4dYuUGI/AAAAAAAAACA/LhbpqyVgzY8/s1600-h/Barragem+de+Odivelas+(ProduÃ§Ã£o).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060340509079130210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rjnw4dYuUGI/AAAAAAAAACA/LhbpqyVgzY8/s400/Barragem+de+Odivelas+(Produ%C3%A7%C3%A3o).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Barragem, prisão de água&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RjnxcdYuUHI/AAAAAAAAACI/chkRpxq-o6c/s1600-h/Barragem+de+Odivelas+(ProduÃ§Ã£o3).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060341127554420850" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RjnxcdYuUHI/AAAAAAAAACI/chkRpxq-o6c/s400/Barragem+de+Odivelas+(Produ%C3%A7%C3%A3o3).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Alentejo Vermelho, sonho ou alucinação?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(fotografias editadas pelo autor, barragem de Odivelas, Baixo Alentejo)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5528752964046354573?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5528752964046354573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5528752964046354573&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5528752964046354573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5528752964046354573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/05/fim-de-semana.html' title='Fim de Semana'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RjnyLdYuUII/AAAAAAAAACQ/zizDuFm0pE8/s72-c/Barragem+de+Odivelas+(Produ%C3%A7%C3%A3o2).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-580274838676882091</id><published>2007-04-30T15:23:00.000+01:00</published><updated>2007-04-30T15:24:15.672+01:00</updated><title type='text'>Feriado vivo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Do dia vinte cinco de Abril tenho várias lembranças. A primeira das primeiras veio com a experiência festiva dos meus pais. Festejavam nesse dia o casamento, união acordada, paixão confessa em meados de sessenta. Aprendi o dia e entreguei-lhe um significado que durou até mil novecentos e setenta e quatro. No dia vinte cinco de Abril desse ano acrescentei-lhe outro. Tanto que esse dia me deu…Tanto que falar, que ouvir, histórias que todos tinham medo de contar. Todo eu sou depois, filho da liberdade. Só depois percebi a busca em minha casa, o meu pai indo embora, a minha mãe a chorar.&lt;br /&gt;Dias atrás tentei escrever qualquer coisa sobre o assunto mas não fui capaz, faltaram-me as palavras para explicar. Indignação, talvez… Por feliz coincidência comprei o jornal “Público”, edição de vinte e oito de Abril de dois mil e sete, ano XVIII, nº 6238, e na página 45 deparei com o seguinte artigo, “Feriados vivos e mortos” escrito pelo José Pacheco Pereira. Este ano gostaria de ter escrito esse texto…”O vinte cinco de Abril é um dos poucos feriados vivos que ainda existem”, palavras que antecedem o título…”A manifestação popular do vinte cinco de Abril é uma não-entidade, um caso curioso de como uma coisa que existe não existe nem para os media, nem para a mecânica da opinião pública e publicada”…Palavras chocantes sem dúvida…Mas que dizer das comemorações do dia da Restauração, que dirão aqueles que desejam ser espanhóis nesse dia feriado, e que dirão os monárquicos no dia da implantação da Republica, mas quem se lembra?...Serão esses feriados vivos? Soubéssemos nós da nossa história e lembraríamos com menos asfalto e frenesim consumista esses dias.&lt;br /&gt;Termina José Pacheco Pereira o artigo com as seguintes palavras, “Resta pois o único feriado vivo de carácter histórico e cívico, o 25 de Abril, porque continua controverso e divisor, politicamente pouco neutro e mexendo com a paixão ou repulsa das pessoas que o viveram e que ainda são muitas. Mas como em tudo, é só esperar que o tempo o mate. A entropia fará o serviço de reduzir o 25 de Abril ao 5 de Outubro, como reduziu o 5 de Outubro ao 10 De Junho e o 1º de Dezembro a nada. Ficou alguma coisa?...”. A esta pergunta o autor do texto responde, “Ficou e muita, mas perderá a data como referência e ainda bem, porque significa que teve sucesso depois de estarmos todos mortos.”. Pensei muito nisto… não seria desta maneira que finalizaria o artigo…Que ficou alguma coisa ficou! Se vai ficar depende do que ensinarmos aos mais novos…Mesmos depois de mortos…&lt;br /&gt;Como também diz Pacheco Pereira “…A liberdade, algo tão abstracto porque felizmente ainda existe como o ar que se respira, ou seja, não se dá por ela a não ser quando não se tem.”.&lt;br /&gt;Não sou do Partido Popular Democrático, que perdeu o Partido Popular para o Centro Democrático social e se tornou Social Democrata, ou do Partido socialista que substituiu o punho em fundo vermelho pela rosa, ou do Partido Comunista tornado CDU, talvez não seja de nada, talvez seja parvo…O que sei é que enquanto viver vou agradecer todos os dias aos capitães de Abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: O Texto do Pacheco merece ser lido…O Social-democrata mais comunista que eu conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VINTE CINCO DE ABRIL SEMPRE&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-580274838676882091?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/580274838676882091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=580274838676882091&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/580274838676882091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/580274838676882091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/04/feriado-vivo.html' title='Feriado vivo'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-621207658843454907</id><published>2007-04-20T10:39:00.000+01:00</published><updated>2007-04-20T10:40:23.865+01:00</updated><title type='text'>A Lagoa X (Finalmente o fim)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Difícil foi a tarefa de identificação. Por entre gritos e insultos lá conseguiram o nome de toda a gente. Alguns, conhecidos, apelavam a esse facto para obterem tratamento especial. As circunstâncias não o permitiam e esse apelo foi ignorado. Finalmente, presos os treze homens, puderam os guardas concentrar-se no pinhal e na lagoa.&lt;br /&gt;Para fazer cumprir a interdição do acesso a esses locais foi deslocada a polícia de intervenção, agora que a situação no hospital estava sanada. Com os efectivos todos na rua, a GNR sentia-se impotente perante a onda de violência que se deslocou para a cidade. Dizia-se que havia mais mortos no pinhal e que as autoridades queriam ocultar a questão. Na verdade, por entre o mato, haviam mais dois cadáveres, mas as autoridades não tinham disso conhecimento, são um aproveitamento da situação. Quem provocou estas mortes quis misturar intenções, dispersar culpas, livrar-se de alguém incómodo.&lt;br /&gt;Desconhecem-se as causas que levaram as águas da lagoa a mudar de cor. Sabe-se que os peixes morreram e as plantas apodreceram deixando por cima da água um cheiro azedo de decomposição.&lt;br /&gt;Também o pinhal mudou de cor. Com o avançar da tarde levantou-se vento forte e aumentou o calor. Passavam trinta minutos das três horas. O fogo apareceu do lado do mar, do lado menos guardado, rapidamente consumiu os pinheiros.&lt;br /&gt;Foram estas cores, estes tons de vermelho, que fizeram parar a violência humana. De todos os lados convergia gente e uma enorme multidão se juntou em silêncio à beira da via rápida. Do outro lado o fogo, entre eles a polícia de intervenção que lá ficara com a incumbência de vedar acessos. Acessos que pelos vistos não vedou. Embora habituados a estas andanças, alguns dos rostos destes homens, geralmente duros e insensíveis, mostravam uma perturbação anormal.&lt;br /&gt;Pedro e Alice tinham ficado na cidade e procuravam acalmar dois grupos que se tinham envolvido em confrontos na paragem dos Expressos. A coisa não estava fácil, as pessoas facilmente se dispersavam recomeçando as escaramuças algumas dezenas de metros depois. As ruas largas e o terreno aberto não ajudavam a conter tanta gente e eles eram só dez. Fez mais o cheiro a queimado do que os seus esforços, na luta desigual que travavam. Os confrontos acabaram subitamente e as pessoas, como autómatos, dirigiram-se para o pinhal e para a lagoa. Pedro e Alice pediram novas instruções perante esta nova situação. Não tinham efectuado detenções e os feridos, se os havia, tinham desaparecido arrastados pelos desertores, pela forte ventania sem direcção definida.&lt;br /&gt;Pedro vai saber da mulher, do filho mais novo, Alice vai com ele. Os outros guardas seguem em direcção ao inferno.&lt;br /&gt;Ouvem-se as sirenes dos bombeiros. Momentaneamente cercado pela lagoa e pelo mar, o fogo investe violentamente contra a via rápida e desagua pelo lado sul por onde o pinhal se prolonga até aos viveiros, até ao tratamento de águas, até à rotunda.&lt;br /&gt;Dos dois corpos que lá se encontram só o carvão é testemunha da sua presença, talvez os especialistas consigam descobrir identidades.&lt;br /&gt;Na lagoa o peixe que veio à superfície para morrer, jaz boiando junto às margens. Também as enguias e os lagostins lhe fazem companhia, fauna morta, feita fronteira entre a terra e a água. Vermelha, a água reflecte o vermelho do fogo. Do pinhal, nuvens negras de fumo, rodopiam em pequenos tornados. O calor é insuportável e o vento decide empurrar as chamas de encontro ao asfalto. São as faúlhas que o atravessam pegando fogo ao mato rasteiro do outro lado, do lado da cidade, na periferia sul.&lt;br /&gt;Acossados pelo fogo os polícias de intervenção empurraram a multidão. A princípio estupefacta, a mole humana dispersou em direcção à cidade. Pequenos grupos de corajosos cidadãos organizaram-se junto às primeiras habitações decididos a defendê-las.&lt;br /&gt;Mas depois de atravessada a via rápida as primeiras casas tornaram-se cordeiros dispostos ao sacrifício. Vê-se gente acorrer num atropelo de urgência, na defesa dos seus lares.&lt;br /&gt;Sem razão para estarem presentes, os elementos da polícia de intervenção foram desmobilizados. Corporações de bombeiros das povoações vizinhas apareciam de todos os lados. A coordenação era difícil e ainda se encontrava muita gente nas ruas.&lt;br /&gt;Travado no lado sul pela rotunda e pela colaboração dos trabalhadores de duas fábricas perto do local, o fogo ocupava-se agora a queimar as casas na orla da cidade. Mesmo com os meios dispersos os soldados da paz tentaram salvar as habitações que ainda não tinham ardido. Entretanto, no lado norte, mesmo junto à lagoa, o lume encontrara uma pequena passagem de mato entre as águas e a estrada ameaçando várias pequenas quintas ao longo da costa. Libertara-se o inferno e este tudo consumia.&lt;br /&gt;Desesperados, antigos rivais, lutavam lado a lado na tentativa de travar a destruição. Tivesse esta união vindo mais cedo…..&lt;br /&gt;De como tudo recomeçou passados tantos anos há-de ficar um mistério para as autoridades e para a população. Eu, no entanto, sou o narrador e tenho por obrigação saber mais, e do que sei vou-vos contar. Sei que as duas crianças foram mortas por vingança, vingança do Rafael. O Rafael que não resistiu às insinuações do caseiro, pai das meninas, e que frequentava a sua filha lá para os lados da rotunda. Ele sabia o que custava ter perdido uma filha…O outro havia de perder as duas…Não abusou delas, não era essa a intenção, destruiu-as por dentro apenas para camuflar o crime. Nessa mesma noite, no café do Aníbal, encontraram-se os dois e numa troca de olhares o caseiro percebeu quem o tinha feito. A espera foi feita nessa mesma noite, a asfixia foi rápida, também ai a destruição interna do cadáver foi pormenor de encobrimento, pormenor que não teve com Dona Inês que sabia o que Rafael tinha feito e foi à casa do caseiro para lhe contar. Este matou-a com uma faca e com a ajuda da mulher deixou-a junto à lagoa.&lt;br /&gt;A verdade destas mortes ficou selada quando o casal sucumbiu perante o fogo. Na tentativa de salvarem a sua pequena quinta deixaram-se cercar e morreram carbonizados….&lt;br /&gt;As outras mortes foram fruto da situação, assim como os conflitos e ódios que germinaram entre a população.&lt;br /&gt;Ficam duas perguntas…E o fogo no pinhal? E a água envenenada? Terá sido castigo divino?&lt;br /&gt;Talvez as respostas estejam no empreendimento turístico que vai ser construído no local onde existia o pinhal…Junto à lagoa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim  &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-621207658843454907?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/621207658843454907/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=621207658843454907&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/621207658843454907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/621207658843454907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/04/lagoa-x-finalmente-o-fim.html' title='A Lagoa X (Finalmente o fim)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3278391927405127203</id><published>2007-04-12T03:31:00.000+01:00</published><updated>2007-04-12T03:46:47.608+01:00</updated><title type='text'>Três pequenos textos sobre a vida… Sem nexo…</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rh2aa5rudOI/AAAAAAAAAAs/Wkua19J0GTw/s1600-h/z3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052364143931061474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rh2aa5rudOI/AAAAAAAAAAs/Wkua19J0GTw/s400/z3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;De faca na mão à procura do destino risquei todos os carros que encontrei no caminho da estação, carros grandes e pequenos, de cores híbridas, disfarçadas pela noite. Faca de cozinha com vinte centímetros de lâmina, os alarmes tocando nas pressões maiores, nas penetrações profundas. Pessoas à janela e a faca que desaparece no blusão de ganga e o blusão de ganga desvanecendo-se no fundo da rua, tal como os carros todo ele híbrido na cor. As montras apelativas e as marcas nas montras, as marcas de gordura do meu nariz no vidro fabricado vitrina, procurando tocar nas outras marcas. A polícia que passa depressa, o desinteresse despercebido, figura diluída, alguém que grita “Foi ele!!!”, demasiado tarde…O movimento do corpo deixa cair a faca que volta a riscar na rua seguinte. Um casal em silêncio, olhos nos olhos com a loucura, o branco demasiado branco, dois círculos pretos, aberturas escuras, buracos negros desesperando por luz. O casal que é sombra, tudo é sombra, também eu sou sombra no meio de sombras. A estação está guardada, por guardas, por sistemas de vigilância, por silhuetas suspeitas que me fazem recuar, o recuo físico da lâmina no avanço do resto do corpo que atravessa o átrio rumo a nenhures…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052364745226482930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rh2a95rudPI/AAAAAAAAAA0/D-RZudYXfw4/s400/z2.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Inventei margens junto ao rio, só para ir de uma à outra. Não construí pontes nem jangadas, mergulhei nas águas, ontem revoltas, hoje paradas. Nadei até me cansar e quando me cansei nadei mais…Tenho lama e lodo nas mãos, marcas de quem esgravatou para subir. Nas unhas sujas bocados das margens que alcancei. Percorri terrenos alagados onde enterrei os meus pés, fossem eles de barro e teria lá ficado. Tenho sede dos pântanos, dos mosquitos e suas bombas de sucção, motores insaciáveis na imensidão do meu sangue. Cortei canas por apelo, por amor à vara verde. Soubesse eu tocar e teria feito uma flauta. Das varas fiz bordões que levaram os meus passos, passos que me levaram…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052365144658441474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rh2bVJrudQI/AAAAAAAAAA8/tlTlC2I6NfQ/s400/z1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Hoje jantei junto à televisão. Ligada que estava informou-me das coisas, coisas importantes. Disse-me de cursos de ministros, de professores de ministros, executores de politicas, da existência de um título que os defina, lhes dê importância. Falou-me de outros que não são ministros mas desejam ser ministros, da sua indignação perante a falta de confirmação das valências do que entre todos é o primeiro. Explicou-me que no ecrã as pessoas tornam-se mais pessoas, que entre filhos abandonados existem uns mais abandonados que outros, com pais mas sem pais adoptivos presos, sem o apoio da nossa opinião. Fez-me acreditar que precisamos de mais um aeroporto, porque três é a conta que Deus fez, porque sim, porque mesmo sem dinheiro podemos fazer romarias nesses locais de culto, olhar o progresso e sentirmo-nos nele. Convenceu-me que na agricultura os problemas são os agricultores, que não souberam semear o dinheiro que receberam, fadado que estava ao crescimento, desperdício de boa vontade. Explicou-me que lá fora acreditam no caminho que seguimos mesmo que nós não saibamos qual é, tudo uma questão de fé. Mostrou-me que na assembleia também existem seres humanos com virtudes humanas e defeitos humanos (Um abraço à Odete pela sua maneira honesta de ser, mesmo quando é inconveniente…Vou sentir falta), que também se vão embora com mais de vinte cinco anos de trabalho e possivelmente sem entrada directa numa das grandes empresas sedentas de assessores, paciência…Contou-me a história de um parto numa ambulância, no Alentejo, a mim que não sei de ambulâncias mas sei o que é levar uma mulher a parir, a cem quilómetros de distância do local de residência, noite passada numa pensão, “Ainda não é hoje, o melhor é ir-se embora e vir amanhã.”, eu que não fui, que a deixei lá para ir dormir num quarto de aluguer, “Pode vir que vai nascer.”, sete horas da manhã, “Tenho tempo para pagar?...”, passaram-se mais de seis anos e esta já era a realidade, mesmo quando fizemos um cordão humano e a ministra da saúde, Maria? De Belém? Que nome mais apropriado, nos disse que tínhamos de foder mais, não nascíamos em número suficiente….Poderemos nós morrer em número suficiente para garantir as reformas?&lt;br /&gt;Passaram sete horas desde que abandonei o ecrã amigo. Depois disso fiz o resto do serviço, desliguei equipamentos e luzes, fechei portas, entreguei chaves vim para casa e estou a escrever (Decididamente a hora não ajuda). Apeteceu-me desabafar…Os textos ainda não estão publicados mas é esse o seu destino…Hoje, ao fim de uma semana sem me ligar ao mundo deixo aqui o meu testemunho. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3278391927405127203?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3278391927405127203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3278391927405127203&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3278391927405127203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3278391927405127203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/04/de-faca-na-mo-procura-do-destino.html' title='Três pequenos textos sobre a vida… Sem nexo…'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rh2aa5rudOI/AAAAAAAAAAs/Wkua19J0GTw/s72-c/z3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2551628077611118118</id><published>2007-04-04T16:11:00.000+01:00</published><updated>2007-04-04T19:06:53.653+01:00</updated><title type='text'>A Morte é...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A morte é vida camuflada,&lt;br /&gt;Uma alma desnivelada,&lt;br /&gt;A luz invisível de uma vela,&lt;br /&gt;O choro de alguém a uma janela,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lenço preto estendido numa corda,&lt;br /&gt;O sono de alguém que não acorda,&lt;br /&gt;Um monte de terra e uma cruz,&lt;br /&gt;O brilho de ouro que não reluz,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ajuda que nunca vem,&lt;br /&gt;Um lamento vindo do além,&lt;br /&gt;Um charco de água gelada,&lt;br /&gt;Uma conversa cortada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vida que desaparece,&lt;br /&gt;O meu olhar que não te esquece,&lt;br /&gt;O teu seio, o teu calor,&lt;br /&gt;A recordação de te perder, a dor.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vinte anos se passaram, foi em Março de 1987 que me deixaste.&lt;br /&gt;Para ti esta adaptação (o original era bem mais duro...O tempo suavizou a tua falta mas não a anulou)…Um beijo do teu filho Paulo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(À memória da minha MÃE)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2551628077611118118?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2551628077611118118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2551628077611118118&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2551628077611118118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2551628077611118118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/04/morte.html' title='A Morte é...'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5030052908096487950</id><published>2007-04-02T19:34:00.000+01:00</published><updated>2007-04-18T21:20:52.029+01:00</updated><title type='text'>A Lagoa IX</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Grandes foram as discussões e trocaram-se palavras azedas, pouco dignas de tão distintos intervenientes. Havia quem quisesse cortar o mal pela raiz, lotear, vender, ganhava-se dinheiro e acabava-se com a insegurança. Do outro lado a crença, o respeito pelo local.&lt;br /&gt;Por falta de consenso aceitou-se a interdição temporária dos dois locais, vigilância apertada. A falta de meios dificultava esta opção mas o responsável a quem caberia a tarefa garantiu-a. Como sempre seriam os peões a pagar a factura neste jogo de xadrez. Mas os acontecimentos precipitavam-se, os ânimos estavam exaltados e enquanto estas decisões eram ponderadas, perto do pinhal, várias pessoas confrontavam-se violentamente. Conta quem esteve presente que o ódio prevaleceu durante a contenda e além de vários feridos graves encontravam-se duas pessoas mortas. Ainda a reunião não tinha terminado quando as noticias chegaram. O isolamento da área tornou-se urgente e todos os meios foram convocados. Também a polícia de intervenção foi chamada como forma de acalmar os vários grupos que se formaram nas imediações do local. No Hospital para onde tinham sido levados os feridos, acompanhantes rivais envolveram-se em confrontos. Pacientes desprevenidos foram agredidos, enfermeiras, bombeiros, pessoal da segurança e forças policiais corriam em todas as direcções sem conseguir travar os tumultos. Ouviram-se tiros e no meio da confusão um maqueiro foi atingido. A situação só ficou controlada quando chegaram as duas carrinhas da polícia de intervenção, deslocadas que foram, à pressa, do seu destino original. Pedro e Alice ainda dormiam, mas por pouco tempo. Quem acordou o Pedro foi Afonso que tinha ido almoçar a casa. Chegara excitadíssimo, comendo as palavras enquanto contava o que sabia ao pai. Alice acordou com o telefone, monótono chamamento que ela custou a interpretar, primeiro lá no fundo, primitivo chamamento dos sentidos, sem identificação e sem urgência, depois mais próximo, estou aqui, ouve-me Alice, acorda, alguém precisa de ti. Pedro telefonou à mulher, professora primária na escola P2, perto do pinhal. Por lá tudo bem. Do Hugo sabia-o em Lisboa, numa visita de estudo, por via das dúvidas também lhe telefonou, “Acordaste tão cedo para me telefonar?”, “Foi a tua mãe que me pediu…”, “Pai, não sabes mentir.”, “Precisava de te saber bem…As coisa aqui estão complicadas…”, “As seitas?!”, “Sim…Não sei bem mas penso que sim. Possivelmente vou ser chamado. Quando voltares telefona-me.”, “Não te preocupes.”, “Promete-me que esta noite não sais de casa.”, “Eu depois telefono-te, um beijo…”, a ligação interrompida, teria de ser a Gabriela a cuidar deste caso.&lt;br /&gt;Encontraram-se no posto, quase vazio. As ordens eram claras, dentro em pouco começariam a chegar pessoas para ser identificadas, “Quantos?”, “Ninguém sabe ao certo mas parece que esta merda vai ficar cheia.”, “E onde é que os metemos?”, “Logo se vê…”. As celas estavam atafulhadas de papelada e a primeira coisa a fazer foi limpá-las, não no sentido de limpeza mas no sentido espacial da questão. Tanta porcaria que para ali havia…Eram três celas, em condições normais dariam para doze detidos a julgar pelos dois beliches que faziam parte do mobiliário de cada uma. No rádio do posto as noticias eram boas e más. No Hospital a situação estava controlada mas para os lados da Lagoa não havia gente suficiente e foram detectados vários grupos que se dirigiam nessa direcção. Para contrastar com os acontecimentos o tempo estava óptimo, sem nuvens, calor até demasiado tendo em conta a época e um sol que parecia indiferente à agitação humana, que tem ele com isso?...Também me parece!&lt;br /&gt;A primeira carrinha a chegar trazia treze pessoas, todos homens, algemados e cercados por guardas que mostravam ostensivamente as suas armas automáticas. Alguns dos presos traziam escoriações, algumas delas bastante feias. Do Hospital tinham vindo sem ser tratados, não fora esse o motivo que os levara lá. Percebia-se que não pertenciam todos ao mesmo grupo, os olhares de morte não enganavam, teriam isso em consideração quando os arrumassem nas celas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Continua mas está quase no fim....)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5030052908096487950?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5030052908096487950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5030052908096487950&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5030052908096487950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5030052908096487950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/04/lagoa-ix.html' title='A Lagoa IX'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-4561707438392223044</id><published>2007-04-01T18:30:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T18:37:47.083+01:00</updated><title type='text'>Jim Morrinson</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rg_s4LuJu_I/AAAAAAAAAAk/N_YWRtntrc4/s1600-h/Jim+Morrinson.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048514157268810738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rg_s4LuJu_I/AAAAAAAAAAk/N_YWRtntrc4/s400/Jim+Morrinson.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Influênciado pelo AD voltei a ouvir alguns dos meus discos de Doors, em vinyl...Enquanto os ouvia fui desenhando...O resultado está à vista...Não é brilhante mas é honesto.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Foi para mim uma das maiores referências musicais e não só...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Um abraço a todos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;P.S. Vejam isto como uma simples homenagem...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-4561707438392223044?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/4561707438392223044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=4561707438392223044&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4561707438392223044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4561707438392223044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/04/jim-morrinson.html' title='Jim Morrinson'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/Rg_s4LuJu_I/AAAAAAAAAAk/N_YWRtntrc4/s72-c/Jim+Morrinson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-4707589287051263587</id><published>2007-03-27T21:26:00.001+01:00</published><updated>2007-03-27T22:48:37.766+01:00</updated><title type='text'>Escolher o melhor</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Para ser justo acho que o canal “um” prestou um serviço público ao realizar este programa/concurso/escolha/seja lá o que lhe queiram chamar. Falou-se de Portugal, de Portugueses, realizaram-se documentários interessantes e fizeram-nos ler a História, a nossa História, pelo menos eu revisitei-a. Não quero entrar em polémicas sobre a originalidade, os critérios, a votação, o resultado, para mim interessa-me sobretudo o que nos foi fornecido em termos de informação irrevogável e comprovada ou no mínimo consensual.&lt;br /&gt;De Fernando Pessoa voltei a apaixonar-me, de Aristides fiquei a conhecer pormenores, de Camões a irreverência e a genialidade à época, antes dele dois iluminados, um Rei, acordou com os espanhóis a divisão do mundo conhecido, o outro Infante, via para além do mar. Houve quem neles acreditasse, caso do Vasco, outros que os cantaram, Camões, também Pessoa. Na origem o Henriques, o primeiro dos Afonsinos (Leiam o “Cavaleiro da Águia” de Fernando Campos, um romance em que se aprende muito) o mestre de diplomacia que convenceu os cruzados a fazer a guerra santa em Portugal, em Lisboa, na conquista. Mais tarde Pombal, a organização após a destruição, a organização do ensino, quase um plano de contingência.&lt;br /&gt;Chegamos ao século XX, povo gasto, de brilho baço, desse tempo escolhemos QUATRO, Pessoa, Aristides, Cunhal e Salazar, um sonhador, um moralista/humanista e dois antagonistas que ainda hoje nos atormentam.&lt;br /&gt;Dos resultados da votação percebe-se imediatamente que não temos memória, os três primeiros viveram no século vinte e os dois primeiros existiram em oposição (o segundo ao primeiro). Se olharmos para o facto de o primeiro ter perseguido os dois segundos apertamos ainda mais a malha da memória. Só esses três Portugueses arrecadaram mais de 70% dos votos. Para mim isto é um facto incrível mas que revela o que nos vai na alma. Ainda estamos divididos, por políticas, por clubes, por sei lá mais o quê, a tal ponto que deixamos de ser coerentes, independentes.&lt;br /&gt;Não votei, acho que não se pode votar a história, fiquei-me pelo conhecimento adquirido ou relembrado.&lt;br /&gt;É esse o agradecimento ao canal “um”, obrigado por cumprirem com a vossa obrigação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Poderão algumas pessoas estranhar a minha falta de indignação em relação ao primeiro lugar (isto é para ti Titá), mas não era esse o objectivo deste post. Li História e isso agradou-me, ponto final….Talvez…..&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-4707589287051263587?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/4707589287051263587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=4707589287051263587&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4707589287051263587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4707589287051263587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/03/escolher-o-melhor.html' title='Escolher o melhor'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7164287191701840524</id><published>2007-03-27T17:36:00.000+01:00</published><updated>2007-04-02T19:36:30.616+01:00</updated><title type='text'>A Lagoa VIII</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RglKY1FhQsI/AAAAAAAAAAY/_0lhUU2QwOQ/s1600-h/Lagoa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046646647872897730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RglKY1FhQsI/AAAAAAAAAAY/_0lhUU2QwOQ/s400/Lagoa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Ouvem-se vozes dentro de casa e passos que se aproximam da porta, passos leves, de gente jovem. Foi o Hugo que abriu a porta, rapaz alto, parecido com o pai, tem dezassete anos. É o filho mais velho do casal e para o próximo ano entra na universidade. “Boa noite Alice, entra!”, “Boa noite Hugo.”, ela entrou sem notar que Hugo ao fechar a porta lhe apreciou as formas e as imaginou por debaixo da farda, a idade não perdoa e o crescimento traz consigo sensações extraordinárias. Cheirava bem, a Gabriela tinha a sorte de viver perto da casa da mãe, pessoa humilde mas que conseguia tirar do quintal a auto-suficiência saudável da vida no campo. Frango do campo com pimentos, batata nova, cortada na hora, frita para o momento, salada fresca, vinho novo, pão comprado à vizinha que tinha um forno a lenha e também fazia folares, pena que o jantar tivesse de ser rápido. Gabriela cumprimentou Alice, “Boa noite Alice, o Pedro ainda está na casa de banho mas está quase despachado.”, “Temos tempo.”, “Será coisa que não vos faltará…”, palavras sem malícia, relembrando apenas a noite longa em local de desassossego, “Quando escolhemos esta profissão temos de nos habituar.”, “Faz anos que ouvi essas mesmas palavras da boca do Pedro.”, “Ele mudou?”, “Não, habituou-se.”. Pedro chegou já fardado, sentaram-se à mesa. Entretanto Afonso largara a Playstation que tinha no quarto e juntara-se ao resto da família. Moço de catorze anos fazia o lado da mãe, irrequieto, irreverente, sentimental, muito diferente do irmão mesmo tendo em conta a diferença de idades. Jantaram quase em silêncio, a comida convidava à apreciação gustativa, este só foi quebrado para discutir banalidades do quotidiano. Afonso acabou mais cedo e pediu para voltar ao quarto, tinha o jogo a meio e encontrava-se impaciente para o terminar. Hugo ficou até ao fim olhando de soslaio para Alice, aquela mulher perturbava-o, com ela sim se transformaria num homem, pensamentos de uma adolescência a acabar. Pedro levantou-se devagar, por vontade própria teria ficado com a mulher, nem que fosse a ver a novela, só para lhe sentir o calor, o conforto, quem sabe se quando fossem para a cama…Mas não foram, ele não vai dormir na cama esta noite. Foram a pé para o posto. Ao Pedro não lhe apetecia falar, Alice percebeu e respeitou-lhe a vontade.&lt;br /&gt;“Até às seis, pode ser?”, não uma pergunta, uma ordem simpática de uma hierarquia humana. Até que ponto a recusa, mas eles não pensam nisso, sabem o que têm para fazer e a sua inevitabilidade, o treino para isso serviu.&lt;br /&gt;Patrulharam a noite toda o perímetro do lago. Outros dois colegas noutra viatura fizeram o mesmo no pinhal. Sempre com o canal de rádio ligado não fosse o diabo tece-las. Os grupos de crentes haviam diminuído na lagoa e os poucos que avistaram mostravam-se receosos. Ao interpelarem um destes grupos para identificação provocaram a debandada do mesmo, que se separou em várias direcções impedindo a sua missão.&lt;br /&gt;Foi já depois de terem chegado a casa e de se terem deitado que o mantorras descobriu o cadáver da mulher. Coincidência ou não a mulher morta era Dona Inês, mulher viúva que tinha aconchegado Rafael, também morto. Foi por esta altura que as decisões se agudizaram. As autoridades tinham na mão quatro mortes num caso que reabria feridas profundas de um passado recente. Informaram o presidente da autarquia e foi promovida uma reunião de urgência que tivesse em conta os vários aspectos da situação. Temia-se o pânico nas populações, a má fama que os acontecimentos traziam para a região, o turismo prejudicado, a queda de um projecto que não se queria industrial. Nem todos estavam descontentes e entre os convocados para essa reunião encontravam-se pessoas agradadas com o desenrolar dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.) &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7164287191701840524?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7164287191701840524/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7164287191701840524&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7164287191701840524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7164287191701840524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/03/lagoa-viii.html' title='A Lagoa VIII'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RglKY1FhQsI/AAAAAAAAAAY/_0lhUU2QwOQ/s72-c/Lagoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3795074793257268468</id><published>2007-03-18T10:14:00.000Z</published><updated>2007-03-18T10:20:15.686Z</updated><title type='text'>Circunstâncias II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;A sede, a solidão, o espaço fechado.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;A noite que se pressente mas não se ouve.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;Uma voz no escuro que teima em dialogar.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;As palavras vazias de confissões alcoólicas.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;As palavras que nunca se dizem.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;A cadeira, o homem de pernas cruzadas.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;A mulher que bebe ao balcão.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;…E no entanto nada se sabe.&lt;br /&gt;Circunstâncias&lt;br /&gt;Nestas e noutras a dúvida persiste…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…Circunstâncias&lt;br /&gt;E nada mais do que isso mesmo…&lt;br /&gt;…Circunstâncias!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;P.S. Escrito em mil novecentos e noventa e um, na Reboleira, caderno diário, amarelo, caneta de tinta permanente, feito de uma só vez, sem emendas. Pertence a um grupo mais vasto de circunstâncias, passos, e sem sentido, numerados conforme iam sendo feitos. Sei-lhes o ano, foi a única referência que lhes deixei. Julguei este caderno perdido, perdido nas mudanças dos anos noventa, vim descobri-lo por acaso na procura de uma credencial que me fez revirar a sala. Chamou-me a atenção aquele caderno amarelo com uma assinatura e uma data, nada mais, só depois de aberto revelou o que tinha para revelar. Tirando duas ou três coisas já feitas, que postei no blog, nunca tinha ido buscar nada tão antigo. Fica a excepção…Fica a recordação…Um pouco do que fui…&lt;br /&gt;Não sendo este o objectivo da minha presença na blogosfera prometo retornar à normalidade já no próximo post.&lt;br /&gt;Um abraço para todos os que me visitam…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3795074793257268468?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3795074793257268468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3795074793257268468&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3795074793257268468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3795074793257268468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/03/circunstncias-ii.html' title='Circunstâncias II'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7258052572329441985</id><published>2007-03-15T00:20:00.000Z</published><updated>2007-03-15T00:21:27.560Z</updated><title type='text'>A Lagoa VII</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Aurício não vai comunicar a presença daquele corpo, chega de polícia. Com a sorte que tenho os gajos ainda me prendem, pensou, quem sabe se com razão. Levou o filho para dentro da carrinha e abalou do lugar, deles só os rastos dos pneus à mistura com tantos outros.&lt;br /&gt;Que repouse em paz a mulher que lá ficou, morta. Assim vai ficar todo o dia e toda a noite até ser descoberta pelo Mantorras, rafeiro alentejano, cão de alma nobre e guerreira, cão pesado, ossudo, de cabeça grande, como os seus antepassados Asiáticos trazidos pelos soldados romanos. O Mantorras estava a brincar com o dono, o Miguel, pastor de quinze anos com inteligência de seis, o único de quatro filhos que ficou com o pai, refém do atraso ficará certamente refém do progenitor enquanto este for vivo, mas era do Mantorras que eu falava. Ao focinho deste cão não escapou o cheiro a morte, melhor dizendo, o cheiro putrefacto da matéria abandonada. Sim, porque existe uma diferença, podemos cheirar morangos e morrer de ataque, só depois o odor acre, a reacção química, a decomposição.&lt;br /&gt;Mas tudo isto para mais tarde, o dia ainda não acabou, a carrinha ainda marca presença, gasóleo queimado no ar, perto de um crime que Aurício não cometeu.&lt;br /&gt;A meio da manhã, Pedro e Alice estão à beira da via rápida, ajudam no fluir de viaturas que saem da berma após controlo, na sua maioria carrinhas, um ou outro mais descarado ou suspeito, é bom não esquecer que já morreram três pessoas, da quarta só nós, Aurício e a família, e os presumíveis autores do crime que a transportaram para a lagoa, têm conhecimento. Estão ressentidos um com o outro, é natural, usaram argumentos duros. Natural será também que tudo passe, que vença a amizade, é recente mas verdadeira, o carácter dos dois não a permitiria de outra forma. Para ajudar à reconciliação, vão ter de fazer horas extras juntos, foram convocados para rondas nocturnas junto da lagoa. Deram-lhes algum tempo, o suficiente para comer, tomar um banho, Pedro convidou-a para jantar lá em casa, a Gabriela iria gostar muito, “Ela simpatiza contigo.”, “Tens a certeza que ela não se vai aborrecer?”, ficou combinado para depois do duche. &lt;br /&gt;Alice entrou cansada em casa, despiu-se devagar, com cuidado, amaciando a pele com os dedos, examinando-a meticulosamente defronte do espelho, no quarto de banho, procurando vestígios de sujidade, vestígios de um dia na rua, na estrada. Alice tomou banho de pé, a água do chuveiro escorrendo-lhe pelo corpo bem desenhado, libertando-a de tensões. Ensaboou-se com cuidado e demorou-se com a espuma, viu-se menina, na banheira, mostrando ao pai que já tomava banho sozinha, que saudades do pai, “Porque partiste pai?...”.&lt;br /&gt;Foi mais lesta a vestir-se. Conseguia fazê-lo de modo rápido e desembaraçado, um pouco masculino, no entanto de uma eficiência comprovada.&lt;br /&gt;Saiu para a rua. Ficou agradada com o entardecer, não haveria chuva, valha-lhes isso. Foi a pé, o Pedro morava a dez minutos e ela gostava de andar. Agradou-lhe o trajecto, as ruas largas e as casa baixas que deixavam ver o céu e as pessoas despreocupadas que regressavam a casa ao fim da tarde. Pensou em si e na sua profissão, o dever moral de proteger, ajudar, salvar o mundo dos males do quotidiano. Hoje sentia isso de uma forma diferente. As mortes, esses estranhos grupos de culto incerto, os interesses de que o Pedro falava, pareciam-lhe demasiado, faziam-na duvidar das suas capacidades. Existem alturas em que é preciso fazer as perguntas, dar as respostas, avaliar para poder decidir. As rondas tornaram-se perigosas, já não eram só larápios e bêbados e pessoal da noite com todo o tipo de substâncias ilícitas e acidentes de viação…Estaria à altura se fosse necessário? Se fosse necessário sacar, sacar e disparar, quem sabe, matar? Teria o sangue frio, suficientemente frio para o Pedro poder cofiar nela? O Pedro acredita que sim, passou pelo mesmo, sabe das dúvidas, conhece algumas respostas. Alice sente-se bem no seu monólogo, encara os cenários inventados como realidades já experimentadas despindo-as da imprevisível brutalidade. Ri-se de si enquanto toca à campainha da casa do Pedro e da Gabriela.  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Ainda Continua...)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7258052572329441985?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7258052572329441985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7258052572329441985&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7258052572329441985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7258052572329441985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/03/lagoa-vii.html' title='A Lagoa VII'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-8895183780871373433</id><published>2007-03-08T10:16:00.000Z</published><updated>2007-03-08T10:19:40.540Z</updated><title type='text'>Edite</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O edifício em frente tem janelas de vidro, mas eu não consigo ver para lá dessas janelas. Do nome que me deram não lhe acrescentei nada, sou Paulo, quanto muito Sr. Paulo.&lt;br /&gt;Talvez se não fosse só Paulo eu pudesse ver para lá daqueles vidros, talvez me explicassem os enganos que não entendo, me pedissem desculpa pelo incómodo causado, pelo tempo gasto na procura do que me é devido, mas sou Paulo…E pouco mais…&lt;br /&gt;Tenho um envelope em cima da secretária. Dentro desse envelope cinco folhas me agridem, agridem sobretudo o meu raciocínio. Eu devia entendê-las, mas não entendo. Percebo de química e sou pago por isso. Sorte? Também! Quando a constituição consagra o trabalho como um direito não deveria ser assim…Mas é! Mas também o que é a constituição, conjunto de regras que se adaptam às conveniências de maiorias eleitas…E que vontade têm eles de mudar tudo, tudo o que impedir o desenvolvimento económico…Despache-se a constituição e a lei geral do trabalho e todas essas tretas que nos impedem a grandeza…Ficamos à espera…&lt;br /&gt;Espalho as cinco folhas pela mesa de trabalho na tentativa de lhes dar significado. Não será bem significado, de significado estão elas cheias, cheias das horas que passei para lá da rede da fábrica…Têm um número no fim e desse número faço a minha vida…&lt;br /&gt;Preciso que me expliquem o número, preciso que me expliquem as cinco folhas que resumem o meu trabalho, preciso saber que alguém se preocupa, mesmo que isso não seja verdade.&lt;br /&gt;Imagino-me da estrada, escolho dos apressados. Imagino sinais de luzes, a urgência de outras velocidades, emergência na passagem do obstáculo que sou eu…Paulo…Sem mais do que me dê importância.&lt;br /&gt;Agora ouço uma voz, não é imaginação minha. É a voz de alguém que me chama “Sr. Paulo?!!”, “Sim…”, “Sou eu não se assuste. Vai jantar a que horas?”, “Lá para as oito e meia.”, “Veja lá se demora pelo menos meia hora a comer para eu ter tempo de lavar o chão e ficar seco.”, “Está combinado.”. Sorri sem força, a Edite percebeu, “Você hoje não está nos seus dias.”, “Pois não…”, desabafei…E expliquei-lhe porquê.&lt;br /&gt;Não fui demorado assim como a resposta da Edite. Sem recibo do ordenado vai para uma semana, acertos sempre em atraso, ordenado a descer, regalias a fugir, “E é para quem quer Sr. Paulo.”, sentença final, também para mim uma sentença. Dei-lhe uma pequena palmada nas costas e fui jantar mais cedo…Obrigado Edite!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-8895183780871373433?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/8895183780871373433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=8895183780871373433&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8895183780871373433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/8895183780871373433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/03/edite.html' title='Edite'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2474437272674346474</id><published>2007-03-05T23:12:00.000Z</published><updated>2007-03-06T00:12:29.776Z</updated><title type='text'>A Lagoa VI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Também sei que o Pedro e a Alice não vão ser chamados, ocupados que estão no apoio à divisão de trânsito e à fiscalização económica. Vai ser dia de feira porque é quarta feira, uma das quartas feiras do mês em que isso é permitido na cidade, cidade pequena mas que do nome não se livra, não do de baptismo, esse é Vila Nova, do outro, do administrativo. Adiante com o que interessa. São vasculhadas as carrinhas dos feirantes, gente cigana na sua maioria, e mesmo os que não o são por etnia são-no por modo de vida. Estes e estas, condutores e viaturas, procuram passar por todo o lado.&lt;br /&gt;Foi por uma das picadas do pinhal que se meteu a carrinha do Aurício, cigano, casado e pai de cinco filhos. Foi ele que se perdeu e desembocou no meio da fiscalização policial. Teve azar e perdeu a carga, na sua totalidade material contrafeito. Vinha com a mulher e três dos seus filhos, uma bebé, menina de mama, um varão de seis anos e uma rapariga espigada e de olhar vivo, dir-se-ia matreiro se não fosse a seriedade do semblante.&lt;br /&gt;Decidiu abalar daquele lugar para nunca mais voltar no mesmo momento em que pôs a carrinha a funcionar. Decisão apressada e que não iria ter as consequências pretendidas, como veremos brevemente. Seria o barco a opção para atravessar o Sado. Para chegar mais depressa, não, apenas para ver a foz do rio, porque lhe apeteceu. O destino é como é e prega-nos partidas utilizando meios insuspeitos como seja a nossa memória. Foi o que aconteceu a Aurício com a sua, dele, memória. Veio-lhe a esta imagens da sua, dele, juventude, de quando era o filho mais novo de um rebanho de doze, de quando a família era maior e mais unida e se passavam noites no campo a olhar para o céu, durante semanas de acampamento junto de povoações amigáveis. Tudo isto quando se preparava para abandonar o perímetro da Lagoa que ficava do seu lado esquerdo, todas estas imagens que o fizeram olhar com atenção para a berma da estrada e reconhecer um caminho, uma casa velha ali perto, talvez oitocentos metros, erva alta e mato bravio, sem regra nem dono. A decisão que não precisa de permissão para ser mudada visto nunca ter sido comunicada, porque nestas coisas o homem manda, cada coisa no seu lugar. A viragem quase brusca provocou um cair de caixas vazias que os guardas haviam deixado…Quase no gozo…Cabrões da merda…Era preferível andar praí a matar…Filhos da puta…A carrinha que se meteu pelo caminho arenoso em direcção à água em direcção à memória passada, povo das estrelas, antigo de três mil anos antes de Cristo, Norte da Índia, quem sabe, a quem lhe interessa, a memória de Aurício não vai tão longe nem a carrinha consegue tal prodígio, pedra filosofal de qualquer historiador que se preze, o recuo na memória da história…Das histórias…&lt;br /&gt;Parou junto a uma casa velha, em ruínas, metade telhado, metade paredes, metades de portas e janelas por onde passaram vidas inteiras. Conhecera os donos, um casal com dois filhos que sempre o trataram bem, sempre os trataram bem, ao seu pai, à sua mãe, à família. Ficavam ao fundo do terreno que tinha extrema junto à água, suficientemente perto para ouvir o seu restolhar manso no silêncio da noite. Também o mar ficava perto, por detrás da lagoa, também ele marcara presença na memória de Aurício.&lt;br /&gt;O dia estava cinzento, cinzento húmido mas calmo, calmo da chuva que não ficou mais grada e acabou por desaparecer, calmo do vento que se escondeu no horizonte. Desceu sozinho, sem palavras que solicitassem o mesmo destino aos seus acompanhantes, um descer mecânico, movimento incontrolado que o fez tirar o chapéu preto e respirar fundo, tão fundo quanto os seus pulmões, gastos do alcatrão dos cigarros, permitiam. Não foi logo que o viu, nem eu tenho a certeza de ter sido ele o primeiro. O gaiato, o Manelito, também descera, impaciência da idade, apelo da natureza à sua volta, correu a molhar as mãos. Aurício olhava-o distraído quando o viu parar e virar a cabeça. Será que ouviu o grito do filho, certamente, a julgar pelo impulso que o levou para perto dele. Agora estão juntos e olham para a beira de água, para a mulher deitada de cabelos lambidos pelo líquido milagroso, bênção de Santo, nome de lagoa. A mulher está morta, do pescoço cortado um fio de sangue seco indica o local do corte, ferida feia e comprida, boca aberta na carótida. &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2474437272674346474?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2474437272674346474/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2474437272674346474&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2474437272674346474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2474437272674346474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/03/lagoa-vi.html' title='A Lagoa VI'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-2112353625704317445</id><published>2007-02-28T11:30:00.000Z</published><updated>2007-02-28T11:32:05.770Z</updated><title type='text'>Existe um lugar</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Existe um lugar&lt;br /&gt;Onde a terra não é firme&lt;br /&gt;E o mar não sabe a mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem Novo diz o que sabe&lt;br /&gt;O Velho ouve sem saber&lt;br /&gt;Os pés longe da terra&lt;br /&gt;Os olhos cegos sem ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste lugar moderno&lt;br /&gt;O dinheiro fez o Homem Novo&lt;br /&gt;O Velho não sente o mar&lt;br /&gt;Da janela do quarto, no lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um lugar&lt;br /&gt;Onde a terra não é firme&lt;br /&gt;E o mar não sabe a mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Novo conduz o Velho&lt;br /&gt;No papel está o contracto&lt;br /&gt;A visita pelo Natal&lt;br /&gt;Tudo o que é normal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos que vão cegar&lt;br /&gt;A ti que acabas de chegar te aclamam&lt;br /&gt;Qual será a doença&lt;br /&gt;O motivo da presença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um lugar&lt;br /&gt;Onde a terra não é firme&lt;br /&gt;E o mar não sabe a mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que sou velho, adivinho&lt;br /&gt;A conversa que tiveram&lt;br /&gt;Entre o Novo que é meu filho&lt;br /&gt;E o lugar onde me meteram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega-te ao grupo&lt;br /&gt;Vem devagar que tens tempo&lt;br /&gt;Neste lugar sem firmeza&lt;br /&gt;Onde tu não és certeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um lugar&lt;br /&gt;Onde a terra não é firme&lt;br /&gt;E o mar não sabe a mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito em Deuses&lt;br /&gt;Nem em paraísos distantes&lt;br /&gt;Neste lugar onde estou&lt;br /&gt;O Mundo já acabou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto enorme o sossego&lt;br /&gt;Não me consigo levantar&lt;br /&gt;Deito os olhos ao céu&lt;br /&gt;Pois o mar não sabe a mar.&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-2112353625704317445?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/2112353625704317445/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=2112353625704317445&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2112353625704317445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/2112353625704317445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/02/existe-um-lugar.html' title='Existe um lugar'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3549382802039524856</id><published>2007-02-22T19:11:00.000Z</published><updated>2007-02-22T19:12:50.587Z</updated><title type='text'>A Lagoa V</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Começou a chover. O sol de Inverno desapareceu e deu lugar ao cinzento que, uniformemente, preencheu o céu. A chuva não é grada, pelo menos por enquanto. Mais tarde se verá. Nos cafés começa-se a falar do assunto, procura-se nos jornais diários a informação que falta e que continuará a faltar. Sabe-se de jornalistas no Hotel Novo, imprensa escrita que a televisão e a rádio andam noutros Carnavais. Nem só nos cafés se fala, mas serão sempre estes locais os privilegiados para debater acontecimentos.&lt;br /&gt;Numa sala interior, Pedro e Alice ainda se encontram reunidos com o seu Superior e com o inspector da Judiciária. Manifestaram interesse em ajudar nas investigações, foi um interesse genuíno, de quem tinha visto três cadáveres em menos de vinte e quatro horas e queria respostas. Sim, iriam ter esse facto em consideração, mas para já era tudo. Saíram desiludidos. Compraram qualquer coisa para comer e por sua conta e risco decidiram voltar ao pinhal.&lt;br /&gt;Para os lados da lagoa o vaivém dos crentes continua. Dependentes do que aprenderam sobre o líquido milagroso mantêm as romarias. Pode ser impressão, e dai talvez não, os semblantes estão, como se costuma dizer, carregados, carregados de medo, o medo que desperta os sentidos e nos põe alerta. Alice pergunta, “Conhecias o homem?”, “Não pessoalmente, mas conhecia-o de vista.”, “Quem era”, a pergunta seca, de quem não devia precisar colocá-la. Foi necessário, dai a secura, “Não ouviste o sargento?!..”, a resposta irónica, também ela seca, “Ouvi! Fiquei a saber o nome, a idade e a profissão.”, “Não te chega?”, “Não!”, o desencontro, situação invulgar entre os dois, diz quem sabe que estes dias também são precisos, para aferir das relações, sejam elas de amizade ou não, “Está bem!...”, o Pedro rende-se, ou finge fazê-lo.&lt;br /&gt;Disse-lhe que o homem tinha perdido a mulher aquando das primeiras mortes, foi uma das vítimas que apareceu queimada. Quando isto aconteceu o filho mais velho de Pedro estava prestes a fazer dois anos. Disse-lhe que o homem tinha dois filhos, um rapaz, uma rapariga, o primeiro foi para França e nunca mais voltou, a filha ficou-se pela rotunda, avenida de prazer, rastos negros nos braços, nas mãos, nos pés, no pescoço…Também ela, de alguma forma, não voltou. Disse-lhe que o homem começou a beber até parar por momentos para tratar de uma crise hepática depressa voltando à rotina. Falou-lhe do trabalho que o homem abandonou e nos desenrasques de sobrevivência até que há dois anos tinha atinado. Uma mulher, viúva recente, tirara-o do vício, arranjara-lhe um emprego decente na empresa onde o marido havia sido director, trabalho menor é certo, mas digno e razoavelmente bem remunerado. As más línguas ligavam-na a cultos satânicos perpetuados no pinhal e acusavam-na da morte do marido, conhecido peregrino dos banhos da lagoa, associaram o cancro fatal a rezas e maldições. Isto era o que o povo dizia e o que ele sabia. Agora, com a morte do Rafael, vão dizer muito mais.&lt;br /&gt;Alice ouviu com atenção, sem interrupções, e mesmo depois do Pedro se ter calado, manteve-se em silêncio durante mais algum tempo, “Quer isto dizer que anda tudo à volta do mesmo?”, a palavras vieram-lhe reconciliadoras, “Depende do ponto de vista.”, a secura foi-se, manteve-se a ironia, “Não brinques comigo. Tudo passa por essa gente que se reúne para evocar sei lá o quê…Uns dentro de água, outros com fogo…outros com…Paranóias!”, voltou-lhe a irritação, “Existe mais gente interessada no conflito desde que ele leve à destruição das árvores junto ao mar.”, ele sabia que ela iria ficar interessada e menos agressiva, por esse motivo prolongou a frase num tom suspensivo, “Que gente?”, o efeito foi o pretendido e ele continuou, “Gente que constrói, gente que manda, gente de dinheiro, gente que quer transformar a lagoa numa estância turística…”, deixou a frase no ar,  “Existem assim tantos interesses?”, contente por a ter de volta prosseguiu, “Também se fala numa fábrica, mas dessa têm tratado os ecologistas…”, pausa, “Mais alguém?...”, “os suspeitos do costume, drogados, contrabandistas e traficantes que se servem da praia como local de desembarque…Mas esses estão mais interessados em não levantar ondas e para mim não têm nada a ver com o assunto.”, “Falas como se os conhecesses…”, desta vez foi dela a ironia, “E conheço, após alguns anos e num meio pequeno fica-se a conhecer muita gente”, Pedro respondeu mostrando aborrecimento, “E isso não te chateia?”, ela espetou a faca mais fundo, “Aprendi a ser uma pessoa normal quando dispo a farda. À civil os meus ouvidos são civis e a minha boca discreta.”, ele estava a levar a coisa a peito, “Não me estás a dizer que os deixas andar?...”, “Estou a dizer-te que também tenho vida para além da farda. E se queres um conselho digo-te que é melhor separares as águas ou serás uma eterna estrangeira.”, quem assim falou, falou danado, “Achas que é fácil fazer o que dizes?...”, e que dizia ele?...”Não!...Mas é a melhor maneira.”, ela não lhe perguntou que outras maneiras havia, mas não ficou convencida…E o Pedro sentiu-se ofendido, desrespeitado, ou algo entre as duas…Nem sempre é fácil explicar aos mais novos que os anos de serviço funcionam como analgésico…Nem sempre é fácil explicar aos mais velhos que pode haver quem faça a diferença, em qualquer dos casos é uma questão de tempo.&lt;br /&gt;Separaram-se de mau humor. Ele vai dormir a pensar no caso, ela vai pensar na conversa que tiveram, principalmente na última parte da conversa.&lt;br /&gt;Durante a noite dois vultos circularam no pinhal e apesar da chuva deixaram acesos três candeeiros a petróleo. Do lado da lagoa os peregrinos começaram a usar facas dissimuladas na roupa, principalmente os mais novos.&lt;br /&gt;O que vos vou contar sei porque sou o narrador e é dever do narrador saber tudo…Ou quase…Neste caso sei que esses dois vultos arrastaram um corpo para a beira da água…Junto à lagoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cont.) &lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3549382802039524856?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3549382802039524856/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3549382802039524856&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3549382802039524856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3549382802039524856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/02/lagoa-v.html' title='A Lagoa V'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1259663724360280817</id><published>2007-02-18T11:05:00.000Z</published><updated>2007-02-20T09:43:40.779Z</updated><title type='text'>Esperas (Da nossa vida que é um somatório de esperas)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma de tantas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio de casa tarde. O relógio avisa-me do atraso, ou do mundo lá fora a girar…E eu parado, ou quase…Tentando chegar...&lt;br /&gt;Primeiro a estação, o passe comprado no início do mês, o comboio que parte…Não o vejo mas sei que parte, ruído de partida…&lt;br /&gt;Quando chego ao cais este encontra-se vazio. Vislumbro a silhueta que se afasta…Metal contra metal e a electricidade que o faz mover…Espero…Vou ficar à espera e estou atrasado.&lt;br /&gt;Está frio mas eu não o sinto. Sei que está frio porque o ar que me sai da boca vem condensado, gasto, usado em mim e por mim…E espero…Lá longe adivinho o som metálico dos carris percorridos…Vejo-os inertes, inúteis, esquerda, direita, vazios…&lt;br /&gt;O relógio de pulso diz-me, “Estás atrasado”, respondo-lhe, “Sim, eu sei.”.&lt;br /&gt;Chegam pessoas ao cais. Escolhem posições e ficam à espera…Como eu!...Eu não!&lt;br /&gt;Eu vou-me embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra, noutro lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parque está cheio. Tenho dificuldade em encontrar um lugar, misto de sorte, paciência, sorte, olhos abertos…Eu não fechei os olhos e aproveito rápido uma saída repentina, sou mais rápido a sacar. Por detrás do vidro percebo as palavras maldosas, “…Filho da puta…”, “…Paneleiro da merda…”, “Cabrão do caralho…”, minutos atrás eu era apenas o Paulo…&lt;br /&gt;Tenho as rodas paradas, o chassi em descanso, a carroçaria promete-me protecção.&lt;br /&gt;Tenho uma moeda na mão, da moeda um carrinho…E o caminho das prateleiras…Tudo o que preciso está etiquetado…O carrinho enche-se e fica pronto a ser levado…Eu levo-o…Ele deixa-se levar…&lt;br /&gt;Estou parado à espera. À minha frente esperam vários carrinhos…Atrás outros carrinhos…Espero mais um pouco…&lt;br /&gt;…Carrinhos com dono!&lt;br /&gt;O meu?...Abandonado.&lt;br /&gt;Eu estou lá fora…Adeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lixada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas mulheres choram na sala. Na sala mais ninguém chora…Tudo espera. Não se vê o sorriso descontraído, o olhar perdido dos sonhos de encantar. As duas mulheres choram junto à enfermeira de serviço, esperam notícias…A enfermeira espera a hora de saída, a rendição do turno, o encontro com o filho pequeno que está com a avó…Eu espero que o choro acabe…Do lado de fora estou a ouvir…Por dentro o tempo parou, no destilado das horas o resíduo que sou eu…Desaparece…&lt;br /&gt;O choro das mulheres parou e foi substituído por outro…De criança…Sofrido de angústia, de pânico…Eu espero…Tudo mudou menos eu…Hoje eu vou esperar…Tenho um nome para esta espera…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última... As outras ficam por contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dez horas da manhã e o homem aparece com um papel, uma lista, nomes de testemunhas, de arguidos, queixosos…Advogados?...Já não me lembro.&lt;br /&gt;O empregado judicial vai marcando presenças. Eu espero pelo meu nome, pela minha vez de dizer presente, sim, sou eu…Mas antes não fosse…&lt;br /&gt;Fico-me pelo, “Sim, sou eu.”, ou “Estou aqui”…Agora que penso melhor, não me lembro de ter respondido…&lt;br /&gt;Os processos são muitos, muita gente, muitos minutos, infinitos minutos. Equívocos e desde logo algumas discussões, a tensão de quem se confronta, circo romano com regras definidas em leis que poucos conhecem…Desengane-se o senso comum…Também ele um engano…&lt;br /&gt;Espera-se em pé, nos corredores, ouvem-se as conversas de grupos próximos, viram-se costas aos rivais. O ar fica cheio, e eu cheio do ar e da espera.&lt;br /&gt;Junto de mim dois guardas prisionais esperam comigo….&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1259663724360280817?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1259663724360280817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1259663724360280817&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1259663724360280817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1259663724360280817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/02/esperas-da-nossa-vida-que-um-somatrio.html' title='Esperas (Da nossa vida que é um somatório de esperas)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7788944625539792333</id><published>2007-02-13T23:06:00.000Z</published><updated>2007-02-18T11:05:21.646Z</updated><title type='text'>A Lagoa IV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Era o Pedro que conduzia, foi ele que engrenou as mudanças que rentabilizaram a aceleração. O Nissan Patrol não era dado a grandes velocidades embora fosse dotado de um motor potente. O barulho da máquina inundou o habitáculo. Os balanços tornaram-se instáveis e perigosos, as curvas no limite do equilíbrio. Porquê tanta pressa? Os cadáveres não têm urgência. A necessidade de respostas, essa sim, provoca-nos tremores, dependências psicológicas. É essa a urgência. As luzes vão acesas, avisando prioridade a quem quer que se atravesse, curva à esquerda, curva à direita e contra-curva, recta até à via rápida, saída para as Areias Brancas, desaceleração, redução, curva a noventa graus, entrada em estrada de terra e areia. Esperavam ver alguém a indicar o local, gritando, talvez em pânico. Não se via ninguém. Travou bruscamente e só agora olhou para a parceira, “Aonde?!”, “Cerca de quinhentos metros, na berma…”. Arrancou devagar. Sim, o vulto percebia-se bem, ali estava ele mais à frente, impossível de não se encontrar, borrão negro no amarelo da areia. Estão perante um corpo do sexo masculino enrolado numa posição fetal que lembra a gestação, o que confere um ar de fragilidade ao cadáver. Percebe-se que internamente se encontra desconjuntado, desajustado nos seus alinhamentos naturais.&lt;br /&gt;Quem o encontrou? Quem deu o alerta? O Pedro não foi. É casado, tem dois filhos, vive com a mulher, é alto de um metro e oitenta e oito, cabelo muito curto e preto, não tem barriga, mesmo demasiado magro. É escuro de pele. Se não fosse tão alto e tivesse bigode ou barba poderia passar por magrebino, e pode não ser totalmente mentira visto as suas origens sulistas, família antiga da região de Silves.&lt;br /&gt;Alice também não. Alice é divorciada, não tem filhos, não tem namorado, vive sozinha e é do norte, de Chaves. Alice é alta de um metro e setenta e cinco. Tem a pele muito branca, cabelo loiro e cara de menina. Talvez seja este o motivo da sua atitude agressiva, de uma masculinidade encenada, com que encara as adversidades, sejam elas profissionais ou pessoais. O respeito é algo de muito importante para quem se quer dar a ele e ela quer. É fisicamente bem constituída, não é magra, tem um sorriso aberto e olhos azuis cor do mar em dia de Verão. É bonita, cara equilibrada nas distâncias que definem a beleza, raiz normanda onde sobressai uma boca bem desenhada, de lábios grossos, que faz do seu sorriso a sua imagem de marca entre os mais chegados, imagem de boa disposição e alegria que às vezes lhe falta.&lt;br /&gt;Quem o encontrou não foram Pedro e Alice, estes vieram de chamada. Talvez a voz feminina que telefonou para o posto e que desligou rapidamente. Sim, essa sim comunicou ao piquete a existência de um cadáver, sem pormenores à excepção do local.&lt;br /&gt;O alerta foi dado de pouca fé, adivinhava-se a brincadeira. Neste momento os dois elementos da GNR presentes no local sabem que isso não é verdade. Sabem também que o povo vai começar a falar. Falharam as expectativas do Pedro, deu-se razão à Alice.&lt;br /&gt;A tudo nos acostumamos, também à morte. Alice foi profissional na comunicação ao posto, como no outro caso actuou em conformidade. Porém mais calma, atenta na observação dos detalhes, do cadáver, do local e dos acessos. Os dois procuram registrar tudo o que possa ser útil para a investigação, para a judiciária, para eles. Alice tirou do bolso um pequeno bloco e uma caneta que se percebe ser objecto pessoal, caneta fina, de cor matizada em verdes, só para referir o carinho com que a escrita lhe sai, a bonita caligrafia, esguia, desenhada, de quem é cuidadoso e perfeccionista. Pedro olha em volta, para o pinhal que se adensa do lado esquerdo, para a estrada de areia que o separa do lado direito, também ele pinhal, para a frente, em direcção ao mar que se pressente numa faixa cinzenta escura por cima duma lomba da picada, para a origem desta, no sentido oposto, no acesso à via rápida por onde vieram. Esta total abrangência visual, este cheirar o ar, fê-lo cerrar os olhos, como se nesse gesto dissecasse os dados recolhidos, os organizasse, alinhasse, desse sentido, apontasse uma direcção.&lt;br /&gt;No entanto esta tarefa vai pertencer a uma brigada especial recentemente formada no corpo da GNR e que a titulo experimental vai trabalhar em conjunto com a judiciária.&lt;br /&gt;Quanto a eles iram continuar as rondas que certamente vão ser reforçadas. Para já, acabam a manhã a falar com o sargento e com um inspector da Judite que chegou na noite anterior.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7788944625539792333?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7788944625539792333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7788944625539792333&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7788944625539792333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7788944625539792333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/02/lagoa-iv.html' title='A Lagoa IV'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-6601502742058691392</id><published>2007-02-06T11:29:00.000Z</published><updated>2007-02-06T15:05:15.562Z</updated><title type='text'>A Lagoa III</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Pedro jantou cedo. Pouco falou. Os miúdos discutiram aproveitando o espaço livre, demasiado adolescentes para perceber. A mãe repôs a ordem substituindo a apatia paternal. No silêncio, o diálogo dos talheres, o roçar nos pratos, palavras impedidas de sair pelas garfadas de esparguete, pela carne à bolonhesa, pelo queijo ralado.&lt;br /&gt;O Pedro deixou os filhos verem um filme no aparelho da sala. Despediu-se deles e foi para o quarto, a mulher seguiu-o, já sabia do crime. Gabriela deitou-se com ele. Pedro adormeceu de barriga para cima, de olhos no tecto, ela com a cabeça no peito dele, a boca roçando um mamilo, uma mão no outro, fez amor sem ele saber.&lt;br /&gt;Alice dormiu sozinha. O café que bebeu depois do jantar deu-lhe insónias e nem o romance que leu lhe evitou o desconforto da solidão. A história da lagoa não lhe largava a ideia. Derrotada pelo cansaço mergulhou num sono profundo e sonhou. Via-se mãe, mãe das meninas mortas, chorando, gritando revolta. Via-se vingadora, de faca na mão, matando e estropiando, estranhos grupos de culto incerto, obscuros e ruins como convém a quem odeia. Via-se errando na praia de noite, o pinhal ardendo, o lago vermelho…Ela entregando-se ao mar, mar vivo de vaga grande e vigorosa, a espuma espelho do fogo.&lt;br /&gt;O tempo é carrasco e não pára. Parece especialmente cruel quando se dormiu mal, o descanso foi pouco, o sol demasiado cedo ou já quase a aparecer quando nos deitamos.&lt;br /&gt;Mas é assim que funciona, não há nada a fazer. Para a Alice e para o Pedro a noite foi pequena. Alice estava em pior estado quando apareceu no posto, os olhos vermelhos, branca, demasiado branca, os músculos da cara desistindo da expressão. Pedro já lá estava e tirou-lhe dois cafés de máquina, “Aguentas-te?”, “Dormi mal e sonhei com as gaiatas, aquela coisa que tu me contaste não me largou a noite toda.”, “Desculpa, eu sabia que não te devia ter contado.”, ela esboçou um esforçado sorriso, no entanto bonito, “Não sejas parvo, julgas que só tu vais fazer essa associação? Mais cedo ou mais tarde vai andar na boca do povo.”, “Talvez não…Se não houverem mais mortes.”, “Não acredito.”, “Que não haja mais mortes?”, “Que o povo não fale…”. Meteram-se à estrada. Até ao final da semana era aquele o serviço. Passaram pela aldeia, patrulharam duas pequenas povoações e a herdade dos “malandros”, alcunha pela reputação dos proprietários. Demoravam-se sempre um pouco lá, atraídos pela calma do lugar, o jeep em primeira, quase sem pé no acelerador. Os sobreiros espaçados, pontos verdes no espaço aberto, molhados da orvalhada, de cara lavada, o ar limpo e gélido, o céu azul, azul referência, consequência óptica de belo efeito, tudo isto para dizer que hoje este trajecto fez-lhes bem. Preferiram fazê-lo calados, recuperando forças para voltar à lagoa. Mas para já a várzea lugar húmido e que ainda se encontra alagado de chuvas recentes. Depois as bombas, a rotunda e finalmente a lagoa. Está deslumbrante como sempre, aquele calma que contrasta com o rugir do mar por detrás das dunas, aquele ambiente que convida o espírito a acreditar, efeito especial preparado pela natureza. Por momentos quase se esquecem do dia anterior, olhar rendido naquelas águas tranquilizadoras. Mesmo com a presença constante de alguns grupos de crentes o local é silencioso, como se os ruídos das pessoas se misturassem no registo de fundo e perdessem identidade, ruídos sem expressão individual. Até o barulho do motor diesel encaixava, um ronco que ao longe se transforma em zunido, que se perde no espaço.&lt;br /&gt;É o rádio que os acorda, o posto que os chama, alguém que encontrou um corpo junto à saída para as Areias brancas, na picada que divide o pinhal.&lt;br /&gt;(Cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Desculpem-me os amigos que me costumam ler pelo espaçamento da narrativa. O tempo que dedico ao blog teve de ser encolhido por razões que me são alheias (desculpa para motivos pessoais). Vou no entanto continuar aqui, acabando o que comecei e sempre que possível fazendo mais.&lt;br /&gt;Obrigado por me aturarem e um bem haja a todos!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-6601502742058691392?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/6601502742058691392/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=6601502742058691392&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6601502742058691392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6601502742058691392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/02/lagoa-iii.html' title='A Lagoa III'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-9220890981542966514</id><published>2007-01-29T18:21:00.000Z</published><updated>2007-01-30T17:54:43.191Z</updated><title type='text'>A Lagoa II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A carroçaria estremeceu, lá dentro voaram papéis e caíram objectos, os pneus resvalaram e o jeep deslizou alguns metros atravessando-se na via sem atingir o obstáculo humano. Alice sente o coração batendo junto à boca, um sabor ácido que escorre pela garganta depois de ter subido pelo estômago, Pedro recupera primeiro e abandona a viatura em direcção ao homem que os fez parar. Isso acalmou-a, deu-lhe confiança. Foi ter com o parceiro que se debatia com a atrapalhação de palavreado do interlocutor que berrava, gaguejava, apontava para a berma da estrada onde, numa primeira observação, tudo parecia normal. Juntos convenceram o homem que se acalmou com a presença de Alice. Ela reparou, o Pedro também. O homem queria levá-los para fora da estrada e ela seguiu-o. Ele foi arrumar o jeep na berma. Ouviu-a gritar, o choque, uma exclamação, ela que foi à frente, que não esperou por ele. Correu! Via-os imóveis, o tempo parado…E ele que nunca mais chegava…Chegou, eles imóveis olhando para o chão, para os corpos destorcidos de duas crianças. Não havia sangue, apenas a brutalidade do crime, duas jovens, talvez sete anos, desmontadas por dentro. Quem conhecesse os processos do Santo Ofício certamente encontraria algo de semelhante no estado das vítimas…a tortura sem sangue. Fizeram o que tinham de fazer, comunicaram a ocorrência, cercaram o local com fita e identificaram a testemunha. Veio ambulância e médico da morte e a coisa arrastou-se até à hora de almoço. Almoçaram tarde, desgastados, oprimidos pelo crime. Para Alice tinha sido o primeiro contacto profissional com a morte após quase dois anos de serviço. O Pedro tinha mais anos, de serviço, de idade, também de mortes, de acidentes, disputas de terras, heranças, desavenças entre vizinhos, de tudo o que serve de desculpa para matar. O Pedro era casado e tinha dois filhos, o mais velho com dezasseis anos, tantos como os de serviço. Alice era divorciada de um casamento de dois anos, continuam amigos, sempre foram amigos, casaram para se apoiar, a vida os juntou, a vida os separou. Estas inconfidências para justificarem a calma aparente do Pedro, o nervosismo evidente de Alice. “Isto fica entregue à judiciária?”, “Fica.”, “Conhecias as miúdas?”, “Sim.”, “Quem eram?”, “As filhas de um caseiro.”, “Pobres pais…Filho da puta do gajo que fez isto.”, “Disputas…”, “Disputas?”, “Sim…Entre os da lagoa e do pinhal…”, “Estás a brincar, não estás?”, “Não.”. Tiveram esta conversa durante o almoço. Depois disto só ela falou, ele limitou-se a ouvir acenando que sim e que não. Alice não estava satisfeita, queria saber mais. Ele estava arrependido de ter falado, era um assunto tabu sobre acontecimentos passados. Era um jovem guarda quando essas pessoas morreram queimadas. Falou-se de acidente, de pacto com o diabo. Passados três dias foram encontrados mortos dois jovens namorados numa situação em tudo idêntica à que haviam acabado de presenciar. Durante os meses seguintes houve mais algumas mortes, na lagoa, no pinhal. Fizeram-se patrulhas, as pessoas deixaram de ir para lá e de repente tudo acabou. Terminou o que começara e explico-lhe o que sabia, o que isto lhe trazia de angústia, o medo de tudo se repetir. “E nunca apanharam ninguém?”, “Nunca.”, “E suspeitos?”, “Houve de todos os tipos, mas nenhum aguentava tamanha dispersão de vítimas sem relação, quase uma lotaria. Depressa passavam a outros até que tudo terminou e eles terminaram também.”, “Pensas mesmo que isso se vai repetir?”, “Não sei…Sei que aqueles lugares não me deixam descansado.”, “Estás a deixar-me nervosa.”, “Desculpa, estou a ser estúpido e a assustar-te sem razão.”, “Não faz mal. Eu é que insisti…”, “Vamos embora…Deixa estar que eu pago…Pela conversa mórbida…”. Ela riu, ele apenas sorriu. Faltava a tarde para acabar o dia, ele sentiu falta da mulher, dos filhos, ela sentiu medo de passar a noite sozinha.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-9220890981542966514?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/9220890981542966514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=9220890981542966514&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/9220890981542966514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/9220890981542966514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/01/lagoa-ii.html' title='A Lagoa II'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7354523161210923598</id><published>2007-01-25T11:00:00.000Z</published><updated>2007-01-25T11:57:02.588Z</updated><title type='text'>A Lagoa I</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A lagoa está serena. À sua volta terras encharcadas e o mar. O mar de Inverno, ruidoso, trovoando a noite inteira, batendo na areia. Praia sem rochas, em cunha para dentro de água. De manhã a calma, o sol que roda baixo, o azul intenso, frio, a lagoa fica bonita…&lt;br /&gt;Aquele pedaço de líquido espalhado pela areia, tem um contorno atraente…&lt;br /&gt;Sempre se ouvira falar de rituais, de pessoas que se juntavam e que deixavam rastos, cenários satânicos no meio do pinhal, nas encruzilhadas das picadas, junto a casas abandonadas. Entre brincadeira e realidade havia quem acreditasse que as águas dessa lagoa eram milagreiras. Era gente da região, pessoas desiludidas da medicina, outros sem posses. Também os havia a acreditar por convicção profunda, fé no local, no nome, no nome de santo.&lt;br /&gt;O jeep da GNR percorre lento a estrada que corta a várzea. Sobe junto às bombas, contorna rotunda e desce em direcção à lagoa. O motor a gasóleo, cansado de tantas patrulhas, tem um trabalhar velho mas de confiança. Dentro do carro estão dois soldados, uma mulher, um homem, ela conduz. Vão em silêncio. Ele olha distraído para um pequeno grupo que vai em direcção à lagoa, mais ao longe outro grupo vem na direcção oposta. Não têm mais que dez elementos cada, nunca têm mais que dez elementos, mas chegam a ser vários grupos. Não há desordens, apenas o entrar dentro de água e molhar o corpo, ninguém o faz nu e há até quem o faça totalmente vestido. Ouve-se o chapinhar, o gemido, o arrepio, o murmúrio, o lamento, rezas à nossa senhora e ao santo. As autoridades estão atentas e as rondas tornaram-se mais frequentes. Eles, cada um por si, relembram as ordens no posto, “…Mostrar presença sem intervir…”, ela vai com atenção à estrada, a terceira metida, devagar, “Às vezes é tão difícil andar devagar…”. Viram à esquerda, por um atalho ladeado de pequena vegetação, em frente e antes do areal que precede a lagoa, atravessam um pequeno pinhal, não mais que vinte árvores. Pensam no outro pinhal, o que fica a sul, e instintivamente movem o olhar na sua direcção. Sentem-no ao longe, uma massa verde escura, com vida, “De noite é pior!...”, ela disse-o, ele confirmou-o com gesto de cabeça, ela não viu o gesto mas sabe que ele sente o mesmo. Saíram para campo aberto. Do lado norte três pessoas em fato de banho mergulhavam na água. Meteram por um trilho de areia, redutoras ligadas, segunda metida, um serpentear ao longo da margem até um segundo trilho que os desvia de lá e os obriga a contornar duas casas velhas. Mais um pouco e estão no extremo norte. Só as palavras fazem o trajecto rápido, na realidade demoram cerca de meia hora a fazer o percurso. As três pessoas que se banhavam já se foram embora. Agora, do lado sul, um grupo um pouco maior começava o ritual. Orações, rezas, meditações, cada um à sua maneira, evocavam poderes ocultos naquelas águas tranquilas. Tudo começara em oposição ao lado negro que se acreditava existir no enorme pinhal. O que lá se fazia, só à noite era feito e de forma bastante furtiva. Por três vezes já tinham perseguido luzes que pareciam de fogueira. O resultado teve variantes de cálculo mas foi sempre negativo. Da primeira atolaram o jeep, na segunda desistiram após uma hora de gato e rato, da terceira vez iam tendo um acidente grave, “Quando alguém os quiser apanhar faz-se a coisa a sério…Com mais homens!”, foi o desabafo nessa noite. Era mais fácil apanhar contrabandistas. No fundo todos tinham receio, mesmo os descrentes não se sentiam à vontade. No posto todos tinham histórias semelhantes.&lt;br /&gt;Mas hoje a patrulha é de dia e estão a acabar a volta ao lago pelo lado este, no oeste está a praia que o separa do mar. Metem pela estrada de volta à vila. “Tenho fome!”, foi ele que o disse, “Queres que eu pare aqui?”, “Não vale a pena, paramos na vila.”. Ela acelerou um pouco, para chegar mais depressa e para contrariar a moleza que a volta à lagoa lhe tinha provocado. Abriu um pouco o vidro e gracejou “Já estou farto de te ouvir!”, ele respondeu, “Não estou nos meus dias”. De repente e após uma lomba um homem atirou-se para a estrada e obrigou-a a uma travagem brusca. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Ficção-cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7354523161210923598?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7354523161210923598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7354523161210923598&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7354523161210923598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7354523161210923598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/01/lagoa-i.html' title='A Lagoa I'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-6782156198486439984</id><published>2007-01-20T23:45:00.000Z</published><updated>2007-01-20T23:56:09.725Z</updated><title type='text'>Domingo de manhã</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Afasto bem as cortinas &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RbKrF2D-dJI/AAAAAAAAAAM/zPZxlwl4Imk/s1600-h/scan2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5022264651371410578" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RbKrF2D-dJI/AAAAAAAAAAM/zPZxlwl4Imk/s200/scan2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Deixo todo o sol entrar&lt;br /&gt;Pela minha boca aberta&lt;br /&gt;Que deixei ao bocejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo o corpo do quarto&lt;br /&gt;Vou também amanhecer&lt;br /&gt;Fazer da manhã um sonho&lt;br /&gt;Voltar de novo a nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São horas de ver o mundo&lt;br /&gt;Entrar por ele a gritar&lt;br /&gt;Agarrá-lo com as mãos&lt;br /&gt;Ajudá-lo a girar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho o tamanho do céu&lt;br /&gt;E vontade de aprender&lt;br /&gt;Levantei-me mais um dia&lt;br /&gt;Mais um dia para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta manhã de domingo&lt;br /&gt;Eu respiro o novo ar&lt;br /&gt;No infinito do mundo&lt;br /&gt;Hoje marquei um lugar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Dedicado ao meu Pai)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-6782156198486439984?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/6782156198486439984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=6782156198486439984&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6782156198486439984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/6782156198486439984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/01/domingo-de-manh.html' title='Domingo de manhã'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_uEXoPuRXlo0/RbKrF2D-dJI/AAAAAAAAAAM/zPZxlwl4Imk/s72-c/scan2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-5105599908697042618</id><published>2007-01-16T02:01:00.000Z</published><updated>2007-01-16T02:20:02.167Z</updated><title type='text'>Durante o sono…</title><content type='html'>&lt;strong&gt;No dia à dia, nas noites que os separam, o dia, do dia. Em todos os instantes, suplicantes do impossível, pedintes do improvável, com pena de si e da vida guardam as portas, as de entrada e as de saída, cada coisa no seu lugar. Para além do torcer a maçaneta, do empurrar da madeira existem fins de séculos, fins de milénios, acontecimentos apocalípticos, génese de algo, códigos que são o que são…E o leite no copo pela manhã, o dedo sujo de manteiga…Na tua mão…Meiga. E tu frágil de remorsos egoístas…Não! Não posso sentir por ti, posso fazer um esforço, uma tentativa, uma aproximação, até posso fingir!...Mas sentir?...Não!&lt;br /&gt;Foi no dia em que nos chamaram “fascistas”? Ou seria “comunistas”?&lt;br /&gt;Transparente, talvez translúcido, entre a ausência e a sabedoria, nos opostos que nós fomos, nesse desassossego da conquista, quando acreditamos que podemos possuir pessoas…E não é verdade. Não se possuem pessoas…Eu não te consegui possuir…Pergunto que horas são e o que isso significa, de pecado, de miséria, de esperança, de sorrisos, dos bons e dos maus, de tudo o que faz o teu gesto, esse delicado mecanismo, piano de luxo em noite de estreia. Sempre o pecado, a pequena vingança, presos do que prometemos a nós próprios, pela nossa honra…Amanhã não há hora de saída. No espelho já não estou todo…Como um todo…Perdi algumas partes…Faltam-me bocados…Fragmentos de ti…De ti quando eras em mim…Tudo…&lt;br /&gt;Que tal voar um pouco…Entre dois trapézios de gaiola…Fugiste?&lt;br /&gt;Larguei a mecânica no parque. Vou subir…O prédio é novo…O elevador espera por mim, convidativo, de portas abertas, demasiado abertas. Estás em casa? Eu quero que tu estejas em casa…Fui pelas escadas ou pelo elevador? Já não me lembro, foi tudo tão rápido …Cheguei a dizer que te amava?...Quem era o outro? Cheguei a saber o nome dele?&lt;br /&gt;Não posso entrar…Alguém no meu lugar…Lembras-te das torradas que eu te fazia? E do café com leite? Lembras-te de mim a pegar na cafeteira, a acender o fogão, a pôr a mesa?...E o sol? Lembras-te do sol…A entrar…Morno da manhã, sem forças para queimar?...O bem que me fazia poder ser gentil para ti, agradar-te…Alguém no meu lugar…&lt;br /&gt;Estou sozinho em frente a uma porta…O mundo da Alice, sem coelhos, sem o homem do chapéu, sem a rainha de copas…Apenas o túnel…O escuro que me separa do deserto…O voo desnorteado, as razias vertiginosas, eu próprio o animal, voando sem asas e depois a queda…A queda sem fim…Um travo de morte na garganta…Um silvo agudo, guincho do diabo…O corpo suado na cama…A mulher ao lado…Bela como sempre…Malditos pesadelos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota do autor:&lt;br /&gt;Este sonho perseguiu-o e refinou-se até ela o deixar…foram necessários doze anos…&lt;br /&gt;(Ficção)  &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-5105599908697042618?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/5105599908697042618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=5105599908697042618&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5105599908697042618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/5105599908697042618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/01/durante-o-sono.html' title='Durante o sono…'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-1229647281005357770</id><published>2007-01-08T19:33:00.000Z</published><updated>2007-01-09T21:31:19.809Z</updated><title type='text'>Urbe V</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Passou a tarde a observar a Carmem, a pensar na Teresa a juntá-las, fundi-las numa só, filha e mãe, mãe e filha. Agora sim reparava no cansaço, uma fadiga elegante de disfarce, dissipada nos gestos, diluída nas expressões faciais, no entanto evidente, pelo menos para a mãe. Será este “sexto sentido” o segredo de ser “Mãe”, sentido, segredo, magia e prático, eficiente. Imaginou-a mais velha, como a Teresa, imaginou a Teresa mais nova, como ela. Do seu ponto de vista, ambas as mulheres eram atraentes e ter consciência disso deixava-o nervoso. Há muito que não se sentia assim, atraído, duplamente atraído. Se queria cumprir com a sua palavra teria de pôr prioridades na acção e a primeira delas exigia de si alguma subtileza. Foi com muitas dúvidas que começou a conversa com a Cármen, “Estás cansada? Mesmo cansada ficas bonita…”, pergunta com resposta sabida preparando o desabafo, “…Ficas bonita…”, que não a deixou indiferente. Ficou mais frágil, baixou a guarda, primeiro os olhos que olharam doutra maneira, depois as palavras, “Obrigado! Só tu para me alegrares o dia.”. Eram três e meia da tarde quando esta conversa teve lugar. O Ricardo não a foi buscar e ela saiu com o Osvaldo. Foram a uma pastelaria lanchar, “Pago eu!”, disse ele, ela sorriu, quase que riu, “Está bem!... Eu ia na mesma.”, também ele sorriu. Foi entre bolos e sumos que ela lhe confidenciou os tempos menos bons que estava a passar, o dinheiro que não chegava, para a casa, para água, para a luz…Para o vício…“She don’t lie…”, para os vícios do Ricardo, o Ricardo que pouco fazia além de se julgar actor, dormir lá em casa, comer lá em casa, drogar-se lá em casa com o dinheiro dela e que ultimamente já nem a procurava e trazia na roupa outros cheiros rivais. O Ricardo que ela uma vez apanhou na sua cama com um colega de trabalho, coisas de actores, que a convenceu a ficar, a cheirar, a beber com eles. Aquelas duas semanas de baixa, sem sair de casa, sem dormir…Comecei a cheirar todos os dias, mas não me injecto!...Fico em casa a ouvir música, a escrever, a desenhar…O dinheiro não chega…Somos dois a gastar e só um é que traz dinheiro para casa…&lt;br /&gt;A mãe acertara em cheio. Ela estava desesperada, não tinha experiência e poderia dentro de pouco tempo forçar-se a decisões perigosas. Para já a oferta de ajuda. Levou-a para sua casa, para lhe passar um cheque com o seu nome. Nessa noite compraram uma pizza e beberam garrafa e meia de vinho alentejano. Sentaram-se no seu sofá da sala, ligou o som da aparelhagem, baixo, uma guitarra acústica, sem vozes, só guitarra, ela sentada no sofá e ele que se sentou junto dela, abraçou-a, ela abraçou-o…Acordaram na cama dele, com o mesmo abraço, a mesma ternura, o mesmo desejo carente.&lt;br /&gt;A vida não mudou, ela ainda gostava do Ricardo, do vício. Ele teria de acelerar o encontro com a mãe dela. Após três contactos pessoais com Teresa, garantiu-lhe um encontro com Carmem, seria em casa dele.&lt;br /&gt;O encontro deu-se à noite. Ele estava em casa com a Carmem quando a Teresa apareceu, maternal, linda de ternura, “Esta senhora precisa falar contigo…Confia em mim”, “Sim!”, “Vou sair. Volto às onze.”. Quando voltou não encontrou ninguém. No dia seguinte a Carmem não foi trabalhar, falava-se em carta de despedimento. O telemóvel não atendia, a casa dela desabitada. Assim foi durante seis meses. Custou-lhe a falta da Carmem, chegou a arrepender-se, o que poderia ele fazer. Uma noite recebeu um telefonema, era a Teresa, pedia desculpa, estava em Itália e levara a filha com ela, estavam bem, “Não se preocupe que você fez o que tinha de ser feito. Ela está aqui ao pé de mim e quer falar consigo.”, “Osvaldo?”, “Estás bem Carmem?”, “Estou! E tu?”, “Porquê tão depressa, sem palavras, sofri…”, “Eu também!”, “O que é que a tua mãe te disse para teres decidido tão depressa, sem um adeus?”, “Disse-me que ambas tínhamos o mesmo pai, que éramos uma espécie de irmãs com mãe diferente, que a diferença era ela ser minha mãe.”.&lt;br /&gt;Despediu-se dele e prometeu que um dia o visitava. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele chorou...Chorou com pena de as perder, a elas que se tinham reencontrado. Foi um choro interior, que se desfez com imagem das duas mulheres, felizes, em Itália.&lt;br /&gt;Adeus Carmem, adeus Teresa, por mim levanto-me ás seis e vou trabalhar!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FIM!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-1229647281005357770?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/1229647281005357770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=1229647281005357770&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1229647281005357770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/1229647281005357770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/01/urbe-v.html' title='Urbe V'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-7617169183995218752</id><published>2007-01-03T15:31:00.000Z</published><updated>2007-01-03T15:33:33.331Z</updated><title type='text'>Urbe IV</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Na rua os ruídos, sonoridades da vida que a percorre e que o acalma, atrasa o passo, reduz o batimento cardíaco. Mistura-se e deixa-se levar até à porta do café, entra, a ansiedade marcada no olhar…Este que o abandona na procura rápida de uma mesa, que o alerta para o objectivo, ali está uma! Mesmo junto à janela!...Senta-se rápido, um pouco brusco, um guinchar de cadeiras que provocou expressões de desagrado na cara dos restantes clientes…Que se lixe! Estou sentado…Agora é só esperar a poeira assentar e…Esperar…Esperar olhando para a porta, olhando à volta…Ainda bem que trouxe um livro, o livro que dissimula o errante esforço de observação…Meu bom amigo “A Curva do Rio” que ando a ler mais uns dois ou três “Bons amigos”, mas que hoje não me fazem companhia, hoje é Naipaul que me conta uma história de Africa, de imigrantes, de revoluções, sonhos, poder, prepotência e da beleza oscilante entre o amargo e doce, vontades do homem, vontades do clima, o que faz uma terra ser “terra”.&lt;br /&gt;Reflexões de quem lê sem ler, de quem atropela as palavras perdendo-lhe logo o sentido, repetindo leituras que a concentração não deixa terminar, apontada que está na direcção da porta. No relógio de pulso os ponteiros marcam treze horas e quatro minutos…Mas ele tem sempre o relógio adiantado cinco minutos.&lt;br /&gt;O empregado chama-o, pergunta-lhe se é o costume, “A sopa hoje está muito boa, da grossa…Vão uns croquetes ou uns rissóis? …Uma cerveja?”, “Não quero cerveja, hoje quero um sumo…De laranja!”……”Boa tarde! Posso sentar-me e fazer-lhe um pouco de companhia?”….”Claro!...Esteja à vontade!...”&lt;br /&gt;O gesto desajeitado, nem se levantou nem ficou sentado num misto de apanhado fotográfico, atordoado pela voz, pela surpresa, pela imagem daquela mulher que tão gentilmente lhe pedia permissão…Lhe pedia permissão…Uma mulher mais velha que ele mas bem tratada, bonita, bem cuidada, bem vestida sem tentar iludir idades confiante do seu valor…Foi pelo menos essa a imagem que lhe ficou e assim se manteve quando ela recomeçou a falar , “Espero não o ter deixado assustado. Como vai ver o assunto interessa-me de uma forma especial pelo que considero um favor o facto de ter aceite o meu convite…Obrigado!”, acenou com a cabeça, fez que sim, mas não conseguiu responder e ela continuou, “O assunto é sobre uma pessoa de quem gostamos muito, da Carmem!”, esperou um pouco, aguardou alguma reacção e continuou. Ele ouviu tudo, acenando nas interrupções. Ouviu a primeira confissão, “Eu sou a mãe da Carmem!”, ele que sabia da Carmem viver com pais adoptivos, desconhecedora dos seus progenitores. Ouviu-lhe um nome, “Maria Teresa d’Almeida e Castro, Maria Teresa como a minha avó e de quem a família herdou a fortuna.”. Ouviu-a falar da gravidez indesejada, de ter dezoito anos, de ter tentado esconder, do parto em dificuldades, da decisão em entregar o bebé para adopção para poder voltar para casa, ela que decidiu na cama do hospital sob o efeito de sedativos e na presença do advogado da família, enquanto tentava curar uma anemia que lhe ia tirando a vida. Ela que decidiu sem saber que havia ficado estéril. Contou que casou, saiu de casa com um homem bom, que foi o primeiro de três que não aguentou. Do suícidio do pai, do internamento da mãe e finalmente da decisão de vir revelar-se à filha. Havia oito meses que a havia encontrado através de um detective privado e de algum dinheiro na instituição de adopção. O nome da instituição foi um presente da sua mãe num dia de crise. Havia oito meses que lhe conhecia a vida, que soubera da rotura com um namorado que lhe batia, que o Osvaldo a levou a casa várias vezes durante esse período, que chegou a dormir lá até….”Sempre como amigos que ela nunca quis nada comigo.”, “Eu sei!”, “Sabe!”, “Vejo-o nos seus olhos!”…Até aparecer este novo rapaz, o Ricardo…”Parece-me bom rapaz!”, “Anda a enganá-la e leva-lhe todo o dinheiro, ele também não tem culpa…Anda perdido...E ela também já lá caiu…Por isso preciso de si…Peço-lhe desculpa por ter mentido, mas se calhar não foi totalmente mentira…você gosta da Carmem…Eu também…Até agora não tive coragem para me revelar, mas perante esta situação…Não a queria perder outra vez!”.&lt;br /&gt;Osvaldo não sabia o que dizer, “E que ajuda posso eu dar?”, “Mostre-se atento e pergunte-lhe se ela precisa de alguma coisa…Ela está sem dinheiro…Vai-lhe pedir de certeza um empréstimo e você vai-lhe emprestar o que eu lhe vou dar.”, “E depois?...”,&lt;br /&gt;“Depois tenho de me encontrar com ela em sua casa e você vai fazer com que isso aconteça”.&lt;br /&gt;O Osvaldo que quase nada disse, aceitou um cheque, aceitou esperar por um telefonema e comeu a sopa fria, os croquetes sem graça, escapou o sumo…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Cont.)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota do autor: eu prometo que acabo para a próxima...&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-7617169183995218752?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/7617169183995218752/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=7617169183995218752&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7617169183995218752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/7617169183995218752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2007/01/urbe-iv.html' title='Urbe IV'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-4045512607815393490</id><published>2006-12-27T23:42:00.000Z</published><updated>2006-12-27T23:43:39.505Z</updated><title type='text'>Urbe III</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Acordou sem rebanho, não seguia nenhuma caravana e do deserto só o calor das mantas com que se cobrira. Levantou-se depressa enxotando ideias e profecias. Foi uma manhã normal, de sentido único, na direcção da urbe que o esperava sem especial necessidade. Levou um livro debaixo do braço e ele lá ficou, inerte, sem forças para se abrir. Chegou a horas aonde tinha de chegar e só nesse momento recordou a voz feminina que lhe marcara a noite anterior. Procurou abstrair-se ligando-se à informática bancária, despachou serviço, autómato numa linha de montagem, sem ver, utilizando a rotina memorizada, encharcou-se em números, percentagens, planos disto e daquilo, contas para os outros e de outros que não ele. O relógio de pulso marcava passo, nove e trinta, nove e trinta e cinco, nove e quarenta, nove e quarenta e um, assim não vou longe… A máquina de café tão longe, ele tão longe, tudo tão longe e os números a precisarem da sua atenção, a solicitá-lo exigindo-lhe cálculos de destreza automática…”Osvaldo, queres um café?”, “Não…Sim…Quero sim!”, a voz da Carmem trazendo-o pela mão à rotina da agência, a voz doce da Carmem. Por segundos fecha os olhos e imagina-se longe, com aquela voz. Os segundos são o que são e não são o mesmo para todos, ele viajou, ela não e já lhe trazia um copo de plástico, branco e fumegante. Pegou-lhe com três dedos e deixou que este os aquecesse…Como a areia do deserto, do deserto que ele era, sem areia. Porque será a pele dela tão branca, deliciosamente branca, “Bebe o café senão fica frio!”, “Sim…”, ela já não ouviu o sim, o sim que se diluiu no seu perfume, como nos anúncios de televisão, ele o figurante perdido, a personagem fugaz, o relance humano de sentimentos banais e no entanto profundos. Nove e cinquenta, nove e cinquenta e um, o chefe que o chama e ele sem ouvir, sem ver, olhando sem ver, “Vou já!”. “Preciso que me faças o relatório…” e o relatório que ele aponta distraído num bloco de notas com o logótipo da instituição, lembra-te de quem te paga, lembra-te…E ele lembra-se da voz feminina do outro lado da linha, dez e trinta, dez e…Hoje vou almoçar mais cedo, a quem dirigiu ele esta declaração de intenção, ao chefe, à Carmem que espera pelo namorado, à dona Esmeralda que hoje o estranhou mas não teve coragem para lho dizer, ao irritante Ricardo que tudo faz para agradar, “Queres que te ajude nalguma coisa?”, “Não!”, seco como o deserto que ele deixou, no sofá…Ao longe uma septuagenária discute com o caixa…O senhor André precisa de um empréstimo, crédito fácil…Ao longe a velha mulher tenta fazer entender-se…No ecrã alguém que precisa de um carro novo, o senhor André? Não esse já tem carro novo!&lt;br /&gt;Onze horas e quatro minutos, “Não falte, ficaria bastante desiludida.”, não faltarei, eu quase nunca faltei…Ou faltei?...Onze e quinze…Tira o relógio do pulso e volta a colocá-lo…No pulso…Hoje vou almoçar mais cedo, está decidido, já estava decidido. Lá fora o ruído dos automóveis é apelativo, quase metafórico, liberdade que rola e desaparece…Talvez para o deserto…Merda mais o deserto!&lt;br /&gt;Meio-dia, tanto que demorou o meio-dia, minuto a minuto o meio-dia é muito mais que meio-dia…O trabalho avança sem erros, ele espera que sim, ele precisa que assim seja, as coisas não estão fáceis e ele não deve falhar…O ponto da situação, mais de três horas sem se levantar e o ruído lá fora, por detrás da enorme vitrina que o deixa ver…O ruído lá fora e o relógio a dizer-lhe, meio-dia e trinta…”Acabei o relatório!”, eis a comunicação, eis a chave libertadora, “Hoje preciso de ir mais cedo…Tenho de tratar de uns assuntos…Pessoais…”, como quem diz , não me chateiem, deixem-me em paz e não me peçam explicações…Pega no casaco e sai…São doze horas e quarenta e cinco minutos.&lt;br /&gt;(cont.) &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-4045512607815393490?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/4045512607815393490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=4045512607815393490&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4045512607815393490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/4045512607815393490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/12/urbe-iii.html' title='Urbe III'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-3591201106851372301</id><published>2006-12-16T01:55:00.000Z</published><updated>2006-12-17T23:02:00.094Z</updated><title type='text'>Urbe II</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Olhou-o com desprezo, incomodado com o apelo incógnito. Deixou-se cair no sofá procurando abstrair-se, pausa, toque, pausa, toque, pausa, toque, merda, nunca mais se cala. Estava quase a desistir quando o outro se rendeu. Agradeceu o silêncio e fechou os olhos, adormeceu sem dar por isso. Já era noite quando acordou, o corpo entorpecido, os músculos com cãibras, o estômago faminto, a boca seca e um arrepio que lhe fez pensar na morte. Não foi desta que me levou. Deixou que os olhos se habituassem à penumbra, apenas cortada pelos reflexos néon que vinham de fora pela janela da sala, intrusos luminosos lembrando que do outro lado ainda existia vida. Os objectos ganhavam dimensões e ele foi-os observando com dormência. Procurou pelo comando da televisão afagando o espaço vazio ao seu lado. Sentiu-o na mão, familiar, botões conhecidos dos seus dedos. O ecrã iluminou-se com um estalido seco e retirou de imediato o som. Desfilou canais e imagens numa cadência que parecia programada, para a frente, depois para trás e novamente para a frente. Largou o comando saturado de tanta inércia e dirigiu-se para a cozinha. Estava arrumada, tudo parecia em ordem e isso espantou-o por momentos até reparar num bilhete em cima da mesa. A mulher que lhe fazia a limpeza da casa tinha estado lá e recordava-lhe o número de horas de trabalho que ele tinha de pagar. Abriu o frigorífico e descobriu desalentado que não fora ao supermercado. Restavam-lhe duas fatias de queijo, alguns iogurtes, meio pacote de manteiga e seis cervejas de lata. Tirou o queijo e uma cerveja, na caixa do pão três fatias com mau aspecto seriam o revestimento de uma refeição improvisada. Não chegou a sentar-se e a segunda cerveja acompanhou-o à sala. Tirou o casaco mas sentiu frio e foi buscar uma manta. Deitou-se no sofá e cobriu-se com ela. Assim ficou até o telefone tocar outra vez. Olhou para o relógio de pulso, duas da manhã, quem seria a esta hora? Levantou-se com esforço e pegou no aparelho, “Está? Quem fala?”, “Estou a falar com o sr. Osvaldo Garcia?”, “Sim é o próprio!”, a voz feminina era de uma mulher madura, educada, que pausava as palavras e as proferia de um modo correcto, como a sua professora de português no primeiro ano do liceu por quem teve uma paixão avassaladora, adorava a sua voz. “Eu sei que você não me conhece, mas tenho um assunto para tratar consigo que decerto o vai interessar.”, “Sim…”, “Seria possível encontrarmo-nos amanhã à hora de almoço? Suponho que tenha hora de almoço na agência bancária?”, “Como é que sabe onde trabalho?”, “Da mesma maneira que sei outras coisas sobre si. Encontre-se comigo e verá que não se arrepende.”, “E onde será esse encontro?”, “Decida você!”, “Eu costumo almoçar num café ao fundo da rua…”, “Pode ser! Estarei lá à uma em ponto. Não falte, ficaria bastante desiludida.”, “Esteja descansada que lá estarei…”. A chamada acabou tão repentinamente como tinha começado. Ela pode ter ficado descansada, o mesmo não se passou com ele. Porque raio aceitou encontrar-se com aquela mulher, uma desconhecida. Experimentou várias sensações, teria sido o sono, o cansaço ou simples curiosidade? Agora não interessava, a decisão estava do seu lado, pelo menos assim o pensava, esquecido que estava do facto daquela mulher saber tanto sobre ele e poder controlar os seus movimentos. Procurou distrair-se lendo um livro sobre religiões. Quedou-se sobre a vida do profeta Maomé, Maomé, filho de Abd-Alá, nasceu em Meca no ano de 570. Fazia parte dos Haqmitas, ramo dos Coraixitas. A sua família parece que não foi das mais importantes da cidade. Sua mãe, Amina, Já viúva quando ele nasceu, vivia em condições bastante precárias. Conheciam muito pouco dos seus primeiros anos, visto que a lenda, encarregando-se aqui, como em toda a parte, de preencher lacunas da história, bordou numerosas narrativas sobre o tema da infância do Profeta, de sabor mais ou menos poético. O que entretanto parece estabelecido é que a criança foi entregue a uma ama beduína, de seu nome Halima. Era costume dos ricos mercadores de Meca confiarem os filhos, nos seus primeiros anos, a árabes do deserto. Embora com poucos recursos a família de Maomé não quebrou a tradição.&lt;br /&gt;Pouco depois sua mãe morreu; durante algum tempo o pequeno órfão viveu junto de seu avô, já octogenário; depois foi recolhido pelo seu tio Abu-Talib. Este último, segundo parece, não devia ser rico, porque se conta que Maomé precisou de tomar a profissão, pouco considerada, de pastor, tendo um modesto lugar no pessoal menor das caravanas de comércio.&lt;br /&gt;Também ele era órfão desde tenra idade. Adormeceu imaginando-se no deserto, pastor como o profeta. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-3591201106851372301?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/3591201106851372301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=3591201106851372301&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3591201106851372301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/3591201106851372301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/12/urbe-ii.html' title='Urbe II'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116594634146610057</id><published>2006-12-12T17:58:00.000Z</published><updated>2006-12-12T22:31:36.266Z</updated><title type='text'>Urbe</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Seis da manhã, ele acordou, o sol não. No escuro do quarto os números digitais iluminam-lhe a hora. A boca está seca, os olhos também. Torpor que se desvanece, consciência que retorna ao corpo cansado. Foram duas as horas dormidas, porquê o despertar, o despropósito matinal de quem não descansou o suficiente. A roupa que despiu encontra-se arrumada, anormalmente arrumada. Na mesa um copo meio de água. Estende a mão ao interruptor, acaricia-o e hesita, espera pela reacção ocular, desiste do interruptor. Sabe mover-se no escuro, sabe da casa de banho no escuro e encontra-a. A sanita, a banheira, o chuveiro e a água quente…Que bem que lhe sabe a água quente, sangue de lagarto aquecido, fluido interno que lhe lembra a vida. Todos os dias são dias de trabalho, dias de viagem, peregrinação à cidade. Hoje o comboio? O carro? Melhor o comboio. As ruas enchem-se de pessoas, sentidos únicos, cada um com o seu. Estações, paragens de autocarro, ruas e estradas, o mecanismo recomeça. Sem dar conta hoje é ontem e ontem será amanhã e a gravata está desalinhada, o casaco que cobre a camisa pede lavandaria. Lisboa chega sem ele pedir e ele não pede para entrar. Mais estações, mais ruas e prédios e a agência do banco. Sabe de si pelo olhar dos colegas…Isto está mal, nem a barba que lhe custou a fazer o safa, o comprimido que tomou para acordar ainda não se mostrou no seu efeito milagroso.&lt;br /&gt;Está sentado por detrás de uma secretária, tenta organizá-la, organizar-se, mentira que mantém durante cinco minutos, tudo está estabelecido, as ordens são claras e o gerente já lhe disse o que pretendia. Rende-se, abre a gaveta e tira um molho de processos, empréstimos de todos os tipos que precisam ser avaliados antes de chegar ao chefe. De longe a dona Esmeralda procura-o com o olhar tentando captar a sua atenção, consegue-o e ele rende-se. Também ela precisa de ajuda, a idade não ajuda e espera paulatinamente pela reforma. “Ajudas-me nisto? Não percebo nada desta porcaria”, aponta para o monitor, para uma janela de erro, teimosa, que não se deixou intimidar pelas sucessivas escapadelas. “Dá-me só um minuto.”, buscou uma cadeira de uma secretária vazia onde já tinha trabalhado alguém, agora é de todos, à vez, redução de custos que a tanto obrigas, maldita produtividade. O problema não era complicado, um conflito manhoso de um programa mal dimensionado, fecha-se a aplicação e reinicia-se o computador, “Tinhas salvo o trabalho?”, “Estava agora a começá-lo.”, “Um beijo Esmeraldinha.”, “Obrigado meu filho, és um anjo.”, voltou para o seu lugar, desperto, bem consigo próprio pela ajuda prestada aquela velha senhora que tanto o considerava.&lt;br /&gt;Sente falta de um café, a nicotina está domada e já só precisa dela depois das refeições, há quem o inveje por isso. A máquina encontra-se ao fundo da ampla sala, não muito longe de uma máquina de fotocópias de última geração cheia de ruídos suaves e estalidos discretos. A Carmem tira fotocópias com um olhar atento ao visor. Sem se voltar murmura, “Vais tirar um café?”, “Vou!”, “Tira dois.”. Sim a Carmen é uma bela rapariga, a mais nova, ele tenta agradar-lhe sempre que pode. Tem a pele bonita, branca, de um branco que lhe lembra as figuras gregas dos livros de história, lisa, sem nódoas ou marcas que lhe estraguem a matriz. Tem uns olhos sinceros, tão sinceros que não foi preciso tentar para saber que não tinha hipóteses, que pena. A diferença de vinte anos não perdoa a quem não é rico e tem de competir com o belo rapaz que a costuma ir buscar por volta das cinco. “Toma! Se não estiver bom eu tiro-te outro.”, “Está óptimo! Obrigado!”. Finalmente começa o seu trabalho. Por volta da uma da tarde tem metade dos processos revistos. Não vão almoçar todos ao mesmo tempo, revezam-se e ele dá uma mãozinha à Carmem para ela ir comer com o Ricardo, o namorado. Ficou na caixa até às duas e só depois foi para o café onde esperavam por ele uma sopa e dois rissóis. Ainda teve tempo para um bolo, um café e um cigarro. Não admira que as análises estejam uma porcaria, o médico já o avisou, você tem de se alimentar como deve ser.&lt;br /&gt;A vida de solteiro também não ajuda e os jantares são uma mistura de álcool com gorduras em quantidades desaconselháveis, “Olhe o coração! Os acidentes cardiovasculares são cada vez mais frequentes em pessoas na casa dos quarenta!”, “Eu sei doutor!”, “Se sabe não parece…”, conversa repetida nestes últimos dois anos.&lt;br /&gt;Na parte da tarde foi falar com o chefe, tinha noção de ter avançado bem mas não tinha a certeza de ter sido o suficiente para não ficar até mais tarde. Entregou os papéis, explicou os casos mais complicados, os que precisariam de uma segunda avaliação, dos outros, os mais simples, garantiu serem rentáveis à instituição. Esperou numa ansiedade contida, algo que os anos lhe ensinaram, “Está tudo bem. Amanhã logo vemos o resto.”, isto significava que depois de fechar o balcão só teria de ficar mais uma hora. O trajecto para casa pareceu-lhe uma eternidade, a porta de casa o paraíso. Ainda não se tinha sentado quando o telefone tocou.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(cont.)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116594634146610057?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116594634146610057/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116594634146610057&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116594634146610057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116594634146610057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/12/urbe.html' title='Urbe'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116548203580187905</id><published>2006-12-07T08:56:00.000Z</published><updated>2006-12-07T09:00:35.816Z</updated><title type='text'>I</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nasci pequeno&lt;br /&gt;Do tamanho que se quer a quem nasce&lt;br /&gt;Pela barriga com o cordão ao pescoço&lt;br /&gt;Moniz contemporâneo entregando a ponta ao destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da árvore do nascimento&lt;br /&gt;Até ao chão do pomar&lt;br /&gt;Sente-se o calor da fermentação&lt;br /&gt;Fruto de sabor alcoólico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maçã negra de Inverno&lt;br /&gt;O Inverno existe em pensamento&lt;br /&gt;Pensamos em chuva e chove&lt;br /&gt;O que nos faz pensar em tanta água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rebelde cinzento, como se existisse o cinzento&lt;br /&gt;Como se cor fosse cor&lt;br /&gt;O olho detecta o câmbio&lt;br /&gt;O passar de um estado a outro&lt;br /&gt;E a outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado o passado&lt;br /&gt;Todo ele coisas internas&lt;br /&gt;Sensações&lt;br /&gt;Partidas&lt;br /&gt;Travessuras de uma memória devassa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escorre em mim essa água interior&lt;br /&gt;Enxurrada que desagua em rios menores&lt;br /&gt;Capilares que se perdem em extremidades de vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quatro elementos&lt;br /&gt;O Ar&lt;br /&gt;A Terra&lt;br /&gt;O Fogo&lt;br /&gt;E o Éter que justifica o desconhecido&lt;br /&gt;Meu caro Mendeliev que os atirou prá tabela&lt;br /&gt;Cento e tal coisas que aprendi com medo de não entender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do fogo tenho noções&lt;br /&gt;Aquecimentos que me fazem companhia&lt;br /&gt;De dia&lt;br /&gt;De noite o calor é outro&lt;br /&gt;Desassossego&lt;br /&gt;Aperto o lençol da cama como se fosse minha mãe&lt;br /&gt;Mas não sou&lt;br /&gt;Sou eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a cama é cama&lt;br /&gt;É a ideia que dela ficou&lt;br /&gt;Da cama e de tudo o resto&lt;br /&gt;Do berço que não me lembro mas sei que existiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fada madrinha&lt;br /&gt;Anjo da guarda que eu guardo debaixo do colchão&lt;br /&gt;E a mão que lá o colocou&lt;br /&gt;Era eu menino&lt;br /&gt;Talvez nem isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorme bebé vem fazer ó ó&lt;br /&gt;Dorme, dorme meu menino&lt;br /&gt;Agora que já és homem&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116548203580187905?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116548203580187905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116548203580187905&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116548203580187905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116548203580187905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/12/i.html' title='I'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116517247341471316</id><published>2006-12-03T18:54:00.000Z</published><updated>2006-12-04T11:31:28.536Z</updated><title type='text'>Um cão, uma rua e mais qualquer coisa…</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sou um cão, chamam-me “Benfica” e dou-me pelo nome. Nas ruas onde nasci, vi crescer crias humanas, pequenos rebentos que dos braços das mães passaram para carrinhos de bebé e dai para o chão. São eles que eu sigo para todo o lado, conheço-lhes as portas, as portas para onde os sigo no fim do dia, as portas onde espero por eles nas manhãs. O Paulo Jorge, o Dado, o João, o Carlos do “lugar”, o Zé Alberto, o Mário Rui, o Rui “Gordo”, duma ponta à outra da Alexandre Salles. Houve uma altura em que andavam sempre na rua, agora só quando o sol começa a descer. Falam da escola, falam de clubes e grupos e eu sento-me e ouço, gosto de os ter por perto, gosto deles, dos seus risos, das suas festas, das suas brincadeiras. Sei que estou ficando velho, por algum motivo que desconheço eu vou perdendo as forças e eles vão ficando cada vez maiores. Gosto de duas cadelas, não preciso ir muito longe quando me sinto inquieto, a “Flecha” e a “Vaidosa”. Disputo-as com outros cães que vêm de longe, alguns de muito longe. Sempre lutei pelo que precisava, sou orgulhoso e defendo o meu território. Sei que muito do meu esforço foi morto ou perdeu-se nas ruas sem eu saber porquê, no entanto um dos últimos esforços foi premiado. Soube pelo Paulo Jorge que o grupo queria fazer um clube, fui atrás deles quando escolheram o sítio, as traseiras dos prédios, via-se o comboio passar a ponte e ouvia-se melhor a sirene que todos os dias tocava quando o sol estava a pino. Desprezaram uma árvore e dois outros lugares que alagavam durante o Inverno. Meteram mãos à obra roubando materiais das obras que iam sendo feitas no imenso descampado que separava a rua do caminho de ferro. Mais tarde soube que pertenciam à futura escola preparatória. Vi o Paulo furar o pé num prego e trazerem as tábuas de arrasto com ele, passei tardes a ouvir cavar e martelar, vi a casa…”O Clube” tornar-se abrigo, com telhado, com janela e com porta de senha para entrar. Nasceram por essa altura quatro filhos meus do ventre da “vaidosa”. O “Nero”, parecido com a mãe era gordo e com pelo louro que se adivinhava longo, o “Lorde”, magro e de pelo curto de um castanho indeciso, destinado a substituir-me e mais dois que nunca vi. A “Vaidosa” tinha dono, tinha donos, moravam numas barracas junto aos prédios novos onde os meus amigos costumavam ir para comer pevides, amendoins e tremoços em troca de algum trabalho, trabalho ligeiro a ensacar essas coisas que me ofereciam e de das quais eu nunca gostei. Também eles não gostaram desses quatro cachorros, os primeiros duma cadela que sempre protegeram. Ao “Nero” arranjaram logo dono, era bonito e prometia ser um belo animal. Ao “Lorde” foram os meus amigos que o salvaram, comprando-o por doze e quinhentos, dinheiro tirado às suas economias a bem do clube que haviam formado, ouvi falar do clube dos sete mas nunca percebi bem porquê…Dos outros dois adivinhei-lhes a morte…Não havia lugar para bocas a mais.&lt;br /&gt;Um dia fiquei doente, talvez velhice, ou coisa que comi, os olhos envidraçaram-se e as moscas seguiam-me para todo o lado. Deixei de comer e os miúdos percebiam-me moribundo…Alguns chegaram a chorar…Abalei para morrer sozinho…longe…Para os lados da Damaia…Numa casa abandonada…Tive uma vida de cão, cão completo, com filhos e amigos que recordo. Tenho pena de não os ter visto crescer, mas sei que fui feliz por ter partilhado com eles tantos momentos…Momentos que me ajudaram a partir…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: A história é verdadeira, os nomes também…O pensamento do animal é da minha imaginação....&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116517247341471316?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116517247341471316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116517247341471316&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116517247341471316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116517247341471316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/12/um-co-uma-rua-e-mais-qualquer-coisa.html' title='Um cão, uma rua e mais qualquer coisa…'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116484343835907024</id><published>2006-11-29T22:37:00.000Z</published><updated>2006-11-29T23:37:18.376Z</updated><title type='text'>Branco...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4433/2930/1600/547943/S3700003.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4433/2930/400/263135/S3700003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Branco…Eis o meu testemunho em branco…&lt;br /&gt;A minha parede roubada.&lt;br /&gt;Escrevam nela a revolta, a vontade de viver.&lt;br /&gt;Um abraço muito grande a todos os que lutam para ficar entre nós!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116484343835907024?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116484343835907024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116484343835907024&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116484343835907024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116484343835907024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/branco.html' title='Branco...'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116463934948682804</id><published>2006-11-27T14:55:00.000Z</published><updated>2006-11-27T14:55:49.506Z</updated><title type='text'>Por vezes estamos sem fazer nada...</title><content type='html'>Por vezes estamos sem fazer nada, preguiçosos da vida, preguiçosos de tudo. Levantei-me tarde, quase uma, e liguei o computador. Quase embalado no ruído do arranque da máquina, olhava para o ecrã. O ambiente de trabalho, os atalhos, os ícones…E eu adormecido, olhando as palmeiras de uma viagem às Caraíbas, quase sentindo o calor e a humidade daquele entardecer. Passaram alguns segundos, ou terão sido minutos? Não sei! Passou um pouco daquilo a que chamamos tempo…Quando não está a chover…Se estiver a chover o tempo é mau…Que merda de tempo…Chuva e vento e…Não estou a falar desse tempo…Desculpa…Onde é que eu ia?...Estive por momentos distraído de tudo, sim eu sei que liguei a máquina, mas liguei-a sem objectivo definido, talvez só para a ouvir trabalhar, agora que penso nisso até me parece um bom motivo, para de me interromper! Está bem…Levei a mão ao rato…Ao quê?...Já te disse para não me interromperes! Podes ficar ai, dentro de mim, mas sossegado, está bem?....OK!&lt;br /&gt;Liguei-me à net, Homepage, favoritos, alguns blogs e a minha irmã a recordar-se e eu a recordar-me, não com as suas recordações, com outras, minhas, de outras pessoas, de mim, de mim em casa com vinte e tal a ouvir música, sempre a ouvir música, já vos contei que tive um baixo assinado para me expulsarem do prédio…E isso interessa…Cala-te!...Sim a ouvir música e um dia toca-me à porta o João Paulo, era visita da casa, assim como muitos outros, amigos, amigas, eu vivia sozinho mas tinha a casa cheia, morava ao pé de locais de encontro e quando esse não acontecia a campainha tocava. “Quem é?”, “Sou eu!”, a voz familiar, hoje alegre e satisfeita, satisfeita por voltar a Portugal depois de umas vindimas no sul de França que não correram muito bem. “Entra, estava a fazer uma.”, “Tens mil paus?”, “Para que queres os mil paus?”, “Tens ou não tens?”, “Tenho!...”, “Dá-me lá os mil paus e não me faças perguntas…Eu venho já!”. Tinha confiança no João Paulo, havia respeito na nossa relação, identificávamo-nos nas revoltas, ânsias, ambos sem mãe…O que é que isso interessa?...Na altura interessava e ajuda a compreender a história. O João Paulo não tinha mãe, o pai era tenente coronel ou coronel e tinha uma irmã mais nova. Não gostava de estar em casa, vivia para o dia, se possível pedrado…Mas era o que todos faziam, ou quase…Porra cala-te! Deixa-me acabar que depois falo contigo.”. Adiante! Demorou uns vinte minutos até que voltei a ouvir a campainha, um dling-dlong fraco porque precisava de pilhas novas. Entrou radiante com um disco debaixo do braço, “Agora sim podes fazer-me uma!”. Dirigiu-se para o gira-discos sem me deixar ver a capa, escolheu uma música, levantou o som e inundou-me a casa de “Blues”, aquele blues do Texas, branco e acelerado, “Isto é Gary Moore, um gajo que foi guitarrista nos Thin Lizzy, agora toca Blues, conheci isto em França.”.  “Texas Strut” era o nome da faixa…E ainda é…Estou mesmo lixado contigo…&lt;br /&gt;Ouvimos o álbum todo e repetimos alguns temas, lembro-me de mim…Novo…A sentir-me velho ao ouvir “As the Years Go Passing By”.&lt;br /&gt;O João Paulo Morreu já há alguns anos, de overdose, vivia com uma moça bonita, as cores de Timor na pele, na Venda Nova, às portas de Benfica.&lt;br /&gt;Viu-o a última vez na estação dos comboios da Amadora, eu já trabalhava cá em baixo, tinha partido o carro e tinha de ir de camioneta. Bebemos umas cervejas e demos um abraço, gostava de lhe ter dado um abraço maior, “Vê lá se apareces.”, “Quando tiver carro é mais fácil, eu prometo.”, promessa que não cumpri, que nunca pensei cumprir, eu que fugi de Lisboa para fugir do Mundo e de mim, por isso está calado!&lt;br /&gt;Isto saiu-me mesmo assim e agora que estou acabando não sei se o deva postar…Não foi para isso que o começaste?...Foi, mas descambou e também por tua culpa!...Deixa-te de merdas, posta isso e vai almoçar…Desta vez tens razão…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116463934948682804?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116463934948682804/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116463934948682804&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116463934948682804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116463934948682804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/por-vezes-estamos-sem-fazer-nada.html' title='Por vezes estamos sem fazer nada...'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116419075409022028</id><published>2006-11-22T10:17:00.000Z</published><updated>2006-11-22T10:19:14.106Z</updated><title type='text'>Manias</title><content type='html'>mania (Lat. mania, proveniente do Grego mania, loucura), substantivo feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espécie de perturbação ou excitação caracterizada por aferro a uma ideia fixa;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(fig.) Mau costume; excentricidade; esquisitice; extravagância; desejo imoderado, excessivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que estou de posse de todos os dados posso responder de forma honesta ao desafio que me foi lançado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira – Tenho a mania que sou de esquerda (Espécie de perturbação ou excitação caracterizada por aferro a uma ideia fixa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda – Ainda fumo, ainda bebo, ainda… (Mau costume).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceira – Gosto de me isolar e andar ou então fechar-me e não falar com ninguém. São fases, manias (Esquisitice).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta – Tenho um desejo imoderado, excessivo por música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta – Imagino-me várias pessoas (Excentricidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que me ocorreu perante a definição de “mania” encontrada no Dicionário Universal da língua Portuguesa (Texto Editora).&lt;br /&gt;Muito mais ficou por dizer como seria de esperar perante a abrangência da palavra.&lt;br /&gt;Possivelmente todas as outras manias têm dias, umas vezes são, outras não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço à Isabel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116419075409022028?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116419075409022028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116419075409022028&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116419075409022028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116419075409022028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/manias.html' title='Manias'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116404929784983784</id><published>2006-11-20T18:57:00.000Z</published><updated>2006-11-20T19:01:37.893Z</updated><title type='text'>Caminheiro (O adeus)</title><content type='html'>Durante seis meses e até a obra acabar arranjaram sempre maneira de se encontrar a sós. A princípio momentos breves, o desejo era mais forte, depois as confissões, os passeios junto à ribeira, o risco que aumentava.&lt;br /&gt; “Sabes que fui violada quando estudava em Lisboa?”, cabeça baixa, cabeça alta, “Percebes? Tudo me correu mal.”. E ele escutou a história daquela noite, “Ele e os amigos…Os cabrões…Chorei tanto…”, a humilhação, os olhos negros, as escoriações no corpo, “Nunca mais fui a mesma…Tive de abortar, na altura era difícil e fiquei muito mal…Mas mesmo assim sobrevivi e consegui ter um filho do Pedro.”, “Gostas dele?”, “Gostei…Precisava de alguém…”, “Serei eu uma repetição?...”, “Não! Actualmente não estou tão frágil.”, “Talvez estejas mais amargurada…”, “Que sabes tu disso?”, “Estive preso quinze anos…Matei um homem…Por amor ou despeito ou outra coisa qualquer que me tirou o sono até eu lhe acabar com a vida.”, “Mataste um homem por amor?...”, “Por amor a uma mulher…Á minha mulher.”, “Foste…Traído?...Desculpa…”. Neste momento choravam os dois, em silêncio, com a água guardada nos olhos. “Perdi-os quando estava na prisão, primeiro o divórcio, depois o acidente…”, “Não vamos falar mais nisso…Vem cá…”, ele foi e tiveram-se como nunca se tinham tido.&lt;br /&gt;  A vida não é feita de felicidade ou infelicidade, a vida é feita de acontecimentos, eventos que nos colocam perante decisões, escolhas, das quais dependem outras que podem ou não interagir com futuros acontecimentos.&lt;br /&gt;  Foi este o caso. A principio o Pedro desconfiou, aquela súbita leveza e abnegação, mesmo quando lhe batia e violava, ele que tirava prazer do facto dela sofrer via com surpresa a cara sem expressão da mulher, quase um sorriso, um alheamento insuportável para ele. Mas o ciúme não o deixou dormir, uma dúvida de dentro, uma vontade de saber o que desconfiava e quase tinha a certeza, ele que conheceu tantas mulheres, algumas de outros. Seguiu-a num sábado depois de sair com um grupo de amigos e ter avisado que não vinha jantar. Nesse dia também o filho levou um beijo, não chegou a perceber porquê. Deixou os amigos por volta da hora do jantar, rondou a casa e viu-a partir, leve, ligeiramente apressada, quase saltitante…Apanhou-os, mas não teve coragem de aparecer, o outro era homem de trabalho, com o corpo treinado no desconforto da vida, seco, músculos fortes nas pernas e nos braços, sem serem grandes ou aberrantes intimidaram-no, a ele que tinha muita coragem quando estava bêbado ou acompanhado. Saiu humilhado daquela janela, daquele pequeno monte de uns amigos da Inês, do qual lhe haviam deixado a chave, “Para ver se está tudo bem, nunca se sabe!”. Chegou tarde a casa, depois de ter corrido todos os bares da região. Esteve com mulheres mas não conseguiu ir com nenhuma.&lt;br /&gt; Inês ficou muito mal tratada, chegou a ir ao hospital onde ficou um dia antes de regressar a casa com um braço ao peito e um sem número de negras e vermelhões.&lt;br /&gt;Não saiu durante um mês. Foi lá que soube de tudo o que havia para saber. A obra tinha acabado e aquele moço simpático que estava em casa da Dona Lúcilia tinha partido, o marido morreu uma semana depois, vítima de um acidente automóvel, o carro em que seguia capotou numa ribanceira e pegou fogo deixando irreconhecível o corpo do seu ocupante. Não foi ao funeral para ver os dentes que o identificaram…Deixou-se estar gozando do sossego, da paz e da saudade daquele homem. Centrou-se no filho, tinha finalmente hipótese de corrigir alguns erros…Desta vez não queria falhar…Que pena ele ter-se ido embora…Sem um beijo que fosse…&lt;br /&gt;  O nosso homem despediu-se dos comerciantes, aceitou farto farnel e partiu para sul, todo ele horizonte…Por fora…Por dentro a raiva e a determinação do que tinha para fazer. Esperou uma semana antes de agir. Dormiu em valados e terrenos ocultos, o farnel tinha que durar cinco dias pelo menos. Matou-o no parque de estacionamento de um bar. Tudo o resto veio dos anos de prisão, aprende-se muito, aprende-se também a ter paciência e alguns truques de honrosa marginalidade. Não se virou para trás quando deixou o carro a arder…Ainda ouviu a sirene dos bombeiros…&lt;br /&gt;Inês recebeu a carta passados seis meses. Sem remetente exterior lá dentro dizia tudo…”Sou eu, amo-te…Espero que sejas muito feliz! Levo de ti um pouco do teu cheiro…O que um caminheiro pode levar…”.&lt;br /&gt;  Meteu a carta no correio no dia em que embarcou numa traineira em direcção à Mauritânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116404929784983784?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116404929784983784/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116404929784983784&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116404929784983784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116404929784983784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/caminheiro-o-adeus.html' title='Caminheiro (O adeus)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116378949518302949</id><published>2006-11-17T18:47:00.000Z</published><updated>2006-11-17T18:51:35.213Z</updated><title type='text'>Caminheiro (A paixão)</title><content type='html'>Enquanto fazia massa trocaram olhares furtivos. Sentia-se curioso e atraído. Baixa, talvez não chegasse ao metro e sessenta, magra, cabelo castanho escuro, roçando o preto, solto e liso tocando-lhe nos ombros. As calças eram de ganga e ajustavam-lhe as formas, a T-shirt de número certo dizia qualquer coisa. As feições, meio menina, meio mulher, eram incertas. Ao longe e enquanto passava iam cambiando, alternando entre angustias e esperanças. Não teve tempo para ver mais, o trabalho tinha de ser feito e já alguém pedia tijolo. Ele e outro davam serventia a três pedreiros que erguiam paredes num primeiro andar. A meio da manhã pararam para uma cerveja e uma bucha, por volta da uma estavam a almoçar. Todos comiam na obra e quando ele disse que ia a casa não o deixaram abalar obrigando-o a sentar-se e a comer com eles. O mais velho sabia cozinhar e o pequeno estaleiro tinha fogão a gás, rudimentar mas eficaz. Nenhum deles era da terra, três das redondezas, ele e o outro servente de longe. O seu parceiro era novo e entroncado, alto e louro, eslavo por excelência, russo de passaporte tinha vindo de Estalinegrado, também lá tinha nascido. Dos outros três, dois rondavam os cinquenta e um parecia não ter idade, talvez tivesse parado por volta dos quarenta mas não era um número certo nem de confiança. Despegaram às seis, o encarregado veio buscar três com a carrinha, o russo dormia no estaleiro e ele em casa dos comerciantes.&lt;br /&gt;  Durante a primeira semana pouco mais fez do que dormir e trabalhar, mesmo quando chegava a casa e antes de jantar, ocupava-se a restaurar uma velha vedação de madeira que cercava o quintal. O banho depois da refeição era o acto final, a cama o descanso e a janela de céu negro e estrelado uma bênção, uma carícia. Antes de dormir deixava os olhos nas traves de madeira que escondiam aranhiços na penumbra.&lt;br /&gt;  Durante a segunda semana saiu duas vezes, à noite, com o russo e por convite deste. Fizeram a pé cinco quilómetros antes de encontrar um bar onde uma brasileira e três portuguesas faziam o que podiam para que um grupo de velhos agricultores mais abastados gastasse o seu dinheiro. O russo pagou e pelo que percebeu da segunda vez, havia qualquer coisa entre ele e a brasileira, mulata clara, jovem bonita de sorriso branco e aberto.&lt;br /&gt;  Pelo meio ficara-lhe a memória daquela mulher com o filho, memória revisitada todos os dias visto que o par atravessava regularmente aquela praceta. Um dia perdeu a vergonha e perguntou à Dona Lúcilia quem era aquela senhora que tanto passeava pelas ruas da aldeia. Menina fina, fora estudar para Lisboa mas nunca acabou nada, filha de um ricalhaço da terra, casou-se com um oportunista que lhe batia e a enganava nos negócios estourando-lhe o dinheiro que os pais lhes davam. Quem o queria ver à noite teria de procurar nas lanternas vermelhas da região. Sentiu pena daquela mulher, seria só pena? Talvez uma cumplicidade de sofrimento…Ou apenas ternura, paixão, calor… Num fim-de-semana de festa na aldeia arranjou maneira de se aproximar. A coragem não foi suficiente para meter conversa, mas os olhares que trocou com ela foram reveladores de um interesse muito maior que a simples atracção física. Ela percebeu isso e ficou perturbada mas de maneira nenhuma mostrou desagrado pelo facto, antes pelo contrário. Encontrava-se com outras mulheres, só a mais velha do grupo sentiu a inquietação na cabeça da amiga. Não seria hoje o dia indicado, talvez no café quando ela fosse à mercearia à tardinha.&lt;br /&gt;  Terça feira, seis e vinte, não trabalhou na cerca que só faltava pintar. Estava sentado no café e lia o jornal com uma cerveja na frente. Ela entrou como se esperasse encontrá-lo e sorriu quando o viu, “Boa tarde! Viu a dona Lúcilia?”, “Deve estar quase a vir, se quiser eu vou chamá-la…”, “Não é preciso…Eu espero…”. Esta espera que levou à conversa aberta, à apresentação formal, a um convite fora de horas…lá em casa…Paixão sem limite de carências contidas, desabafos, o retornar infindável dos corpos unidos pela ternura e pelo desejo.&lt;br /&gt;(Só falta um...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116378949518302949?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116378949518302949/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116378949518302949&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116378949518302949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116378949518302949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/caminheiro-paixo.html' title='Caminheiro (A paixão)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116337820506896571</id><published>2006-11-13T00:35:00.000Z</published><updated>2006-11-13T00:41:05.183Z</updated><title type='text'>Caminheiro (Decisões)</title><content type='html'>Sete e meia, talvez um pouco mais, um ou dois minutos. A indicação é fornecida por dois ponteiros num relógio de propaganda. A voz é amável, um pouco rouca, “Boa tarde!”, “Boa tarde!”, não sabe o que pedir, espera um pouco, o homem de avental espera também, “Vai beber alguma coisa?”, “…Sim…Uma cerveja.”. Não escolheu a marca, nem o outro o quis incomodar. Por detrás do balcão, como num passo de magia, aparece uma garrafa gelada, de caminho pega num copo. Faz a entrega e deixa o caminheiro em paz. Fez estes últimos quilómetros numa ânsia conhecida, paro, não paro, fico, não fico, distraiu-se com os pássaros, com o céu azul paraíso, azul imenso, sem fim, vai ser difícil decidir…Bebe a cerveja e ainda não sabe o que fazer. Junto à porta o dono do estabelecimento aprecia o entardecer. Na mercearia a mulher atende duas vizinhas. A mais nova observou com atenção aquele estranho. Ele apercebeu-se e sorriu sem direcção. Ela corou, acabou bruscamente a conversa, pagou e abalou apressada num aceno de urgência. Antes de sair olhou-o mais uma vez. Desta vez ele fingiu que não viu. Lembrou-se da mulher que amou, do filho que teria vinte anos se fosse vivo, mortes trágicas. Estava preso ia para cinco anos quando o padre o mandou chamar e lhe deu a notícia. Acidente brutal, corpos desfeitos, a fotografia veio no jornal, bombeiros, polícia. O jornalista falava de excessos, de velocidade, de álcool, “Segundo testemunhas a viatura em que seguiam as quatro vítimas mortais deu várias cambalhotas antes de se imobilizar e pegar fogo…”. Tinha-o deixado logo no primeiro ano de cativeiro…Desde ai nunca mais os viu…A sua família…&lt;br /&gt;Quase oito, “Que fome…”. Pediu uma sopa, pediu carne e pão, meteu conversa e perguntou por trabalho, um quarto barato onde ficar um mês. Teve sorte com a comida e com o quarto, quanto a trabalho amanhã logo se veria. O casal, embora pouco falador, era simpático e deixava espaço para respirar, não o atropelou com questões profundas libertando-o numas águas furtadas por cima do café. O local tinha sido arranjado para poder ser alugado. Era asseado, simples, cama, mesa de cabeceira, cadeira, armário, um espelho de meio corpo. Pediu que o acordassem cedo, “A gente levanta-se às seis…”, “Pode ser…Obrigado e boa noite”, “Boa noite, durma bem!”, o desejo foi da mulher que o olhou com ternura, uma ternura materna de quem vê um filho cansado. Talvez a fizesse recordar algo.&lt;br /&gt;Dormiu mal, não por culpa do quarto, mas por culpa da cabeça. Falaram-lhe numas obras da câmara, imaginou-se a rebocar, a fazer massa…Só um mês…Só para descansar.&lt;br /&gt;O sol ainda não se via quando a mulher lhe bateu à porta, “Vou fazer o pequeno almoço, se quiser pode comer connosco, tem é de se despachar.”. Para ele a manhã era a melhor parte do dia, aquela em que se sentia melhor, com mais energia, recebia a luz matinal como uma bênção, aliviado da escuridão que o oprimia. Tomou um banho numa casa de banho que ficava no quintal, nas traseiras do edifício. Sentou-se à mesa depois de convidado, esperou que lhe oferecessem uma caneca de café com leite e duas torradas com manteiga caseira, comeram em silêncio. No fim da refeição o homem prontificou-se a levá-lo ao estaleiro. Ele agradeceu e aceitou o convite. A aldeia era pequena, casas brancas e térreas de ambos os lados da estrada principal ao longo de três quilómetros. Uma rua secundária, paralela, desembocava numa praceta onde iria ficar situado o posto da GNR, eram essas as obras. A apresentação foi breve, o capataz era amigo do comerciante e o contracto foi logo celebrado, “Começa hoje, amanhã tratamos dos papéis.”, Aceitou, agradava-lhe trabalhar, suar, parar de pensar. O trabalho não era muito pesado, o ritmo lento não cansava quem estivesse calejado de outros andamentos, talvez por esse motivo não parou de pensar. Recordou a imagem esguia daquela mulher de meia idade que tanto o tinha observado, coincidência ou não ali estava ela passando devagar, do outro lado da rua, com uma criança pela mão.&lt;br /&gt;(cont)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116337820506896571?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116337820506896571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116337820506896571&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116337820506896571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116337820506896571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/caminheiro-decises.html' title='Caminheiro (Decisões)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116290616234497522</id><published>2006-11-07T13:28:00.000Z</published><updated>2006-11-07T13:29:22.363Z</updated><title type='text'>Caminheiro (A chegada)</title><content type='html'>As solas batem no cascalho, pequenas pedras que se enterram e empurram, cadência arranhada marcando o andamento. Na orla da seara a silhueta azul do caminhante é um risco harmonioso na imensidão aloirada. Desloca-se lentamente mas com convicção, movimentos decididos dão beleza a este andar. Começou às nove da manhã, como todos os outros dias. Pára por volta do meio-dia, para estudar o terreno e procurar uma sombra. Um sobreiro desnudado convida-o a sentar-se, tem no seu tronco um número pintado, sinal feito por quem o despiu. Ele aceita o convite, pousa a mochila de pano grosso, tem cor de tropa e está atafulhada de coisas, apanha um pouco de pasto e improvisa um assento. Deixa-se levar pela brisa quente do estio e quase que adormece, um ligeiro piscar que teima em ser pausa. De dentro da mochila tira um saco de supermercado, velho amarrotado, letras gastas anunciando uma superfície comercial. No saco um pano enrola duas fatias grandes de pão. Tira uma, corta-a ao meio e guarda o resto com cuidado. Ainda tem um pouco de toucinho, mas também este é dividido pela mesma navalha que cortou o pão. A sua amiga, única companheira de muitas refeições, mas não só. É habilidoso com ela e consegue milagres na madeira, verdadeiros prodígios em miniatura. Homem de mil profissões também passou por carpintarias, embora excelente na arte nunca a considerou como tal. Tem um cantil com meio litro de vinho, presente do taberneiro na última aldeia por onde passou. O trabalho na mesa da cozinha ficou bom e além do vinho e de uma farta refeição ainda ficou com algum dinheiro. Trabalha por onde passa, é assim há cinco anos, desde que…O dia está óptimo e convida a uma sesta, rende-se sem esforço, o trigo esfrega um no outro e embala o seu corpo, a sua cabeça, os seus olhos e por dentro.&lt;br /&gt;  Não usa relógio mas nunca adormece mais que duas horas. Desperta com calma, exercita as pálpebras e controla a quantidade de luz na íris, primeiro numa, depois na outra. De uma garrafa de plástico com água retira-lhe dois golos, o último mais demorado. Levanta-se e sacode-se das palhas que lhe serviram de enxerga. Novamente de mochila às costas decide-se por um caminho, um que o leva para o sul. Lembra-se de um comentador de televisão ter afirmado que a maior pobreza se encontrava no hemisfério sul e que o fluxo migratório dos seres humanos teria tendência para ser na direcção oposta. Também se lembra do que comeu, nesse café onde ouviu a notícia. Café familiar, acolhedor, sandes de pão caseiro com presunto, dois copos de vinho e um café. Ainda teve uma longa conversa com os donos antes de partir, chegaram a oferecer-lhe emprego, nada de especial, mas uma coisa limpa e honrada numa loja de ferragens de uns primos.&lt;br /&gt; Vai para três horas de caminho. Há cerca de quinze minutos encontrou uma estrada asfaltada e segue pela sua berma. Pararam duas vezes para lhe oferecer boleia, à segunda aceitou. Chegaram a uma pequena povoação e ele apeou-se agradecendo a gentileza aquele homem do campo que o transportou na carrinha. Abeira-se do único estabelecimento aberto, café, mercearia, mini mercado, tudo junto. Lá dentro a separação é feita por pequenos arcos em alvenaria. Escolheu uma mesa para duas pessoas e sentou-se. Por detrás do balcão está um homem já bem entrado. Pouco cabelo, branco e curto, barriga saliente por debaixo do avental de plástico. Limpa uns copos, tarefa que o ocupa por breves instantes, só depois se dirige ao cliente.&lt;br /&gt;(cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116290616234497522?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116290616234497522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116290616234497522&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116290616234497522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116290616234497522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/caminheiro-chegada.html' title='Caminheiro (A chegada)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116249263033790216</id><published>2006-11-02T18:35:00.000Z</published><updated>2006-11-02T18:37:10.356Z</updated><title type='text'>Dois dias de luta</title><content type='html'>Passaram vinte dias desde a reunião. As decisões foram tomadas, votadas, testemunhadas em acta assinada. O trabalho, as visitas à fábrica, os serviços mínimos, tudo necessita de discussão. A estratégia é definida com antecedência, os objectivos, onde se pode ceder, o que se pode aceitar. São dois dias de greve, dois dias em que deixamos de ser colegas, no grevista o contracto de trabalho é suspenso, deixa de haver hierarquia, quem manda é o piquete de greve. A greve começou às zero horas do dia dois de Novembro. Quinze e trinta, chove que nem cornos….Foda-se!...Vai entrar às dezasseis, turno da tarde. Na portaria um pequeno grupo discute, trocam-se papeis e opiniões, a fábrica I não parou, a fábrica dois “foi ao chão”, o ponto da situação, não há produto para Aveiras…O Porto parou? Cá em baixo ninguém diz nada.&lt;br /&gt;“Como é que faço? Preciso de picar cartão?”, “Não! Não picas nada. Chegas lá abaixo e avisas a tua chefia.”&lt;br /&gt;  Para ele a pergunta é diferente, o costume…Continua a chover, está molhado dos joelhos para baixo, foca-se nas botas molhadas enquanto percorre a alameda encharcada. “Hoje não vou discutir, argumentar, não! Hoje vou entrar, dizer o que tenho a dizer e vir-me embora.”. A água é muita, o céu, escuro de um lado e branco do outro, distribui trovoadas, é impossível ser-lhe indiferente.&lt;br /&gt;  Hoje não há beijos nem abraços, apenas apertos de mão, formais, indiferentes. No sector são trinta, na greve ele e mais três…Só amanhã terá a certeza. Comprou o jornal, leu-o no hospital, não viu nada…Bem…Não o leu todo…Seria preciso?...&lt;br /&gt;  Não lhe interessa…A greve são dois dias, desta vez só precisa fazer greve, não precisa fazer mais nada…Mas não se sente satisfeito…Continua a chover…&lt;br /&gt;  Já saiu, até segunda, “Se precisarem de mim sabem o meu número”, não! Desta vez não estou disponível para horas extras.&lt;br /&gt;  Fala-se em oitocentos milhões de euros a serem distribuídos pelos accionistas, dinheiro não contabilizado em lucros nos anos anteriores…Fala-se em investimentos não garantidos, no futuro incerto depois da privatização, fala-se…Nos direitos! Nos deveres!&lt;br /&gt;  A estrada adivinha-se por debaixo do manto de água, o tracejado que divide as faixas serve de guia, as bermas não existem, sente o carro deslizar…Hoje não vou ligar a televisão, não preciso das notícias do mundo, hoje preciso descansar…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116249263033790216?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116249263033790216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116249263033790216&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116249263033790216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116249263033790216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/11/dois-dias-de-luta.html' title='Dois dias de luta'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116198731959659760</id><published>2006-10-27T22:41:00.000+01:00</published><updated>2006-10-27T23:17:53.603+01:00</updated><title type='text'>Sala de espera</title><content type='html'>Sala de espera do posto médico, de um posto médico. Está quase vazia, apenas eu e mais duas pessoas, duas senhoras que conversam, de doenças, dos filhos, dos divórcios dos filhos, dos netos, da vida difícil que está destinada aos novos, sim porque para elas o que têm basta e a morte não está longe.&lt;br /&gt;A filha divorciou-se, ela que estava tão bem, só porque o marido bebia um copinho de vinho. Tinha uma vida de rainha, levantava-se tarde e ia para o café o dia todo, “E não faltava nada naquela casa, levava-me a passear e ficávamos em hotéis caros e comíamos em restaurantes finos, nunca teve problemas de dinheiro…Foi uma pena…A separação…Os meus queridos netos.”. Agora vive mal, teve gémeos da segunda relação e o dinheiro anda contado, “Se a sua filha se divorciou lá tinha as suas razões. Não há mulher nenhuma que tome essa decisão sem ter razões fortes…Só quem lá está é que sabe o que se passa.”. Esta sentença, proferida pela outra mulher, deixou um silêncio com significado.&lt;br /&gt;Entretanto chega mais gente, fala-se de cães, de doenças de cães, de hospitais para cães, de médicos para cães…”O meu até chora! É como um filho. Quando ele desaparecer nem sei como será.”.&lt;br /&gt;Dos cães para as vizinhas, para as traições das ditas, para as relações atribuladas entre mulheres desocupadas, “Deus é que sabe e nunca dorme.”.&lt;br /&gt;Eu também não durmo, estou sentado à espera, preciso de uma credencial. Sinto o tempo a passar mesmo sem ter relógio, não preciso dele para o sentir, ao tempo. Pelo estômago sei da hora de almoço. A conversa decorre agora no guichet. Sabes o que aconteceu à Laurinha? Partiu uma perna! Com aquela idade é um problema. Se é!&lt;br /&gt;Lá fora, o céu ferido no seu plástico cinzento, deixa escorrer insolente as águas certas de Outono. Há seis anos atrás também choveu assim.&lt;br /&gt;Ouço o meu nome, é a minha vez? Sim pode entrar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116198731959659760?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116198731959659760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116198731959659760&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116198731959659760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116198731959659760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/sala-de-espera.html' title='Sala de espera'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116154422423900790</id><published>2006-10-22T20:05:00.000+01:00</published><updated>2006-10-22T20:10:24.256+01:00</updated><title type='text'>Apenas porque sou teimoso...E porque não arrogante?</title><content type='html'>Máquina profeta, Messias mecânico, o encanto das peças em movimento.&lt;br /&gt;Gira, gira, roda, roda.&lt;br /&gt;O engenho que se revira em voltas elevatórias revela automatismos.&lt;br /&gt;Robóticos gestos cima, baixo, cima, baixo, esquerda, direita, esquerda direita.&lt;br /&gt;Hipnóticas mãos, malabarista eléctrico, dos electrões que lhe servem de corrente.&lt;br /&gt;Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…………….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cartão permite o acesso, concreto, directo.&lt;br /&gt;De dentro, no seu núcleo o cartão é inútil.&lt;br /&gt;O electrónico que decida da minha entrada, se eu pertenço ou não.&lt;br /&gt;Lá dentro sou eu e a máquina…Ela que gira, ela que roda, para cima, para baixo, esquerda, direita.&lt;br /&gt;A reacção, a fusão das moléculas, os gráficos, os números que nos obrigam a pensar,&lt;br /&gt;Que nunca são claros até os sentirmos por instinto…Cento e cinquenta! Dentro!...Cento e cinquenta e um! Fora! Assim num repente…Toma e já está!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na região periférica não conhecemos, não nos conhecemos…&lt;br /&gt;Quem sou eu?...Quem és tu?....&lt;br /&gt;Estatística humanóide, estereotipo orgânico, célula dispersa?...&lt;br /&gt;Ramificação errante qual o teu delírio?&lt;br /&gt;No húmus, no estrume, procuro a verdade.&lt;br /&gt;Sou tenso no músculos, mergulho na merda.&lt;br /&gt;Se matei alguém?...Não sei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim , eu sei a tecla do mistério,&lt;br /&gt;Desdobramentos, dezassete polegadas…Ou serão mais?&lt;br /&gt;Cavalgo sem me verem,&lt;br /&gt;Sou sem ser,&lt;br /&gt;A electrónica do meu dedo dispara setas mortíferas.&lt;br /&gt;Eu mato no ecrã!&lt;br /&gt;Se não gosto, odeio….Mas não digo a ninguém….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me viram delirar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou eu! Eis a minha carta, a minha mensagem, a minha angústia via mail…&lt;br /&gt;Finge que não me abriste…Não me leste…eu finjo que gostas…e choro….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116154422423900790?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116154422423900790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116154422423900790&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116154422423900790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116154422423900790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/apenas-porque-sou-teimosoe-porque-no.html' title='Apenas porque sou teimoso...E porque não arrogante?'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116138590019756046</id><published>2006-10-20T23:17:00.000+01:00</published><updated>2006-10-21T00:11:40.216+01:00</updated><title type='text'>Hoje um poema</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/casa%201.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/casa%201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É chegada a vez de um poema, desacerto, lamento, confissão, vulgar desabafo, encontro no espaço…se ainda estiver livre…&lt;br /&gt;A alma rende-se de novo ao improviso, à divagação. O ser narrativo que sou perde-se no deserto metafórico. Onde está o significado da palavra? Da palavra que me sai, balbucio, resmungo, assobio, grito, degluto…Todo eu sou ouvidos para essas palavras escritas em papel digital, virtual, como nos sonhos.&lt;br /&gt;Todo eu tenso, músculos, cérebro, concentração na leitura, na viagem, nas descrições.&lt;br /&gt;Que dizer dos adjectivos com que vestiram os substantivos?&lt;br /&gt;Os substantivos que sou eu e tu…E todas as coisas…E tantas são elas!&lt;br /&gt;Hoje um poema, daqueles que não rimam, que não concordam no tom, que desafinam no som.&lt;br /&gt;Hoje aquelas palavras que me fazem sentir importante, que me fazem sofrer.&lt;br /&gt;Diz-se da poesia o mesmo que se diz de Deus…Está em toda a parte, é omnipresente. Alguém mal disposto chamar-lhe-ia “Melga!”.&lt;br /&gt;Quem a lê, lê quando lhe apetece, quem a faz segue outros procedimentos. A poesia é feita por loucos, mistura de sons e conceitos.&lt;br /&gt;Chegou a vez de um poema…Eu acredito que sim. Um que conte o infortúnio lusitano, que nos prometa o futuro, nem que seja em castelhano…&lt;br /&gt;…Existem sondagens…&lt;br /&gt;Poderia ser um poema rebelde, sem origem nem destino, Easy Rider…&lt;br /&gt;Letras formando palavras, correndo livres, montadas numa caneta transformada.&lt;br /&gt;Alterei-lhe a capacidade do deposito de tinta, modifiquei-lhe o aparo de modo a diminuir o atrito, prolonguei-lhe o tamanho e dei-lhe cores matizadas, metalizadas, modernas…Isso existe?...Sei lá!&lt;br /&gt;Tenho tudo o que preciso, sou louco, não controlo o que escrevo e deixo-me levar pela mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema acabou…Acabei de o escrever…O lamento, a confissão, tudo foi dito.&lt;br /&gt;Hoje foi assim!&lt;br /&gt;Amanhã?...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;P.S. Um bom fim de semana, um texto e um céu alentejano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(foto: no quintal...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116138590019756046?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116138590019756046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116138590019756046&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116138590019756046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116138590019756046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/hoje-um-poema.html' title='Hoje um poema'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116127982713309314</id><published>2006-10-19T18:38:00.000+01:00</published><updated>2006-10-20T17:50:42.810+01:00</updated><title type='text'>SE SAIR PARA A RUA NÃO BEBA!</title><content type='html'>José, Maria e Joel vivem num apartamento no centro da cidade. Hoje, ao final do dia e depois do jantar, cada um ocupa o tempo a seu belo prazer. José é casado com Maria e tem cinquenta e quatro anos. Maria tem cinquenta e é mãe de Joel que tem vinte e quatro e ainda vive com os pais. São vinte e duas horas, dez da noite, Maria está sentada no sofá e vê televisão. Tomou dois calmantes, vício que mantém desde que lhe morreu o pai, as pálpebras tombam-lhe reduzindo-lhe a visão. José ficou na cozinha lendo o jornal e bebendo um digestivo. A refeição levou-o a beber uma garrafa de vinho, porque foi ele que a preparou, porque estava mesmo muito boa e porque lhe apeteceu. Aprendeu a receita com a mulher e é das que lhe sai melhor.&lt;br /&gt;Joel hoje não sai. Acabou o curso há um ano e está desempregado. Tem poucos vícios, um deles é o haxe. No quarto, de janela aberta, fuma “um” enquanto o som da aparelhagem passa Red Hot, um dos primeiros álbuns…E porque não o nome da música…”True Men Don’t Kill Coyotes”.&lt;br /&gt;José fecha o jornal e decide ir até à sala. Senta-se ao pé da mulher, rotina que nunca abandonou. Na televisão uma telenovela de um qualquer canal, um homem dirige-se a um pequeno bar de sala e enche um copo com uma substância ambígua cor de tisana. A personagem masculina fala com uma mulher que decide também encher um copo. Ambos bebem da idêntica mistela. José pensa! Estão sempre a beber…Tanto que eles bebem…E dá-lhe sede…Levanta-se e vai encher um copo…Pelo menos isto eu sei o que é. Noutra sala, noutra cena, vários personagens numa festa, bebem! Raio de telenovela…&lt;br /&gt;Maria está quase a dormir mas permanece atenta ao som, às vozes que saem da televisão, às vidas fingidas que lhe trazem as emoções que a sua não tem. Percebe a angustia da separação que decorre no ecrã e torce por ela, pela liberdade que ela está prestes a adquirir. Apercebe-se da tensão dramática quase sem ver.&lt;br /&gt;Joel acabou de fumar e continua a ouvir música, Primus, “Frizzle Fry”. Está sentado defronte a uma consola de jogos e manobra uma personagem especialmente agressiva, mistura em partes iguais de detective e carrasco. O jogo corre-lhe bem e o animal percorre as salas de um prédio abatendo tudo o que lhe aparece à frente, sai por uma vitrina fazendo voar mil estilhaços e entra num carro fugindo a alta velocidade.&lt;br /&gt;Após quatro digestivos José sente-se confortável e olha para Maria que está de olhos fechados, percebe pela respiração que ela ainda não está a dormir.&lt;br /&gt;O assassino continua a matar no vídeo game.&lt;br /&gt;A nova lei impede a circulação na via pública aos indivíduos que tenham consumido substâncias susceptíveis de provocar alterações do comportamento.&lt;br /&gt;Ainda pensou em comprar uma pequena quinta no campo…Mas não tinha dinheiro e ainda lhe faltam muitos anos de trabalho.&lt;br /&gt;A explosão é repentina, ficou-se mais tarde a saber que foi provocada por uma fuga de gás. Apenas o Joel sobreviveu. O seguro recusou-se a pagar devido a uma cláusula que impedia o consumo de substâncias capazes de provocar incapacidade de manutenção do bem segurado….Na carta de resposta vinha a lista dessas substâncias…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. É tão fácil perder direitos numa democracia…Basta que os argumentos venham revestidos das melhores intenções…Com os melhores pretextos vamos cedendo…estamos numa de aborto…E do preço da electricidade…E…Um abraço…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116127982713309314?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116127982713309314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116127982713309314&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116127982713309314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116127982713309314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/se-sair-para-rua-no-beba.html' title='SE SAIR PARA A RUA NÃO BEBA!'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116094677037073117</id><published>2006-10-15T20:44:00.000+01:00</published><updated>2006-10-15T22:51:45.130+01:00</updated><title type='text'>Fátima... E as pessoas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/F??tima"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/F%3F%3Ftima%2012.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não foi a fé que me moveu mas sim a amizade. A amizade por alguém que nos acompanhou a Cuba com uma gravidez de sete meses. Correu tubo bem e eu desconheci a promessa até que há dois meses me foi revelada. "Paulo! A Lénia prometeu, mas queria que fossemos todos.", todos significava os que tinham estado em Cuba, em Outubro do ano passado...Entre furacões.&lt;br /&gt;Eramos sete...Fomos oito...Entretanto a Rita nasceu. Óptimo fim de semana, entre peregrinos e pessoal em descanso. Revi Fátima, Batalha, Alcobaça, Nazaré e Caldas da Rainha, pelo meio ficaram um sem número de pequenas terras que o nosso povo teima em habitar.&lt;br /&gt;Tirei algumas fotos e reparei que em Fátima só as pessoas tinham sido o alvo da minha objectiva. A esses modelos anónimos e involuntários eu agradeço e peço desculpa pela ousadia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/Fatima%2023.jpg" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%204.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%2011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%208.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%2013.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%2014.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%2010.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/f%3F%3Ftima%209.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%203.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%2024.jpg" border="0" /&gt; &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/F%3F%3Ftima%2017.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A todos voçês uma boa semana...E o meu olhar sobre as pessoas, em Fátima. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;P.S. A última fotografia está cá porque eu não resisti...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116094677037073117?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116094677037073117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116094677037073117&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116094677037073117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116094677037073117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/ftima-e-as-pessoas.html' title='Fátima... E as pessoas'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116067287456145819</id><published>2006-10-12T17:57:00.000+01:00</published><updated>2006-10-12T18:07:54.583+01:00</updated><title type='text'>O Castelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/DSC00997.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/DSC00997.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estranha pedra preciosa,&lt;br /&gt;Nasces para brilhar,&lt;br /&gt;A sede fez-te vir para lugares escuros,&lt;br /&gt;Lugares onde a luz é regateada,&lt;br /&gt;Vendida no mercado negro das trevas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vésperas de sábado. O dia promete ser brando, não mostra o sol mas não esconde a luz. Nas ruas o movimento é calmo, fluxo preguiçoso e disperso.&lt;br /&gt;Aproxima-se da janela, deixa-se estar, protegido pelas cortinas que permitem a passagem difusa da rotina lá fora. Ao de leve, com dois dedos, afasta-a o suficiente para mostrar um dos olhos, o esquerdo. É essa visão nítida que o convida a sair. Convencido o espírito o corpo obedece, lava-se, alimenta-se, apruma-se e sai. Leva consigo o espírito que decidiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terreno está livre.&lt;br /&gt;Espera pelo ardor da batalha.&lt;br /&gt;Não se vêem exércitos…&lt;br /&gt;Apenas o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Outono deixou a sua marca, a brisa marítima que atravessa a planície e chega à serra vem saturada, água que se prende ao rosto, à roupa, mas que a temperatura não deixa ser desagradável. Caminha pelo empedrado que preenche a parte velha da cidade. Sobe a rua do Algarve, atravessa o Largo Alexandre Herculano e vira à esquerda pela estrada que circunda o castelo num trajecto de três quartos de lua…Três quartos de paisagem que quase chegam a Tróia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No castelo moram os meus familiares.&lt;br /&gt;Mortos de outras batalhas,&lt;br /&gt;Feridos de outras guerras.&lt;br /&gt;Jazem, juntos, aos pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai parando entre campas, entre muros, entre saudades eternas. No recatado sossego destas pedras centenárias apenas aquela mulher de preto desconvoca o silêncio, agrada-lhe ouvir-se gemer. Já a conhece, trocam olhares cúmplices de desgosto, hoje não haverá conversa. Junto à lápide conversa com a mãe, conta-lhe da semana e da nova namorada que ela havia de gostar de conhecer. Dá um beijo ao pai e outro ao irmão mais velho. Do que foi a tragédia lembra o acaso que o deixou vivo. Uma lágrima para a tristeza, outra para a saudade e outra pela felicidade de ter sobrevivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho ao largo,&lt;br /&gt;e o som vem dos bosques,&lt;br /&gt;e a erva grisalha do Verão,&lt;br /&gt;manchada de sangue amargo,&lt;br /&gt;relembra-me as vozes na rádio,&lt;br /&gt;a notícia fresca de morte,&lt;br /&gt;algo que não pode ser pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que belo dia…Feriado…Vou telefonar à minha Joana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. A história não é verdadeira, mas o castelo é…E tem lá dentro o cemitério com as gentes da terra. (Santiago do Cacém)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116067287456145819?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116067287456145819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116067287456145819&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116067287456145819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116067287456145819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/o-castelo.html' title='O Castelo'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116017731299057872</id><published>2006-10-07T00:11:00.000+01:00</published><updated>2006-10-07T07:53:40.856+01:00</updated><title type='text'>Romançe Poético</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Primeiro o Espaço&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do tamanho das estações a chuva chega,&lt;br /&gt;Amarela-se o ar que nos envolve.&lt;br /&gt;Ocre melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã que não dormia tudo é húmido.&lt;br /&gt;A cidade transpira,&lt;br /&gt;Condensa nos seus poros as vidas que nela respiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruas atrás de ruas.&lt;br /&gt;No meio das rectas os pontos de referência,&lt;br /&gt;As margens dos caminhos,&lt;br /&gt;As direcções memorizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O largo abre-se em recantos familiares.&lt;br /&gt;No café a manhã é deserta,&lt;br /&gt;Como quem faz o pequeno-almoço a um filho.&lt;br /&gt;Ontem o filho não dormiu em casa.&lt;br /&gt;O pai que o espera não é seu pai…&lt;br /&gt;E não sabem…A mãe sabe mas não diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois as pessoas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As cãs marcam-lhe a idade.&lt;br /&gt;O corpo que foi ágil desiste nos embates confortáveis.&lt;br /&gt;A mulher não é a mesma,&lt;br /&gt;Nunca foi a mesma.&lt;br /&gt;Já não o procura,&lt;br /&gt;Mas também não procura os outros…&lt;br /&gt;…Os cheiros que ela trazia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo por amor,&lt;br /&gt;Um destino sem dor,&lt;br /&gt;Pelo calor nos lençóis…&lt;br /&gt;…Não dorme sozinho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita de traços perfeitos,&lt;br /&gt;Legou-os no ventre ao seu filho.&lt;br /&gt;Mãe adolescente, mãe carente,&lt;br /&gt;Mãe de sonhos desfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho de mãe conhecida,&lt;br /&gt;Conheceu no pai aquele homem.&lt;br /&gt;Ó mãe porquê?...Tantos homens…&lt;br /&gt;Ó pai porquê?...Tu és mãe…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Interlúdio sentimental&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que lhe chamava pai já não existe.&lt;br /&gt;Rendeu-se à distância, à vergonha.&lt;br /&gt;Sim…Sou eu o pai,&lt;br /&gt;Mas ele não quer que se saiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por fim os factos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O assalto correu mal.&lt;br /&gt;Duas balas prostraram-no no chão.&lt;br /&gt;A ambulância demorou uma hora,&lt;br /&gt;O médico legista, três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone tocava,&lt;br /&gt;Os sedantes, amorteciam.&lt;br /&gt;A voz do outro lado espera.&lt;br /&gt;A mulher dormente não ouve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o homem que saiu a correr…&lt;br /&gt;…Veio da cozinha…&lt;br /&gt;Foi o homem que levantou o auscultador…&lt;br /&gt;…Tremendo-lhe o gesto…&lt;br /&gt;Foi ele que primeiro chorou,&lt;br /&gt;Para dentro,&lt;br /&gt;De dentro,&lt;br /&gt;Sem sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram atrasando os movimentos,&lt;br /&gt;Num vagar de quem não quer…chegar…&lt;br /&gt;Não havia urgência,&lt;br /&gt;Nem urgência teria de haver.&lt;br /&gt;Quem vai identificar um corpo,&lt;br /&gt;Tão depressa não vai esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na corrente sanguínea,&lt;br /&gt;Morre o sedativo,&lt;br /&gt;E a mulher que não sentia, sentiu,&lt;br /&gt;E sofreu,&lt;br /&gt;Pelo filho a quem escondeu…O pai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Conclusão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Foi a morte,&lt;br /&gt;O desgosto,&lt;br /&gt;A sorte,&lt;br /&gt;O destino,&lt;br /&gt;A sensação de solidão,&lt;br /&gt;O acaso genético,&lt;br /&gt;O impulso eléctrico&lt;br /&gt;O dedo feminino de Deus,&lt;br /&gt;O que a fez  finalmente,&lt;br /&gt;Amar aquele homem?&lt;br /&gt;Homem que sem ser pai se fez Pai,&lt;br /&gt;De um filho que fez Filho,&lt;br /&gt;E que chorou como se fosse dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Um Poema urbano...De amor! Bom fim de semana e até daqui a uma pausa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116017731299057872?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116017731299057872/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116017731299057872&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116017731299057872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116017731299057872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/romane-potico.html' title='Romançe Poético'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-116008486187780845</id><published>2006-10-05T22:46:00.000+01:00</published><updated>2006-10-05T22:47:41.893+01:00</updated><title type='text'>Anónimo</title><content type='html'>(sem nome)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se atado a uma cadeira,&lt;br /&gt;Alucinando num quarto&lt;br /&gt;Me alugo e me vendo,&lt;br /&gt;A culpa de que me acuse,&lt;br /&gt;A qual sempre julguei minha&lt;br /&gt;Não é mais do que a ressaca,&lt;br /&gt;A secura da manhã&lt;br /&gt;O mau estar constante de quem nunca descansa….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se amordaçado a um qualquer deus&lt;br /&gt;Nunca me ouviste gritar,&lt;br /&gt;Se vendido te denuncio,&lt;br /&gt;É do pesadelo que falo,&lt;br /&gt;Do inferno e do fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se privado da palavra&lt;br /&gt;Me fechei em grades,&lt;br /&gt;Se danado com falsas verdades&lt;br /&gt;Matei e não chorei,&lt;br /&gt;Então tudo valeu a pena….&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-116008486187780845?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/116008486187780845/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=116008486187780845&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116008486187780845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/116008486187780845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/annimo.html' title='Anónimo'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115966925160001912</id><published>2006-10-01T03:04:00.000+01:00</published><updated>2006-10-01T03:20:51.626+01:00</updated><title type='text'>Noites</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/DSC00999.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Leves os rosas nas maçãs do rosto, o adivinhar do sangue por debaixo da pele branca, o toque trémulo dos dedos sentindo o relevo. Os efeitos da luz matinal projectam-se na parede desafiando as cortinas, brincando com elas…Os corpos ainda se encontram juntos, membros baralhados, dispersos nas sombras. Dormem, adivinha-se o respirar, breves sopros de vida…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheceram-se ontem. Souberam o nome para se poderem chamar, confirmaram as músicas que estavam a ouvir e falaram. Confessaram tudo o que o álcool quis e dançaram. Nunca a pista e a multidão os conseguiu separar. Agarrando-se com os olhos largaram-se na frenética corrente misturando suores e contactos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi com três amigas. Não levou carro. Tinham jantado num restaurante Italiano, daqueles com bandeiras e alusões despropositadas. Beberam vinho tinto e disseram mal de toda a gente…Bem, não disseram só mal, também fizeram alguns julgamentos. Ela não leva aquela regateirice muito a sério, é só para descomprimir. Ainda foram a um bar, foi ai que se libertou…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as semanas espera por estes dois dias, melhor dizendo, duas noites. São cinco dias a trabalhar e dois para rebentar. Já não é muito novo, por isso adquiriu algumas rotinas de conservação. Só o Daniel sabe desse facto, amigo desde sempre para ele não há segredos. Vai com quem calha, já não são muitos os resistentes….Nem sempre leva carro. Hoje levou, arranjaram-lhe algo branco não precisa beber…Talvez…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã nenhuma memória que leve ao afecto os mantém abraçados, apenas o acaso dos corpos procurando conforto, calor. Nenhum sinal de preservativo, confiança total no acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ela quem acorda primeiro, estranha o contacto, estranha a boca seca, a garganta colada, mas não se mexe. O corpo cansado recusa movimentos, o relaxamento é total, menos a cabeça. Espera um bocado, não sabe quanto, até a bexiga a obrigar a levantar-se. Não está em casa…É a casa da Luísa. Onde estará a Luísa? Tropeça nas roupas espalhadas pelo chão, entra na casa de banho, senta-se na sanita e fecha os olhos…Sente-se adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também já está acordado e olha aliviado para um soutien. Leva a mão ao sexo fazendo-a descer lentamente até aos testículos, acto reflexo, como se o mundo todo estivesse ali e agarrá-lo o segurasse eternamente…”Esqueci-me!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se tinha preocupado com questões de segurança até ao dia em que acordou com um homem. Desde então, em dias de maior desatino, a primeira coisa que faz ao acordar é confirmar a companhia. Começou a usar preservativo para proteger as amantes. Em relação a ele preferiu não saber, cruz que carrega com dificuldade. Faltou-lhe a coragem para ir fazer o teste, chegou a estar à porta do Hospital mas não entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nunca percebeu porque fugiu aquele homem. Saiu da casa de banho ainda a tempo de ver a porta fechar-se…Não teve reacção…”Será que não aprendo…”.&lt;br /&gt;À noite telefonou à mãe. Não lhe contou nada sobre o assunto mas foi como se tivesse sido purificada…Efeito materno da origem.&lt;br /&gt;Foi deitar-se mais descansada prometendo a si própria que iria ao médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. A hora tardia faz-me mal e leva-me por essas noites…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115966925160001912?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115966925160001912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115966925160001912&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115966925160001912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115966925160001912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/10/noites.html' title='Noites'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115949107782500490</id><published>2006-09-29T01:15:00.000+01:00</published><updated>2006-09-29T01:52:18.273+01:00</updated><title type='text'>Gaivotas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/S3700020.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/S3700020.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Podia dizer que foi inspiração ou qualquer outra fonte de energia, mas estaria a mentir. Foi apenas mais um dia. Levantei-me cedo e fui ver o mar...Sabia que ia estar fechado nas próximas doze horas e decidi aproveitar. Porto Covo está deserto, voltou à pacatez dos seus trezentos e poucos habitantes. Estacionei o carro junto ao tratamento de águas e percorri a pé o restante caminho até á falésia, até ao mar. Bem perto de mim, nas saliências rochosas, as gaivotas espreitam os pescadores. Observam como se não fosse nada com elas...E eu também.&lt;br /&gt;Lembrei-me da máquina que trazia na mochila...Desci, o suficiente para ficar no mesmo plano, olhos nos olhos e fotografei-as...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/S3700021.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E outra...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/S3700029.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E ainda outra...&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/S3700034.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Antes de abalar despedi-me do mar e agradeci ao sol a sua breve aparição.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/S3700035.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi assim a minha manhã...Do resto não conto, apenas que são quase duas horas e que tenho de me ir deitar...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115949107782500490?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115949107782500490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115949107782500490&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115949107782500490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115949107782500490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/gaivotas.html' title='Gaivotas'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115920814272960004</id><published>2006-09-25T18:51:00.000+01:00</published><updated>2006-09-25T19:29:38.093+01:00</updated><title type='text'>Sobro e Azinho</title><content type='html'>&lt;span &gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/lenha%202.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/lenha%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/lareira.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Á beira da estrada três montes lenha. Uma placa tosca com letras pintadas e uma seta leva-nos a percorrer um pequeno caminho de terra que nos retira do asfalto. Uma vedação, um portão aberto e logo a seguir um toldo de plástico onde repousa um velho tractor. Ao seu lado um homem bem entrado nos cinquenta, marcas do trabalho do campo na cara e nas mãos, previsivelmente também no corpo se o mostrasse. Sentado numa cadeira, que me lembra as que existiam nos cafés quando eu era pequeno, entretém-se com uma navalha e um pau. Separa-nos uma mesa de madeira forrada com um plástico transparente, reaproveitado de outros embrulhos. Um lápis, um bloco improvisado e pedaços de madeira, simulam destroços de uma tempestade, emprestando-lhe um ar desarrumado que não destoa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Todos os anos compro lenha, uma tonelada, meia de sobro e meia de azinho, para o recuperador lá de casa e para os meus sogros. Não tenho especial fascínio pelo fogo mas agrada-me bastante observar o lume manso na lareira durante o Inverno. Os olhos abandonam o corpo e perdem-se na brasa e aquecem-se, aquecendo com eles todo o corpo. Não consigo explicar...É muito bom…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;O azinho é melhor, tem uma combustão lenta e produz mais calor que o sobro, também é mais caro. São coisas que se fazem com antecedência, antes das chuvas e do tempo húmido. A madeira molhada pesa mais e custa a pegar fogo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;“Bom dia!”, o homem desvia o olhar das mãos e debruça-o em mim, retribui o cumprimento. O negócio é rápido mas a conversa lenta. Enquanto avalio o tamanho dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;cavacos pergunto pelo preço, “Cento e vinte o azinho…O sobro fica a oitenta.”. “Este ano só quero azinho…”, “Você é que sabe…”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Aproveitei a manhã de folga. A minha sogra deixou o carrinho de mão cá fora. Por debaixo da construção em alvenaria que serve de garagem e aproveitando o desnível do terreno, existe um espaço reservado para a lenha. Fica sempre em casa deles, quando precisamos vamos lá buscar, é perto e eu gosto de lá ir. Também gosto de arrumar os cavacos, escolhê-los pelo tamanho e pelo corte, garantir que não descaem, estacá-los de vez em vez. Enquanto espero vou arranjando espaço. As vespas fazem-me companhia, atraídas por três figos podres num balde, a um canto…Depois logo os deito fora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Ouço vozes, a minha mulher dá indicações sobre o local de descarga. Quando chego lá acima já os primeiros pedaços de madeira rebolam pelo chão. Falo com um dos homens, o outro pouco percebe do luso verbo, do Leste? Não sei, não perguntei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Acabaram, “Um bom dia de trabalho!”, “Obrigado! Olhe que você também não está mal servido.”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Fiz a coisa nas calmas, a Deo ajudou-me e este ano acabei mais cedo. Olhei orgulhoso para a arrumação…Ainda ficou muito espaço livre…O meu sogro vai ficar contente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Escolhi dois pedaços de lenha para o meu recuperador de calor…Para fazer vista…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;É essa a imagem que deixo…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Um abraço a todos e boa semana!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115920814272960004?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115920814272960004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115920814272960004&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115920814272960004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115920814272960004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/sobro-e-azinho.html' title='Sobro e Azinho'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115894604571825898</id><published>2006-09-22T18:24:00.000+01:00</published><updated>2006-09-22T18:27:25.793+01:00</updated><title type='text'>Explicação</title><content type='html'>Comecei a trabalhar aos dezassete, oficialmente. Uma das primeiras pessoas que conheci vai-se embora este ano, reformou-se. Tal como eu, veio de Lisboa, uns anos depois de mim, mas não interessa, veio! Companheira, camarada, pouco importa, foi ela que me apresentou os pontenciografos, as muflas, as provetas graduadas com rolha e esmerilado, os espectrófotometros, os bicos de busen e um sem número de objectos que faziam parte do quotidiano…Cabo Ruivo, laboratório, viras à direita…Em frente ao rio…De frente para a outra margem. Essas primeiras imagens, essas primeiras experiências, tão receptivo que eu fui. Como eu gostaria de puder espantar-me…Como da primeira vez…&lt;br /&gt;Ontem? Sim foi ontem!&lt;br /&gt;Ontem organizou-se um jantar de despedida…Aliás, meteram no mesmo saco duas despedidas. Por esse motivo o número de pessoas envolvidas extravasou o laboratório e chegou ao director, alguém que eu vejo uma vez em cada dois anos e com quem tive azedas conversas de falsa cortesia. Bom…Eu não fui ao jantar…Fiquei com a minha filha…Ajudei-a no banho, jantei com ela, deitei-a cedo para a conseguir acordar de manhã.&lt;br /&gt;Que a decisão foi correcta, não tenho dúvidas. Eu não tenho dúvidas porque tenho noção das minhas prioridades neste caso…Também ela percebeu.&lt;br /&gt;Fui coerente comigo mas trago o sabor da derrota na boca…E sabe mal que se farta…&lt;br /&gt;Não tenho de me justificar.&lt;br /&gt;Hoje de manhã ressacava de uma auto flagelação estúpida e sem sentido.&lt;br /&gt;Demorei tempo a perceber que no meio disto tudo não me perdi, continuei a ser quem era. Não preciso que me admirem ou odeiem, apenas que percebam até onde podem ir.&lt;br /&gt;Cheguei a casa…Vim devagar…sessenta quilómetros por hora numa estrada de duas vias totalmente desimpedida…Vidros abertos, para sentir o cheiro dos pinheiros molhados a secar…Pois…Cheguei a casa e lembrei-me do que tinha escrito ontem, desse olhar absorvente pela desgraça…Faltava qualquer coisa para finalizar aquele texto que fui buscar ao baú das recordações (Doces anos oitenta…Mas tantos amigos perdidos…). Faltou explicar que ontem, de alguma forma acabou um ciclo…Para mim.&lt;br /&gt;As prisões existem, são reais, servimo-nos delas para marcar territórios, delimitar consensos, abreviar relações ou extrapolar outras. Muitas vezes nem damos conta desse facto.&lt;br /&gt;Escrevo enquanto vou pensando e isso não é muito bom…&lt;br /&gt;Ainda me arrependi de ter postado aquilo, aquele texto de tempos quase esquecidos…&lt;br /&gt;Fui à casa de banho antes de ir à cozinha buscar um copo que enchi de Whisky…Lembrei-me do que tinha escrito ontem…Li os comentários…E achei que vos devia uma explicação…&lt;br /&gt; Também a mim eu tive que explicar umas tantas coisas…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115894604571825898?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115894604571825898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115894604571825898&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115894604571825898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115894604571825898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/explicao.html' title='Explicação'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115884882589689107</id><published>2006-09-21T15:14:00.000+01:00</published><updated>2006-09-21T15:27:06.146+01:00</updated><title type='text'>Sonho na última noite de um condenado</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/condenado.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/condenado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vejo-me numa terra estranha, onde nada nasce…Ou morre…Apenas perdura…Estou só…Ao lado…De lado…A um lado…De um lado…O de cá…O meu lado…Que como lado também é isolado…Foi colocado de lado pelos outros lados…Renegado…Exilado…E no seu exílio levou-me…Arrastado…Pendurado…Pelo pescoço…Por uma corda…Presa a muitas correntes…Que eu não sabia serem tão fortes…Tão resistentes…Aonde se pode ir numa terra estranha…Numa terra de estranhos…???? Não sei!...Nem faço a menor ideia!...Estou confusamente fodido…Á minha volta, na paisagem agreste, ondulam prados rasteiros de incolor desprezo…Estou no meu poste…No meio…Preso…Volto-me para o outro lado…Do poste…E tento dormir…Sem ter de adormecer e acordar de novo nesta terra de estranhos…Como se pode estranhar os estranhos?...Faço-o sem consciência de o estar fazendo…É algo institivo…Destrutivo…Extra negativo… Ultra impositivo…E eu vejo-me nesta terra estranha onde permaneço cativo…Quero sair!!! Onde está a porta de saída…Onde está a luz…Sinto o poste nas minhas costas….Ouço os fuzis a carregar…um cheiro a azedo no ar…Porra, não me consigo lembrar do dia em que nasci…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115884882589689107?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115884882589689107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115884882589689107&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115884882589689107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115884882589689107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/sonho-na-ltima-noite-de-um-condenado.html' title='Sonho na última noite de um condenado'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115862248124753933</id><published>2006-09-19T00:28:00.000+01:00</published><updated>2006-09-19T00:34:41.293+01:00</updated><title type='text'>Alinhamento teológico</title><content type='html'>No Templo,&lt;br /&gt;Os Deuses esperam a turba.&lt;br /&gt;Oferendas fenecem nos altares,&lt;br /&gt;Desmedidos manjares,&lt;br /&gt;Almas crentes trucidadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Templo,&lt;br /&gt;A mensagem opalina,&lt;br /&gt;Memória milenar,&lt;br /&gt;É origem e conflito.&lt;br /&gt;Razões profundas do ser,&lt;br /&gt;Nas entranhas do que é molécula, átomo,&lt;br /&gt;Na dúvida e no refúgio.&lt;br /&gt;No Templo,&lt;br /&gt;Cumpre-se a existência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas vertentes nervosas,&lt;br /&gt;Novelos de estímulos,&lt;br /&gt;As palavras de oração são eco&lt;br /&gt;Do eco dos oradores.&lt;br /&gt;No Templo,&lt;br /&gt;As paredes transpiram rumores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras de fé,&lt;br /&gt;Largadas nos séculos profundos,&lt;br /&gt;Teocracias ocidentais, orientais, medievais….Democráticas.&lt;br /&gt;Na amálgama tudo se confunde.&lt;br /&gt;Etéreo, o cordão umbilical materializa-se,&lt;br /&gt;Revela-se omnipresente.&lt;br /&gt;Orgânica,&lt;br /&gt;A mensagem genética lembra-nos do pânico,&lt;br /&gt;Do medo das noites escuras,&lt;br /&gt;Do desabar dos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Templo sou uno,&lt;br /&gt;Desprovido de identidade.&lt;br /&gt;Tenho um nome e uma vida&lt;br /&gt;Que reconheço nos mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não justifico!&lt;br /&gt;Sou justificação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus alguém que já fui!&lt;br /&gt;Cerrado está o portão para quem não acredita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Porque este reacender teológico pode reacender outras questões...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115862248124753933?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115862248124753933/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115862248124753933&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115862248124753933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115862248124753933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/alinhamento-teolgico.html' title='Alinhamento teológico'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115834664004108881</id><published>2006-09-15T19:51:00.000+01:00</published><updated>2006-09-15T19:57:20.056+01:00</updated><title type='text'>Suicídio</title><content type='html'>Atento, o olhar ultrapassa a janela indo repousar no candeeiro do outro lado da rua. Já teve uma vida, preservou-a e cuidou dela até à reforma. Sentado num sofá que não é dele mas que ele ajudou a comprar, está na casa da filha, oferta dos pais ainda a mãe era viva. Sente tantas saudades dela, primeiro vem a imagem, depois uma dor, um aperto e saem as lágrimas e revela-se o choro, os soluços, finalmente secam as lágrimas e fica o gemido, continuo, imperceptível até a memória o agarrar outra vez…Sente-se cansado, um peso nos gestos que o fazem desistir. Olha para fora, para lá dos caixilhos de alumínio que ajudou a escolher, para aquela luz que o chama…Levanta-se e vai…&lt;br /&gt;O baque foi surdo, corpo pesado após queda de trinta metros, sem ruído humano, característica que o assinalasse. Assim se deixou estar até ás seis da manhã, hora a que foi descoberto pelo cão da vizinha, rafeiro intrometido que lhe mijou para cima sem nenhum respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai para dez anos que recebe da Segurança Social. Agora com Setenta e três anos, este Engenheiro Químico aposentado, mantém a postura que sempre o caracterizou. De uma organização e disciplina a toda a prova continua a levar a vida demasiado a sério.&lt;br /&gt;Ultimamente apareceram-lhe umas dores, tentou ignorá-las, mas o ardor na zona do baixo ventre fazia-o curvar-se, algo a que ele não estava habituado. Foi ao médico numa segunda feira e fez exames de urgência na terça. Dai até saber que tinha um cancro foi um instante. Chegou a estar internado e foi a seu pedido que saiu do hospital. Quimioterapias sem garantias, operações ao intestino e inúmeras consultas seriam a rotina dos seus últimos anos.&lt;br /&gt;Vestiu o seu melhor fato encheu um copo do seu Brandy velho favorito e sentou-se à secretária. Pegou num papel e na sua bonita caligrafia escreveu um “Adeus Eduarda, sempre te amei.”. Assinou, pegou no frasco de comprimidos que lhe tinha dado um médico amigo e despejou-o num trago etílico. Sentiu os olhos fecharem-se…Ainda teve tempo de balbuciar um adeus antes de partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trinta e cinco anos de trabalho pesado numa rotina que o cansou fizeram dele um homem doente. Não foi o corpo que o traiu, esse sempre se portou à altura, para os patrões e para tudo. Foi a cabeça que fraquejou, uma dor de cabeça que veio com ele do Ultramar e nunca mais o largou, assim como a imagem daquele filho preto de que escondeu de todos, até da sua mulher. Durante anos disfarçou com o vinho e uma resistência anormal à bebida todos os seus pesadelos. A mulher está a trabalhar, hoje chega tarde, depois das onze da noite. Onde estás Idalina que a cabeça hoje estoura-me? Se a Idalina soubesse tinha saído mais cedo, mas não saiu. Quando entrou no seu quarto, depois do ter chamado pela casa toda, encontrou-o deitado na cama. Uma enorme poça de sangue e o cheiro a pólvora denunciavam a tragédia. Abandonada no chão a caçadeira tinha feito a última vontade ao seu dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em memória de todos os meus amigos que desistiram.  Aos outros...Não desistam por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Bom fim de semana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115834664004108881?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115834664004108881/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115834664004108881&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115834664004108881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115834664004108881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/suicdio.html' title='Suicídio'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115816596132148370</id><published>2006-09-13T17:40:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T23:00:05.166+01:00</updated><title type='text'>Primária (E não se fala mais no assunto...)</title><content type='html'>Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 acordei sobressaltado. A minha mãe não estava na cama, ouvia-a ao telefone. Levantei-me devagar e fui-me chegando. Esperei pelo resto da conversa cujo conteúdo não entendi perfeitamente. Pousou o auscultador sem reparar em mim, entrou na sala de estar e ligou o rádio. Atrevi-me a perguntar “Mãe, o meu Pai?”, abraçou-me e as palavras saíram-lhe num turbilhão, “O pai não pode sair…Tropa à porta da refinaria…Golpe de estado… Revolução…Não te preocupes que o pai está bem!”. Estava com sono e preocupado com o meu pai, no entanto mantive-me em silêncio ouvindo as notícias. Não me lembro das palavras, mas a música era diferente, sim disso eu lembro-me. De vez em quando a minha mãe tentava explicar-me qualquer coisa, repetia as frases do locutor e acrescentava outras, mas para mim só existiam três dúvidas, Quando é que o meu pai volta? O que é um “Golpe de Estado”? Amanhã vou à escola?&lt;br /&gt;Andava na terceira classe. Por essa altura, sentados em carteiras para dois, carteiras de madeira com cavidade para o lápis e aparo e buraco para o tinteiro, estávamos sobre observação continua do Presidente do Conselho, Dr Marcelo Caetano, de Deus, pelo seu filho crucificado Jesus Cristo e do Presidente da República, Almirante Américo Tomás. Só na primeira classe fiquei impressionado. O primeiro visitava-nos regularmente na televisão, sentado num sofá do qual eu sempre quis saber a cor, o segundo só de nome o conhecia e tinha pena de Jesus, daquela sua imagem sempre pregada na cruz, o terceiro lembrava-me vagamente o meu avô e por isso achava-lhe piada naquela farda branca imaculada, uma espécie de capitão Iglo da altura.&lt;br /&gt;Durante a quarta classe e depois das aulas ia distribuir manifestos dos pequenos partidos de esquerda, geralmente à porta da estação. Passei, não interessa como, tive quatro professores em quatro anos e uma revolução de permeio. Lembro-me do nome do meu primeiro professor, Barrocas, do segundo também, Barata, todos os outros se apagaram…&lt;br /&gt;Foi a minha primária, cada um tem a sua e decerto com motivos de interesse, mas por ser a minha agrada-me dar-lhe importância, talvez por isso e ainda a propósito da minha filha, volte a falar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. O assunto está encerrado…É uma promessa! Boa semana a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115816596132148370?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115816596132148370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115816596132148370&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115816596132148370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115816596132148370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/primria-e-no-se-fala-mais-no-assunto.html' title='Primária (E não se fala mais no assunto...)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115784609371559602</id><published>2006-09-10T00:24:00.000+01:00</published><updated>2006-09-10T00:56:38.276+01:00</updated><title type='text'>Voltei ao sistema de ensino através da minha filha</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/DSC00428.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/DSC00428.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu e o mar, o sol e a terra. Debaixo do sol que brinca, a terra olha para cima. Os risos são de crianças e os choros também. Uma mãe que se zanga, um pai atarefado com um bebé de colo deixa cair as chaves do carro e resmunga em silêncio, dois pequenos disputam a entrada numa sala e gritam e riem, depois abraçam-se e deixam-se cair no chão, as educadoras circulam apressadas esperançadas em manter a ordem, arrebanham os miúdos numa mistura de nomes, David, Guilherme, Diana, Rute, Filipe, venham cá, estejam sossegados. Os mais velhos já se separam em pequenos grupos, na sua maioria meninas de um lado e meninos do outro, vá-se lá saber porquê. Os mais novos é tudo ao molho, esses ainda não descobriram as diferenças e caminham em filas mistas atrás das técnicas de apoio. O local é agradável, térreo, com um relvado murado onde se fazem as festas e onde os gaiatos podem brincar. Todas as salas dão para esse relvado através de enormes vidraças e de uma porta, todas menos a dos bebés que providos de outros cuidados necessitam de um espaço isolado. Tive sorte, agradeço à Concha, à Bela e à Rosário terem diminuído o meu enorme sentimento de culpa. Ao fim destes cinco anos agradeço-lhes a enorme saudade que vou sentir. Aprendi muito e conseguimos sair como um grupo, um grupo que representou para eles “A Branca de Neve e os Sete Anões”, um grupo que organizou uma viagem à Eurodisney de modo a que só os adultos que quisessem ir é que pagavam, quermesses, bolos semanais, rifas, desfiles de moda…Não! Eu não desfilei, assim como não fiz bolos nem vendi rifas. Era-me pedido outro apoio, tirar bicas, vender bebidas e bilhetes de entrada, carregar com o que fosse necessário. Cada um deu o que pode, uns mais que os outros é certo, mas isso não tinha importância perante os objectivos conseguidos, todas as actividades a que nos propusemos foram realizadas. Mais uma vez digo Não! Não é um elogio à minha pessoa mas sim a quem nos motivou, lembram-se do meu agradecimento?&lt;br /&gt;"Pai vou sentir tantas saudades da Concha, da Bela, da Rosário, dos meus meninos...", Também eu filha... Vou sentir saudade dessa tua alegria e bem estar recordando esses amigos que também eram meus...Ou quase!&lt;br /&gt;Sim tive muita sorte e espero não a perder no futuro…Parece conversa da treta mas não é! Agora sim é que vão ser elas…Fui à escola P1 várias vezes, até porque voto lá. O local é agradável, não é novo mas está arranjado. As professoras reúnem-se numa sala que dá para uma das portas de entrada do edifício, aquela que nos leva à secretaria. Ouvem-se vozes, pressentem-me e uma delas dirige-se a mim solícita, sou bem tratado, informado do que pretendo, da informação que eu julgo necessária, procurei não ser chato, se calhar até fui rápido demais. Não vale a pena pôr a culpa na ministra da educação, o problema está comigo, sinto-me ansioso e cheio de dúvidas. A resolução do problema, também está em mim e tem sido a que sempre tenho utilizado, segue em frente que o tempo não pára. Isto dito assim parece pouco mas é fruto de um complexo mecanismo envolvendo muitas decisões.&lt;br /&gt;Quem teve filhos com esta idade, a entrar para a primária sabe do que falo.&lt;br /&gt;Voltei ao sistema de ensino através da minha filha…Espero não voltar a desiludir-me…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115784609371559602?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115784609371559602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115784609371559602&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115784609371559602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115784609371559602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/voltei-ao-sistema-de-ensino-atravs-da.html' title='Voltei ao sistema de ensino através da minha filha'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115773531624713781</id><published>2006-09-08T17:58:00.000+01:00</published><updated>2006-09-08T18:08:36.346+01:00</updated><title type='text'>Pensando em coisas boas</title><content type='html'>Acordei para mais um dia de trabalho, banal acção que me levou à casa de banho, à mesa do pequeno almoço, ao carro, mas fiquemos por aqui. O gesto é quase automático e as consequências simultâneas. Dou à chave, expressão que não reflecte o verbo, o motor começa a trabalhar e o rádio liga-se. Sete e trinta da manhã, o resumo noticiado, talvez comprado a uma qualquer agência noticiosa com justificações economicistas, fala de bola, mais concretamente do presidente do Benfica, o “Caso Mateus” vem a seguir…Mudo para o CD que lá havia deixado…Ian Anderson, flauta, a solo, algo de fora dos Jethro Tull…Bom hoje vou esquecer as coisas más…Parece que não vamos cumprir com o défice apesar de todos os esforços…O país continua a arder, parece que cada vez que vamos à praia pagamos uma taxa de Verão em madeira queimada…Vão subir o imposto sobre o alcoól, podes sofrer, mas se beberes para esquecer…Pagas!&lt;br /&gt;Faltam dez minutos para chegar, tenho de pensar em coisas boas…Claro…Tão fácil, ainda ontem adormeci na sua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediram-me há tempos, na cresce da minha filha, a propósito de uma encenação para uma festa de finalistas em miniatura, que comprasse umas fitas. Diz o costume, e aqui falo sem conhecimento, que as fitas são distribuídas por pessoas amigas e da família.&lt;br /&gt;Assim o fiz passando desenhos para cada uma delas, trabalho executado a meias com a minha mulher. Todos escreveram qualquer coisa, a minha sogra esmerou-se e fez umas quadras, felicidades, concelhos, desejos, de tudo um pouco. Só faltavam duas pessoas, eu e a mãe. “Gostas tanto de escrever vê lá se escreves alguma coisa de jeito!!”,  “Em casa de ferreiro espeto de pau, não é o que dizem?”, brincámos com a situação mas aquilo deixou-me pensativo. Sei que no final entreguei, um pouco envergonhado, a minha fita com uma frase “Gosto muito de ti”. Não me lembrei mais do assunto até ontem. A minha filha começou nos tempos livres, dentro de dias vai para a primeira classe e ontem chegou muito cansada. Com a mãe a trabalhar fiquei com ela até a levar para a cama, deitei-a, “Pai!”, “Sim filha!”, “Ficas comigo até eu adormecer?”, abraçou-me. Senti-me protegido, tudo fazia sentido, “Eu gosto mesmo muito de ti.” E adormeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a pensar nela, abri a porta do carro e sorri…Assim está bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. &lt;a href="http://www.petitiononline.com/fiminc/petition.html"&gt;http://www.petitiononline.com/fiminc/petition.html&lt;/a&gt;. Leiam, tem a ver com a especulação à volta dos terrenos ardidos. Talvez seja mais um dos variados motivos para pôr isto tudo a arder. Vale a pena, que mais não seja por tentarmos. Não é justo alguém lucrar com a desgraça e a destruição…Bem isto já toda a gente sabe. Um abraço e bom fim de semana a todos os que por cá passam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115773531624713781?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115773531624713781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115773531624713781&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115773531624713781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115773531624713781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/pensando-em-coisas-boas.html' title='Pensando em coisas boas'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115764621262161905</id><published>2006-09-07T17:12:00.000+01:00</published><updated>2006-09-07T18:36:12.406+01:00</updated><title type='text'>Não me queimem sou a última!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/e.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/400/e.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/e.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/DSC01551.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sim! Com o caminho que isto leva poderemos chegar à ficção do meu desenho...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Dedicado à Mana!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115764621262161905?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115764621262161905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115764621262161905&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115764621262161905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115764621262161905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/no-me-queimem-sou-ltima.html' title='Não me queimem sou a última!'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115733593995021878</id><published>2006-09-04T02:57:00.000+01:00</published><updated>2006-09-04T03:12:20.030+01:00</updated><title type='text'>Homem (oração humana)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/1600/Cuba%20cristo.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4433/2930/320/Cuba%20cristo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem de barro, Homem pedra,&lt;br /&gt;Granítico evento.&lt;br /&gt;Aqui vou eu,&lt;br /&gt;Peito quilha,&lt;br /&gt;Cinzento, frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simbiose da terra que me viu nascer,&lt;br /&gt;Aqui estou eu para procriar,&lt;br /&gt;Para celebrar o que vem,&lt;br /&gt;Para chorar o que vai.&lt;br /&gt;Superlativo de mim mesmo,&lt;br /&gt;No limite do que posso,&lt;br /&gt;Eis a minha doação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai se tudo isto fosse verdade!&lt;br /&gt;Se pudesse afirmar que tudo fiz…&lt;br /&gt;Contemporânea agonia,&lt;br /&gt;Histórica culpa…&lt;br /&gt;Adão de seringa na mão…&lt;br /&gt;Eva diz que espera…Hoje.&lt;br /&gt;O que seria a maçã,&lt;br /&gt;Afrodisíaco vegetal&lt;br /&gt;Ou premonição fatal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem corda, Homem fútil,&lt;br /&gt;Multiplica-te,&lt;br /&gt;Gera-te em exponenciais numéricos e&lt;br /&gt;faz de ti próprio as amarras que te hão-de matar.&lt;br /&gt;Deixa-te ser para sempre eterno,&lt;br /&gt;Sempre com medo de olhar,&lt;br /&gt;Sempre com os mesmos medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem sonho, quanto tempo me resta?...&lt;br /&gt;Homem técnica, Homem luz,&lt;br /&gt;Homem caleidoscópio, dono do bem e do mal,&lt;br /&gt;E de todas as outras cores.&lt;br /&gt;Hoje és exército e matas,&lt;br /&gt;Amanhã és médico e curas,&lt;br /&gt;Fazes a paz para fazer guerra.&lt;br /&gt;Homem silêncio que tudo oculta.&lt;br /&gt;Às vezes tenho vergonha de ti…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115733593995021878?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115733593995021878/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115733593995021878&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115733593995021878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115733593995021878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/homem-orao-humana.html' title='Homem (oração humana)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115712835744058829</id><published>2006-09-01T17:23:00.000+01:00</published><updated>2006-09-02T20:08:12.903+01:00</updated><title type='text'>Um conto em três páginas (c)</title><content type='html'>3ª e última página&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos despertados por pequenos sinais, algo que os filmes de intriga nos revelam. Vemos, vemos e não vemos nada. De repente algo nos chama e tudo o que em nós pensa se focaliza. Leonel descobriu no meio da marginalidade e do crime duas pequenas fotografias de uma mulher desaparecida dias atrás. O antes e o após, de um lado a trabalhadora, do outro o corpo de uma mulher amortalhado num cenário policial. Da primeira imagem fixou a farda e o cabelo. Passara as últimas horas pintando sobre tela uma figura feminina com as mesmas características, mas de ângulos diferentes. Voltaram-lhe à ideia as perguntas que tinha por fazer, quem são, quem as faz, porquê reproduzi-las, essas mulheres, essas fotografias, qual o objectivo?&lt;br /&gt;O desespero dos últimos tempos deixara-o demasiado magoado para preocupações de superficialidade ética. Acabou o que tinha de acabar, marcou novo encontro e aceitou nova fotografia. Descrever esta fotografia seria repetir a simplicidade das restantes, um quarto, um canto, uma luz sem origem visível e uma figura feminina, sem rosto, embrulhada sobre si mesma. O lado sensual era absorvido pela ausência de pormenores e pelo estático da figura, sem roupa que apenas mostrava a zona lombar e a curvatura das pernas torcidas. O trabalho tornou-se mais pausado, mais pensado, três semanas foi o tempo necessário para entregar a terceira tela. Sentia-se a sistematização dos processos, deixara os aditivos químicos e reduzia-se ao álcool nocturno e a haxixe, que pagava a fornecedores amigos com trabalhos de menor intensidade. Um dia, por volta da sexta fotografia, consegui questionar o professor, “Posso fazer-lhe uma pergunta?”, “Sim!?!?..”, “Quem são elas?”, “Quem!?”, “As mulheres?”, “Possivelmente modelos…Não sei…Não me interessa….Porquê?”, “Porque gostava de saber.”, “Explica-te…Não estou a perceber.”, “Desculpa…Paranóia minha, isto passa …”.&lt;br /&gt;A qualidade do seu trabalho melhorava a olhos vistos e o ritmo foi diminuindo de intensidade valorizando a técnica. Já tinha executado quinze telas quando, e novamente por acaso, se fixou numa coincidência criminal noticiada no Correio da Manhã, “As autoridades presumem trata-se do mesmo suspeito. “, “O assassino em série terá morto quinze mulheres, segundo fonte oficial.”. Nessa edição apareciam fotografias das vítimas, em vida e após vida. Em todas elas as datas de desaparecimento coincidiam com as suas reproduções. Mais à frente falava-se do suspeito como alguém que teria cometido os crimes para executar obras de arte. Nunca o seu instinto funcionou tão depressa. Telefonou para uma amiga em Madrid e arranjou maneira de ela o convidar para uma semana de trabalho, ele pagava tudo. Abalou de camioneta, modo seguro para passar despercebido. Foi lá que soube da rusga ao seu quarto, da certeza das autoridades sobre a identidade do assassino, das promessas sobre a sua detenção. Pediu à sua amiga que ajudava emigrantes Marroquinos para lhe arranjar outra identidade. Durante algumas semanas falou-se no caso em Portugal, tendo-se noticiado inclusive, a apreensão dos quadros das vítimas pintados pelo assassino. O valor desses quadros e após variadas especulações subiu para valores inimagináveis. O actual proprietário que os tinha adquirido ao professor do assassino fazia promessa de se desfazer deles o mais depressa possível.&lt;br /&gt;Leonel Marques, agora Abelâmio Rodrigues, prosseguiu uma vida marginal com uma prostituta de Madrid…E nunca mais ninguém soube dele. Adamantino Gomes é actualmente um nome incontornável no comércio de arte em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Um bom fim de semana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115712835744058829?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115712835744058829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115712835744058829&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115712835744058829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115712835744058829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/09/um-conto-em-trs-pginas-c.html' title='Um conto em três páginas (c)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115689393248242898</id><published>2006-08-30T00:23:00.000+01:00</published><updated>2006-08-30T00:25:32.503+01:00</updated><title type='text'>Um conto em três páginas (b)</title><content type='html'>2ª página&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chegou a responder-lhe…Sentia-se contrariado naquele restaurante, todo ele etiquetas e regras, gente de estatuto repousava por entre mesas e cadeiras sem levantar a voz, apenas um murmúrio comum a todos eles. A refeição foi lenta e muitas das perguntas que trazia guardou-as para mais tarde, era óbvio que o professor não estava interessado em falar no assunto. Mas não comeram em silêncio, Adamantino Gomes, assim se chamava o professor, questionou-o sobre o vinho “Um néctar! Do melhor que o Alentejo produz.”, dissertou sobre vinhas e lagares, seguiu em frente tecendo comentários sobre as tendências sexuais de duas mulheres que jantavam numa mesa ao lado e acabou no futebol, altura em que pediu dois cafés e duas aguardentes velhas, “Da especial!”. O nosso pintor, Leonel Marques de seu nome, estava enjoado de tudo, o seu estômago não estava habituado as estas excentricidades gastronómicas…Minto, desculpem…Do vinho ele gostou! Mas dizia eu que ele estava enjoado, farto intoxicado de todos aqueles cheiros. Suspirou de alivio quando Adamantino pediu a conta. A viagem até casa foi curta. Além do quarto o senhorio deixava-o usar as águas furtadas onde ele trabalhava. Só de dia se via bem, pela excelente clarabóia, de noite duas lâmpadas encaixilhadas faziam um serviço muito aquém do desejável. Entraram devagar naquele lugar quente e saturado de diluentes e tintas. Acendeu as luzes e esperou…esperou, até que…”Sim senhor, fizeste um óptimo trabalho.”, “A sério!?”, “Pelo que tenho de mais sagrado, está realmente muito bom, deste-lhe vida., “A quem?”, “…A tudo…O cliente vai ficar muito contente. Quando posso levá-lo?”, “Daqui a uma semana, mais ou menos…Eu depois telefono-te”, “OK! Se te achares capaz posso trazer-te mais uma foto quando cá voltar, queres?”. Enquanto falava o professor ia mexendo na carteira, contando notas, grandes notas, “Pode ser!...”. Respondeu hipnotizado, recebeu o dinheiro e esqueceu tudo o resto, inclusive as perguntas que tencionava fazer. Foi uma semana maravilhosa, pagou as dívidas e conseguia finalmente andar motivado, sem vergonha, sem medos. Até a dona Laura reparou “Só te falta uma boa mocinha.”, “Deixe-se disso dona Laura, agora é tempo de trabalho, de alcançar um sonho, o meu sonho.”, “Olha que nem só de sonhos vive o Homem, ouve a Larinha que já cá anda há um bom par de anos.”, “Tabém mamãaaa!”, “Não gozes comigo!”, “Um beijo?”. Despediram-se a sorrir.&lt;br /&gt;Essa semana passou, o quadro foi entregue ao professor, recebeu uma nova fotografia e mais uma vez as perguntas ficaram por fazer. Desta vez um canto de um quarto com uma janela. Debruçada sobre essa janela uma figura feminina de costas para o observador. Percebe-se o cabelo escuro ligeiramente ondulado sobre um simples vestido azul de abotoar pelas costas, como nas fardas das meninas do supermercado ou das empresas de limpeza. De qualquer forma é um vestido ligeiramente acima dos joelhos deixando ver umas pernas bem feitas, nos pés uns ténis pretos com riscas brancas. A luz cénica vinha do exterior, pela janela e talvez de uma porta aberta por detrás de quem observa. Os pormenores não eram muitos mas sentia-se inspirado e rapidamente surgiram sinais de que a coisa andava. Não o fez numa noite como o primeiro, perdeu mais tempo, misturou técnicas, preocupou-se com detalhes da mulher, com a luz nos seus cabelos, com a sombra na farda. Ao fim de três dias ainda estava a acabá-lo. Mais uma noite em claro, que raio de mania…Trabalhar de noite.&lt;br /&gt;De manhã e pela primeira vez nesses três dia foi tomar o pequeno almoço na dona Lara.&lt;br /&gt;“Bom dia dona Lara.”, “Bom dia menino. Que é feito de ti que não te deixas ver?”,&lt;br /&gt;“A trabalhar dona Lara, a trabalhar.”, “Queres uma tosta só com queijo e um galão bem quentinho?”, “Pode ser dona Lara…Obrigado.”. Pegou no Correio da manhã que jazia aberto numa mesa vazia e começou a folheá-lo até se deter fixamente na página oito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115689393248242898?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115689393248242898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115689393248242898&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115689393248242898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115689393248242898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/08/um-conto-em-trs-pginas-b.html' title='Um conto em três páginas (b)'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27770783.post-115672839095032271</id><published>2006-08-28T02:22:00.000+01:00</published><updated>2006-08-28T19:53:16.876+01:00</updated><title type='text'>Um conto em três páginas</title><content type='html'>1ª página&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha trabalhado a noite toda numa enorme tela, encomenda de gente rica, gente que ele não conhecia. O seu antigo professor tinha tratado de tudo, até do dinheiro para as tintas. Havia um ano que vivia de esmolas, de retratos a lápis de cor à porta das zonas turísticas de Lisboa. O quarto era pago pela namorada que o deixou após um ataque de nervos. Depois disso conseguiu que o senhorio aceitasse como pagamento o seu trabalho na pintura da casa, “Se você é pintor deve conseguir pintar paredes?!”. O prazo estava a esgotar-se quando encontrou por acaso o seu professor de desenho, “Ainda és capaz de fazer alguma coisa? Consegues assumir um compromisso?”, respondeu que sim, de cabeça baixa olhando para as calças que não viam água há muito tempo. O que tinha de fazer era relativamente simples. Mensalmente chegaria às suas mãos uma fotografia que teria de reproduzir com total liberdade de estilo. Única restrição, a composição teria de ser mantida, não poderia trocar ou ignorar objectos, fossem eles inanimados ou não.&lt;br /&gt;A primeira fotografia mostrava uma mulher deitada de bruços numa cama de casal. A cama estava coberta com um lençol que também cobria a mulher adivinhando-lhe as formas. Nada mais se via naquele quarto iluminado de vermelho por duas luzes cuja origem não era visível. Desenhou-a a carvão, com traços ambíguos e dispersos tal qual a sua vida, a sua e a dela que parecia tão desprotegida tão sossegada. Abriu os tubos novos de tinta e aplicou-os directamente na tela. Só depois o ambiente surgiu, estavam lá as paredes, a cama, a mulher e os lençóis, um por baixo a tapar o colchão quanto ao outro já lhe fizemos referência. Como achou o vermelho demasiado agressivo substituiu-o por uma luminosidade branca que projectava sombras distintas num soalho de madeira que ele próprio inventara, algo que não se conseguia distinguir na fotografia. Agora que acabara sentia-se bem, liberto de tenções, de conflitos, conseguiu até sorrir à vizinha que o detestava. Na rua dirigiu-se para o café da dona Lara onde costumava tomar o pequeno almoço e onde mantinha uma conta por pagar. “Bom dia dona Lara. Já chegaram os jornais?”, “Estás muito alegre hoje, não me digas que acordaste cedo para ir trabalhar?”, “Não goze dona Lara. Não tenho tido sorte mas as coisas vão virar, vai ver. Para começar vou poder pagar tudo o que lhe devo assim que entregar o que estive fazendo.”, “Um quadro suponho!?!”, “Sim um quadro…E poderão ser mais!”, “Deus queira que sim meu filho.”. A dona Lara adorava aquele moço franzino de cabelo desgrenhado e barba por fazer, adorava acima de tudo aqueles olhos verdes que lhe davam uma expressão tão parecida à do seu Ricardo morto quatro anos antes por uma overdose de heroína.&lt;br /&gt;Sentou-se ao pé da janela e folheou o Correio da Manhã. Leu os assaltos, aos bancos, às velhinhas, aos jovens namorados junto ao rio. Prendeu-se na notícia do desaparecimento de uma menina de 11 anos na cidade de Bragança. Pais pobres, casa pobre e mais cinco para cuidar, “Tragam-me a minha menina!”, na fotografia a imagem de um pai destroçado e de uma mãe que não consegue olhar a objectiva escondendo a cara entre mãos. Mais à frente noticiava-se o aumento da gasolina, por causa do petróleo, por causa do Irão, por causa da energia nuclear, por causa da bomba, por causa….Ficou-se pelas palavras cruzadas enquanto trincava uma tosta só com queijo.&lt;br /&gt;À tarde telefonou ao professor e combinou com ele um encontro. Este convidou-o para jantar, “…Depois logo vamos ver a encomenda.”, “À noite?”, “Achas que preciso da luz do dia?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27770783-115672839095032271?l=sambock.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sambock.blogspot.com/feeds/115672839095032271/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27770783&amp;postID=115672839095032271&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115672839095032271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27770783/posts/default/115672839095032271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sambock.blogspot.com/2006/08/um-conto-em-trs-pginas.html' title='Um conto em três páginas'/><author><name>P. Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01709633628775107182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_uEXoPuRXlo0/SyKY5_aVOJI/AAAAAAAAAH0/s6zMf_ykGgQ/S220/DSC02435.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
