Fake future (apologia da
bioexclusão)
O futuro será nano qualquer coisa,
Universo quântico de incertezas.
O futuro será intimamente artificial,
mas a sua afiguração será natural.
O futuro será fake,
contrafacção ordinária.
Virá do fundo de um abismo,
e sem certificado de origem.
O futuro será proveito,
no céu e na terra,
na paz e na guerra,
artificial no conceito,
inteligência por defeito,
que numa máquina se encerra.
O futuro inovará a verdade
numa versão não binária,
Firmeware X ponto zero
de uma mentira ordinária.
Fake Future, fuck tudo,
fuck o homem moribundo,
Homem fake, homem presente,
Fuck o homem inocente.
Fuck o homem do passado,
Já não é em nenhum lado.
Fake man, homem ausente,
referência pertinente,
que perdeu o significado.
O futuro será qualquer coisa;
Judas dependurado numa oliveira
Numa versão de brincadeira.
Play game, smartphone,
fake de um fake, ou clone.
Será quarta dimensão,
será tempo sem perdão.
Serás tu e serei eu
sem saber se aconteceu.
Será fuck de fodido
Com direito a desmentido.
serão bites lá no céu,
Internet de cú ao léu.
Será costa sem horizonte,
Só porque alguém a criou.
Será ilha sem ponte,
Avatar que não voou.
Será a história ao contrário
Contada depois de amanhã.
Será vento na cidade,
Com cheiro de hortelã.
Será viagem temporal,
com o canastro num divã.
Viver com ansiedade,
sem precisar de nascer.
Garantir continuidade,
sem precisar de foder.
O futuro será qualquer coisa
Será presente ou passado,
Aqui ou em nenhum lado.
Será tudo o que eu quiser,
E se assim o programar,
Poderá nem acontecer.