O livro
Debruçado numa estante
Esquecido na cadeira
Derramando as suas folhas
Junto de uma ribanceira
Joga as letras ao ar
Procurando numa frase
Uma razão para ficar
Repousando numa mesa
Seja próxima ou distante
Despojada de riqueza
Ou inchada de importante
Pode traçar o destino
E desbravar o caminho
A quem se encontra distante
A palavra que nele foi escrita
Para ser equilibrada
Será fiel de balança
Ou boca amordaçada
Depende da mão que o segura
Se no corpo a amargura
É sangue escorrendo na espada
Tenho na tua lombada
Um sonho porque te vi
Por teres nome te lembrei
Por seres livro te despi
E em cada folha passada
Prosa que foi desfolhada
Em poesia escrevi.
Hoje a mão que te segura
É uma mão virtual
Fez do corpo uma armadura
Transparente e de cristal
Nela Verti o meu vinho
Que bebendo devagarinho
Mistura o bem com o mal
Hoje o livro é destroço
Espalhado pela casa
É cicatriz com remorso
Carvão ainda em brasa
Que queima a mão que o procura
Que não a deixa segura
Que corta à alma uma asa
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