A Escolha
Num quadrado
ou com botão,
Com mão no ar
ou mãos no chão,
Lá teremos de
escolher,
Mesmo sem
compreender
O que nos
querem dar,
O que nos
estão a oferecer.
Entre a
promessa e a presunção,
Simulando
revolução,
Escrevemos
por escrever,
Opinamos por
dever,
Veneramos o
vulgar
Só para não o
transcender.
Em liberdade
ou na prisão,
Porque sim ou
porque não,
O que
interessa é ofender,
Esmorecer,
emudecer,
Ter razão,
deliberar,
Mas sem nunca
conceder.
Com um voto e
presunção,
Resignada
inspiração,
Vou riscar e
escarnecer.
Vou fingir
que vou escolher,
Vou chorar,
ou vou louvar,
Quem de novo
corromper.
Rendido à
subversão
De que
escolho em eleição,
Vejo tudo
emagrecer.
Desde o corpo
a padecer,
Até à alma a
protestar,
Só me resta
enlouquecer.