Todos estes conceitos estão ligados quando aplicados a um evento na vida de uma pessoa. Todos eles pressupõem uma determinada atitude perante esse evento. Os três primeiros podem levar ao quarto, se as suas consequências conduzirem a um estado de frustração e desânimo — estas duas condições são necessárias. A questão que eu coloco é a seguinte: poderão eles existir como atos independentes?
Existem duas perspetivas que são comuns a qualquer realidade:
a interior e a exterior. Em qualquer delas, podemos optar pela positiva e
justificar essa resposta, tentando esconder os razões por detrás dela. Vejamos
porquê, com um exemplo simples.
Um homem, numa batalha, aceita a rendição como alternativa a
uma morte certa. Na sua mente, esta aceitação não é uma rendição nem uma humilhação,
mas apenas um interregno com vista a uma fuga que lhe permita combater
novamente. A aceitação serve os seus propósitos e torna desnecessárias as
outras definições. Pelo contrário, o soldado que o prendeu, por estar convicto
da sua superioridade, vê a rendição e a submissão como um facto inevitável. Possivelmente,
tudo fará para humilhar o seu adversário.
Também eu tenho essa ambiguidade em relação à minha doença.
Nos dias melhores, sinto orgulho na minha estoica aceitação. Nos dias menos
bons, vejo-me rendido, preso num corpo que não me deixa mexer. Nos dias azedos,
a submissão vem ao de cima e peço coisas que não devia pedir. Mas, quando o céu
fica escuro e ameaça com trovoada, a chuva que cai escorre dos meus olhos-nuvens,
e o sentimento que me invade é de humilhação.
Talvez, por ser estes todos, não possa responder
afirmativamente à pergunta que coloquei no início. Porquê estes desvaneios?
Porque eles preservam a minha sanidade mental.