Enquanto houver estrada para andar… eu hei de continuar
Hoje, a caminho do trabalho, ouvi uma música de um velho companheiro.
O original refere o plural dessa caminhada. Nunca uma música definiu tão bem a minha
jornada. Escrevo enquanto penso, mas podia inverter os termos da preposição que
não lhe retirava o significado. Triste desculpa para ter esquecido que o caminho
que percorro não é solitário. Ao meu lado, conduzindo o automóvel que navega pela
via rápida, vai a timoneira da minha vida. “Enquanto houver estrada para andar,
havemos de continuar”, a frase, agora sim, justa e, por esse motivo, verdadeira,
é uma odisseia colectiva. “Enquanto houver ventos e mares, havemos de continuar
“. Enquanto houver forças para andar, esta é, verdadeiramente, a condição necessária.
Os ventos, são as pequenas alegrias que inventamos. São elas que dão sentido à viagem,
a força motriz que faz deslocar a barca para o seu destino final. A última travessia
terá outro barqueiro, outro impulso que será independente das vontades biológicas.
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