2026-09-10

O novo quotidiano

 

 

Por detrás de todas as guerras está o capitalismo transnacional que domina os três grandes Impérios mundiais. Qual será a moeda vencedora?

 

Jorge Saboga

 

O dia à dia da guerra

O quotidiano de um mundo que procura novos equilíbrios  

Se o início do século XX acabou com a hegemonia dos impérios europeus , o início do século XXI veio confirmar a decadência das suas democracias. Ao fim de duas décadas , o mundo reparte-se entre três poderes militares e uma máquina capitalista, transversal a todos eles. Esse novo poder é transnacional e, por esse motivo, dificilmente escrutinável como um todo. O advento da rede e da IA, só veio ajudar a tornar mais encoberto o que já era de difícil percepção. É neste contexto que se desencadeiam uma série de eventos militares, ambos com raízes no século passado.

A operação militar russa, com o argumento, sempre legítimo, de protecção das suas fronteiras, levou à ocupação de território ucraniano, com vista a uma futura anexação. Após quatro anos a operação militar continua e, embora muitos acreditem na vitória da Rússia, ninguém sabe quais os termos de uma futura paz. A Europa, que já se encontrava em trajectória descendente, teve, com este conflito, um banho de realidade. Afinal, os EUA tinham uma agenda própria, e a Alemanha, o baluarte econômico do velho

Continente, estava presa a pacerias energéticas com o presidente Putin. Hoje, é evidente que a decisão do conflito europeu passa por decisores de outros Impérios. Olhamos com impotente tristeza, para as imagens da “nossa” guerra, uma guerra que incentivámos em nome da liberdade e da independência do povo ucraniano. Mas, no mundo em que vivemos, as  palavras são retórica de eleitos. Sem a força das armas e o peso dos capitais transnacionais, as palavras, restos de um humanismo ultrapassado, ficaram órfãs da força necessária para se fazerem ouvir.

A outra guerra é uma velha companheira, mas também ela é uma gigantesca operação militar. Gaza é terra queimada e a Palestina é uma palavra maldita. O Médio Oriente tem nomes de países que cheiram a guerra. Hoje falamos de Israel, do Líbano e do Irão, mas eles não estão sozinhos neste conflito. Do outro lado do Atlântico ecoa o nome do Império Americano.

As notícias são de morte e de guerra. É  o que há.

 

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