Vida Ébria (ressaca)
Eu sonhei que vomitei,
sem querer acreditar,
que por poder sonhar,
vomitei porque sonhei.
Quem sabe se o que amei,
foi sonho, por vomitar.
Tenho, na alma macerada,
o terror do meu medo,
que, no raiar da madrugada,
me saiu como um segredo.
Foi da boca escancarada
que ele fugiu, esse medo.
Hoje sinto vergonha
do homem que eu fingi.
Foi a pele que eu vesti,
num corpo cheio de ronha.
Da noite, trouxe a peçonha,
com sabores do que bebi.
Quando a noite regressar,
tudo se irá repetir.
Destinado a naufragar,
o corpo voltará a fugir.
Por não saber outro estar,
eu vou deixá-lo partir
Sem comentários:
Enviar um comentário