Vida Ébria (noite, por quem me tomas?)
Tenho um copo na mão,
e no meu corpo um desejo.
Bebo em cada festejo,
na cela de uma prisão.
A cada rodada ao balcão,
mais longe sinto o teu beijo.
Vou na noite rasgada;
já não conheço ninguém,
nem tomo alguém por refém,
para levar de madrugada.
Sou eu só, por esta estrada,
vou sozinho por desdém.
Esgarrado no escuro da rua,
náufrago de ébrios vapores,
exalam de mim seus odores.
Nos olhos, nuances de lua,
expõem, da alma frígida e nua,
mágoas de imberbes amores.