No Campo de Batalha; O Herói da Melancolia
Eurico – Confissão ao Deus do Verbo −
Açacalei a minha voz para um derradeiro canto, assonância
horrenda, que pretendo grandiosa e triunfal. Concerto diabólico de injúrias, o
meu cantar será o de um homem debatendo-se nas vascas da morte.
A morte; esse conceito avassalador de transposição para um
outro estado, e, segundo o qual, a vida é jubilosa, motivo de perpétuo louvor, é,
na verdade, um apocalipse de luz, uma bênção divina que vem amenizar o padecimento
da alma atribulada.
Eurico − Aos Céus −
Não busco as porções de substância que fizeram de mim um poeta!
Deixa a fonte morrer, Ísis! Nunca serei Osíris, nem ocasionarei o teu Hórus. O templo
imaculado não é digno da minha génese. Vil e putrefacta, a minha seiva deve
permanecer desconhecida. Guarda no teu seio a pura semente do verbo. Somente
Seth é digno de pronunciar o meu nome, porque só ele possui a submissão do inferno.
Gravado na memória de Eurico
O destino passeia num jardim inconcebível. Leva com ele o livro
do porvir. Na página aberta, os caminhos fazem-se e desfazem-se. Ele é eterno, e,
tal como a Morte, não se pode evitar.
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