2026-10-09

Num Dia Qualquer Vida Ébria (a noite que começa)

 

Num Dia Qualquer

 

Vida Ébria (a noite que começa)

 

O corpo esqueceu a dor,

do horário e do trabalho.

Vai escolher outro atalho,

desfrutar de outro amor.

Algo mortiço e sem cor,

mas que sirva de agasalho.

 

Vai beber copos sem fundo,

até sentir o esquecimento

a corroê-lo por dentro.

Vai deixar de ser profundo,

e tentar-se moribundo,

soterrando o sofrimento.

 

Vai de noite, e vai ligeiro,

montando negro cavalo.

A galope, ele vai cansá-lo,

com armas de cavaleiro.

D. Quixote por inteiro,

só por querer cantá-lo.