Uma viagem
junto ao mar (sem que ele me possa tocar)
Pé ante pé, o
corpo dentro.
A viagem vai
começar.
O cinto
apertado,
O vidro
fechado,
E tudo o que
me têm dado
Guardo numa
mão que não fecha.
A paisagem ao
redor
Desliza no
vidro encardido,
Verte-se no
inseto escondido,
No sangue e
no líquido vertido
Que me
esconde do Sol.
Deixo o meu
olhar deslizar
Pelo exército
vegetal
Que se
perfila em silêncio.
Observo com
desleixo
O atavio do
pinhal
Mergulhado em
incenso.
Chego à roda
da fortuna
Que dirige os
destinos.
Roda que roda
a rotunda,
Roda que
rodam felinos,
Os meninos
peregrinos
Que se
deixaram levar
Pela vontade
revista,
Pela vontade
do mar.
E o mar que
se oculta
É cheiro de
areia molhada,
Atrito salino
de rocha.
Sinto-lhe na
pele o rebordo,
A fronteira
que o separa,
O continente
e a costa.
Vejo ao longe
o seu brilho
E a luz que
ressalta em azul
Tem uma cor
sobreposta.
Tenho uma
visão paralela
Perto do mar,
e na terra
Uma sensação
digital.
E na lagrima
vertida
Que escorre
por dentro,
Restos de
maré e de sal.
Abraço com o
olhar
O líquido
azul derramado
Num amplexo
casual.
Venho de
findada viagem,
De função
quase cumprida,
Sem trazer
qualquer bagagem
Da lembrança
que guardei
Resta-me a
celebração
Numa ténue
imagem.
Terei sido eu
que vagueei
O caminho que
sonhei
E em que fui
personagem?