2026-06-23

Ausência

 A tua ausência será luz;

um vazio que seduz,

no meio de tanto ruído.

 

 

A tua lembrança, um poema

que não obriga a um tema,

será livre e fantasia.

 

A tua recordação é herança,

uma fonte de esperança,

para quem leu o que escrevias.

 

Recordarei a tua mão,

e também o coração

que me guiou nesta utopia.


2026/06/23

Confessionário Poético

 

Não me lembro quando foi a primeira vez.

Olhei ao redor; a vida à minha frente,

não iria chegar para tudo o que eu queria fazer.

 

Talvez isso tenha acontecido com uma cerveja na mão,

no meio de uma tempestade de copos, espalhados pela mesa,

num bar onde ainda se podia fumar.

 

Mas de uma coisa tenho a certeza;

a sensação de urgência nunca mais acabou,

e desde esse dia, findou o meu sossego.

 

Devo ter pensado: “OK, estás por tua conta.”

E perguntado: “Agora, o que vais fazer?”

E devo ter respondido: “Vou beber mais uma!”

 

Quantas bebi eu até perceber

que só perdia tempo,

que tudo o que tinha era medo de perder?

 

Duas hepatites depois, ainda não tinha a resposta.

Os copos transformaram-se em garrafas,

e as garrafas distorceram o tempo.

 

Esqueci a origem da urgência e do desassossego.

Agarrei a mão que tinha livre e fugi;

levei o “puto” dentro de mim e parti.

 

 

Naveguei sem tocar na paisagem.

Sempre com uma névoa no olhar,

e um torpor de substâncias que me fingiam voar.

Naveguei até encalhar,

com movimentos desajeitados,

nas coisas do mundo.

 

Agarrado a corrimãos,

fiz, da vida, uma pista de obstáculos;

a minha alucinação/criação pessoal,

o meu purgatório intimista,

o meu sonho real.

 

O tempo escoou rápido.

Como a areia numa ampulheta partida.

Olho para os vidros no chão.

Percebo que a urgência é uma ilusão,

e o tempo que falta, uma medida.

Não irá chegar para tudo o que queria fazer.

 

 

05/06/2022