O fluxo sonoro percorre o meu corpo e alimenta o meu coração.
Dele depende o amor que tenho para dar.
De olhos fechados procuro algo que não sei o que é.
Desligo-me lentamente da matéria que me atormenta;
um pé que adormece, uma mão que se escusa, um corpo que me recusa.
E eu fingindo dormir acabo por ludibriar a vigília.
Quantas vezes repito o ritual?
Prendo o ar no meu peito,
e conto até sessenta e seis só para ter a certeza.
uma garantia que me permita dizer:
-Sim, ainda continuo a resistir.
Os pulmões ardem-me com o esforço.
Resistir tem um preço.
Seria sempre um cobarde;
um cobarde por não ter escolhido, por não ter insistido, por não ter desistido.
Ter ou não ter, essa foi a minha questão.
Ser ou deixar de ser, um abraço e um beijo, uma última palavra, um último olhar:
-Adeus.
Perder-me nos teus olhos verdes.
Esperar pelo perdão dos teus olhos azuis.
Não tenho mais olhos por quem chorar.
Os meus olhos são verdes, mas não sei se é o mar que de lá sai.
O meu rio já não sabe para onde vai, de um lado a serra e do outro o mar,
e eu que teimo em não chegar.
Pedir não é chegar,
e chegar não é partir,
no entanto eu peço não sei a quem.
No meio da noite só isso me resta.
Umas vezes chamo pelo teu nome, outras não sei.
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