Tenho sorte. Não vivo de arrependimentos. Não quero com isto dizer que eles não existem, mas que eu não vivo para eles. Já olhei para o meu passado e pensei; poderia ter agido de outra maneira. Levei este exercício ao extremo de modificar comportamentos da minha infância que eu considerei conscientes. Perdi-me por caminhos completamente novos pois cada novo comportamento levava a novos desafios dos quais eu nem suspeitava. De tal maneira me perdi que o ser humano que sou hoje quase se tornou um estranho numa imensidão de clones imaginários. Não deixou de ser um exercício interessante do qual retirei ensinamentos válidos. Um deles é que a linha temporal avança e que eu quase me senti um historiador, um sociólogo versado em arqueologia. Como apagar da minha análise o conhecimento que eu tenho das consequências que as minhas ações tiveram na minha vida? E não são apenas as minhas ações, mundo restrito e mais rastreavel, mas a de biliões de seres humanos interagindo entre si. O que quero sublinhar com esta reflexão é que os arrependimentos nem sempre se manifestam pelas melhores razões, mesmo que assim o aparentem.
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