2026-05-07

Amor (confissão de um Homem)

 Meu amor, tenho medo.

Tenho medo do que te vou deixar,

do  lastro que te poderá pesar,

de tudo o que não te poderei dar,

e que tu nunca irás receber.


Amor tenho medo,

tenho medo que te esqueças,

que apagues da memória 

o que de melhor aconteceu.

Porque a nossa história 

não foi só o que morreu.


Tenho medo que a recordação,

seja uma ferida que não chega a cicatriz.

Medo de que da raiz 

não haja nada para contar,

de que tudo o que ficar 

nada te fará feliz.


Hoje sei disfarçar o medo.

Hoje sei usar as cores do silêncio 

e ouvir o que não me queres confessar 

com medo de magoar.

Ouço o teu medo de sentir

que já não podes amar

o homem que eu sou.


Amor não tenhas medo,

de sentires tudo o que tu sentes.

O direito de sentir 

ninguém te poderá cobrar.

Sentires tudo o que sentes

também é uma forma de amar.


Hoje sei esconder um segredo, 

mas não consigo esconder a tristeza 

quando não encontro o teu olhar.

Ficou tanto por ser, 

tanto por partilhar,

e desse tanto que não foi

tenho saudades de estar.


Amor, eu tenho medo.

Medo do que está para vir,

medo do vazio sem destino,

de não encontrar um caminho 

que me faça retornar, 

beber do vinho e voltar.


Medo que não percebas o quanto amei.

Que tudo o que eu te dei 

era o que eu tinha para dar,

e se te faltou amor 

foi porque eu não soube merecer 

a Mulher que me amou.


Tenho medo que não perdoes 

o que não fui,

o que sou...

Amor