Aprendi a escolher. Agora sei o que quero e o que não quero.
Estou leve e essa ausência de massa permite-me voar, só me resta saber como. Para
que quero eu voar? Quanto mais alto eu subo mais dúvidas eu tenho. Procuro uma
resposta, mas não sei fazer a pergunta. Para onde vou, o que existe para lá do
meu corpo biológico, encontrarei algo semelhante ao que as teologias me
propõem, terei consciência, sentimentos, sensações, opiniões, dualidades,
expressão linguística, oralidade Psíquica, existência energética com projeção
de imagem residual?...
O que fiz eu da vida? Não sei responder. Penso que a vivi
com pouca ambição. Não que me tenha furtado a quereres materiais ou carnais, ou
que tenha fechado os olhos ao egoísmo, à inveja e à soberba. Em verdade admito
todos esses pensamentos, como poderia nascer e morrer sem os ter pensado, teria
sido uma vida? Limitei-me a seguir o guião que estava destinado aos figurantes.
Poucas foram as questões que coloquei para além do óbvio. Fechado no
conhecimento científico e impregnado de uma religiosidade de regras,
recompensas e castigos, naveguei à vista sem questionar propósitos ou intenções.
Se pareço injusto é apenas porque as questões que coloquei estiveram sempre
datadas e nunca atenderam ao que de verdadeiramente importante viria a
acontecer. Não me culpo porque esta minha reflexão não é um julgamento, mas tão
só um olhar mais profundo sobre este livro que é a minha vida.
Aprendi a escolher. Hoje faço todas as questões e ouço todas
as respostas sem procurar conversões ou aprovações. Finalmente livre penso sem
preconceitos porque tudo é credível e tem a mesma origem. A minha condição não
me permite condicionalismos de qualquer espécie. Essa é a minha escolha.