2026-09-18

Enquanto houver estrada para andar… eu hei de continuar

Enquanto houver estrada para andar… eu hei de continuar

 

Hoje, a caminho do trabalho, ouvi uma música de um velho companheiro. O original refere o plural dessa caminhada. Nunca uma música definiu tão bem a minha jornada. Escrevo enquanto penso, mas podia inverter os termos da preposição que não lhe retirava o significado. Triste desculpa para ter esquecido que o caminho que percorro não é solitário. Ao meu lado, conduzindo o automóvel que navega pela via rápida, vai a timoneira da minha vida. “Enquanto houver estrada para andar, havemos de continuar”, a frase, agora sim, justa e, por esse motivo, verdadeira, é uma odisseia colectiva. “Enquanto houver ventos e mares, havemos de continuar “. Enquanto houver forças para andar, esta é, verdadeiramente, a condição necessária. Os ventos, são as pequenas alegrias que inventamos. São elas que dão sentido à viagem, a força motriz que faz deslocar a barca para o seu destino final. A última travessia terá outro barqueiro, outro impulso que será independente das vontades biológicas.

Continuo a escrever e a pensar, a pensar e a escrever. Quero-me lusitano e tento Camões, mas o que ele cantou não é a minha viagem. Ele canta uma viagem de ida, e eu venho de regresso. Eu sou um Ulisses genérico, sem nada que identifique os meus feitos. Herói de mim mesmo, sou um herói particular. Sei que fui amado, e que haverá quem me cante, sempre em voz baixa, e em reuniões condicionadas. Eu sou um cúmulo de banalidade amparado ao braço de uma Deusa Portuguesa. O nosso fruto é sagrado, e dele depende a nossa força. Enquanto houver estrada para andar, é um hino a outro tipo de gente. “Enquanto houver gente para amar, eu hei de continuar”, este devia ser o título desta publicação

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