2026-06-25

Aceitação, rendição, submissão e humilhação

 Todos estes conceitos estão ligados quando aplicados a um evento na vida de uma pessoa. Todos eles pressupõem uma determinada atitude perante esse evento. Os três primeiros podem levar ao quarto, se as suas consequências conduzirem a um estado de frustração e desânimo — estas duas condições são necessárias. A questão que eu coloco é a seguinte: poderão eles existir como atos independentes?

Existem duas perspetivas que são comuns a qualquer realidade: a interior e a exterior. Em qualquer delas, podemos optar pela positiva e justificar essa resposta, tentando esconder os razões por detrás dela. Vejamos porquê, com um exemplo simples.

Um homem, numa batalha, aceita a rendição como alternativa a uma morte certa. Na sua mente, esta aceitação não é uma rendição nem uma humilhação, mas apenas um interregno com vista a uma fuga que lhe permita combater novamente. A aceitação serve os seus propósitos e torna desnecessárias as outras definições. Pelo contrário, o soldado que o prendeu, por estar convicto da sua superioridade, vê a rendição e a submissão como um facto inevitável. Possivelmente, tudo fará para humilhar o seu adversário.

Também eu tenho essa ambiguidade em relação à minha doença. Nos dias melhores, sinto orgulho na minha estoica aceitação. Nos dias menos bons, vejo-me rendido, preso num corpo que não me deixa mexer. Nos dias azedos, a submissão vem ao de cima e peço coisas que não devia pedir. Mas, quando o céu fica escuro e ameaça com trovoada, a chuva que cai escorre dos meus olhos-nuvens, e o sentimento que me invade é de humilhação.

Talvez, por ser estes todos, não possa responder afirmativamente à pergunta que coloquei no início. Porquê estes desvaneios? Porque eles preservam a minha sanidade mental.

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