2026-08-25

O Livro

 

O livro

 

Debruçado numa estante

Esquecido na cadeira

Derramando as suas folhas

Junto de uma ribanceira

Joga as letras ao ar

Procurando numa frase

Uma razão para ficar

Repousando numa mesa

Seja próxima ou distante

Despojada de riqueza

Ou inchada de importante

Pode traçar o destino

E desbravar o caminho

A quem se encontra distante

A palavra que nele foi escrita

Para ser equilibrada

Será fiel de balança

Ou boca amordaçada

Depende da mão que o segura

Se no corpo a amargura

É sangue escorrendo na espada

Tenho na tua lombada

Um sonho porque te vi

Por teres nome te lembrei

Por seres livro te despi

E em cada folha passada

Prosa que foi desfolhada

Em poesia escrevi.

Hoje a mão que te segura

É uma mão virtual

Fez do corpo uma armadura

Transparente e de cristal

Nela Verti o meu vinho

Que bebendo devagarinho

Mistura o bem com o mal

Hoje o livro é destroço

Espalhado pela casa

É cicatriz com remorso

Carvão ainda em brasa

Que queima a mão que o procura

Que não a deixa segura

Que corta à alma uma asa

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