2026-10-26

No Campo de Batalha; O Herói da Melancolia

 

No Campo de Batalha; O Herói da Melancolia

Eurico – Confissão ao Deus do Verbo −

Açacalei a minha voz para um derradeiro canto, assonância horrenda, que pretendo grandiosa e triunfal. Concerto diabólico de injúrias, o meu cantar será o de um homem debatendo-se nas vascas da morte.

A morte; esse conceito avassalador de transposição para um outro estado, e, segundo o qual, a vida é jubilosa, motivo de perpétuo louvor, é, na verdade, um apocalipse de luz, uma bênção divina que vem amenizar o padecimento da alma atribulada.

Eurico − Aos Céus −

Não busco as porções de substância que fizeram de mim um poeta! Deixa a fonte morrer, Ísis! Nunca serei Osíris, nem ocasionarei o teu Hórus. O templo imaculado não é digno da minha génese. Vil e putrefacta, a minha seiva deve permanecer desconhecida. Guarda no teu seio a pura semente do verbo. Somente Seth é digno de pronunciar o meu nome, porque só ele possui a submissão do inferno.

Gravado na memória de Eurico

O destino passeia num jardim inconcebível. Leva com ele o livro do porvir. Na página aberta, os caminhos fazem-se e desfazem-se. Ele é eterno, e, tal como a Morte, não se pode evitar.