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O dia à dia da guerra
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Se o início do século XX acabou com a hegemonia dos impérios europeus ,
o início do século XXI veio confirmar a decadência das suas democracias. Ao
fim de duas décadas , o mundo reparte-se entre três poderes militares e uma
máquina capitalista, transversal a todos eles. Esse novo poder é transnacional
e, por esse motivo, dificilmente escrutinável como um todo. O advento da rede
e da IA, só veio ajudar a tornar mais encoberto o que já era de difícil
percepção. É neste contexto que se desencadeiam uma série de eventos
militares, ambos com raízes no século passado. A operação militar russa, com o argumento, sempre legítimo, de protecção das suas fronteiras,
levou à ocupação de território ucraniano, com vista a uma futura anexação. Após
quatro anos a operação militar continua e, embora muitos acreditem na vitória
da Rússia, ninguém sabe quais os termos de uma futura paz. A Europa, que já
se encontrava em trajectória descendente, teve, com este conflito, um banho
de realidade. Afinal, os EUA tinham uma agenda própria, e a Alemanha, o
baluarte econômico do velho |
Continente, estava presa a
pacerias energéticas com o presidente Putin. Hoje, é evidente que a decisão
do conflito europeu passa por decisores de outros Impérios. Olhamos com
impotente tristeza, para as imagens da “nossa” guerra, uma guerra que incentivámos
em nome da liberdade e da independência do povo ucraniano. Mas, no mundo em
que vivemos, as palavras são retórica
de eleitos. Sem a força das armas e o peso dos capitais transnacionais, as
palavras, restos de um humanismo ultrapassado, ficaram órfãs da força necessária
para se fazerem ouvir. A outra guerra é uma velha
companheira, mas também ela é uma gigantesca operação militar. Gaza é terra
queimada e a Palestina é uma palavra maldita. O Médio Oriente tem nomes de
países que cheiram a guerra. Hoje falamos de Israel, do Líbano e do Irão,
mas eles não estão sozinhos neste conflito. Do outro lado do Atlântico ecoa
o nome do Império Americano. As notícias são de morte e
de guerra. É o que há. |
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