É uma pergunta aparentemente sem sentido. Serão as palavras peixes? As palavras talvez não, mas os pensamentos que lhes deram origem, assim como as ideias que elas representam, podem aproximar-se, metaforicamente falando, de peixes num aquário.
Eu trato do meu blogue como tratei do meu aquário. E o que fiz eu ao meu
aquário? Limpei-o e mudei-lhe a água. Dispus adereços para lhe inventar
novidade. Alimentei os três peixes em cativeiro e fiquei observando enquanto
eles comiam. Mas o mais importante foi o porquê de ter feito. Criar, cuidar e
observar a criação. Estive perto de ser um Deus criador, que é a perceção primeira
dos seres inferiores. Ao meu blogue, também eu o limpei e mudei adereços.
Alimentei-o enquanto o via crescer e tive atitudes prepotentes, como as deve
ter um Deus criador.
No meu aquário os peixes eram a razão da sua existência. Vi
nas suas vidas os sinais da minha mortalidade e acompanhei-os com a expectativa
de quem observa uma vela a arder. Sabia que um dia a escuridão iria substituir
a sua chama. Vários foram os peixes que acabaram no caixote do lixo. Só o seu
espírito sobreviveu.
Eu tive um aquário e um blogue. Hoje só alimento ideias. No
dia em que morrerem alguém as deitará no lixo. Delas ficará o espírito, se houver
quem as recorde.
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