2026-07-19

Prefácio pouco credível

 Escrevo e apago. Nada me convém e pouco me satisfaz. Quero prestar homenagem às mãos que escreveram, e falta-me a voz. Este conjunto de poemas quantifica um período da minha existência. É uma quantificação abstrata, sem unidade de medida, porque assim se revelaram os momentos em que foi escrita. Era para ser um adeus às palavras, as últimas palavras de um pretenso poeta. Sempre considerei a poesia como a palavra que foge do coração e se tenta sublime. Um suspiro é poesia, assim como um grito que sai mudo, se tiverem origem no coração. Cada um de nós é um poeta, mas a sociedade não quer ouvir vozes que não estejam certificadas pelos saberes instituídos. A glória para alguns; aos outros, a humilhação ou o silêncio. Assim é o mundo: uma demanda pela excelência que purga do seu seio a normalidade considerada medíocre. O que seria dos excelentes sem os medíocres para ler as suas palavras?

Durante os próximos dias, vou publicar este trabalho no meu blogue. Bem-haja a liberdade de me poder publicar.