2026-10-07

E agora, o que se segue?

 E agora, o que se segue?

 A poesia tem lugar de destaque na minha escrita. Foi poeta que me fiz, será como poeta que morrerei. O tempo urge e o cerco aperta. Quando me reformar deixarei de ter lugar no mundo e esse momento aproxima-se. Dia 21 de Outubro vou a Setúbal assumir o inevitável. Não estou disposto a pagar o dinheiro necessário para me manter vivo, em primeiro lugar, porque não o tenho, e em segundo lugar, porque já estou saturado de ser um fardo. Num planeta em excedente humano, chegou a hora de ceder o meu lugar. O meu país não sabe quem eu sou, nem precisa de mim. Irei chorar por duas mulheres, a minha filha, e a minha mulher, mas só lhes peço que não se sintam culpadas. Não há necessidade de as arrastar comigo na minha queda. Não! Não me vou suicidar, irei simplesmente desistir quando não houver um lugar digno para eu viver. Serei, finalmente, filho da nação. Deixa andar que o destino trata de ti. Como vêm, mais fácil não há. Mas, até lá, vou publicar o que escrevi nestes últimos meses. Será o último grito do poeta.