2026-10-01

Facebook, Facebroken, Oldface

 

Ainda sou do tempo…

Eis um começo que tem a virtude de repelir quem faz da sua vida uma tendência sempre actualizada. Ainda ser de um tempo, é um pecado capital nesta nova modernidade. A constante mudança de códigos é um requisito essencial para a obtenção de um certificado que comprove a aptidão para desempenhar funções numa sociedade que se pretende na vanguarda civilizacional. Mesmo correndo esse risco, será essa a introdução.

Eu ainda sou do tempo do Facebook como sinónimo de modernidade. Lembro-me de ter criado uma conta pensando qual seria a sua utilidade. Olho para esse passado e ele parece muito mais distante do que está na realidade. Hoje, usar o Facebook é assumir que parámos no tempo, possivelmente já estamos reformados, tomamos medicamentos para a tensão e o colesterol, e somos merecedores de silenciosa condescendência. As redes sociais segregaram os utilizadores por faixas etárias, desenvolvimento económico e condição social. O que é realmente importante é continuarmos ligados. Na verdade, o algoritmo precisa de todos nós para melhorar as previsões. Eu cumpro com a minha parte pagando o tributo em palavras. A base de dados tem em mim um fornecedor de confiança. Eu sei que podia dar mais de mim, e nem era preciso escrever, mas o que dou é regular e cede o suficiente sem, no entanto, escancarar.

Ao meu Facebook têm faltado caras e sobrado palavras, mas, como é costume dizer, quem vê caras, não vê corações. É provável que encontrem o meu no meio das minhas palavras.

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