2026-08-20

Um poema e um bagaço para a mesa do fundo

 

Um poema e um bagaço para a mesa do fundo

 

Sento-me sempre na mesa do fundo

ouvi dizer

que é lá que os poetas se sentam

que nesse lugar escondido

as palavras sedimentam

sem lugar para fugir

levei um balde e uma pá

E pedi uma chávena de chá

Quando acabei de beber

comecei a escavar

 

Há dois dias que bebo chá

No balde a pá que o enche

não me traz nada de novo

Talvez o Rio que aqui passa

não desague neste povo

Talvez a água que eu bebo

Infusão displicente

não tenha a erva Correta

que me torne consciente

 

Hoje sentei-me de frente

lá no fundo como sempre

sei que o hei-de encontrar

Que não mudou de lugar

O que corre dolente

vem do lado da nascente

E eu estando presente

serei como a Foz

da palavra serei voz

Da frase um paladino

Só preciso de um copinho

para me ambientar

faço sinal para o balcão

gesto discreto com a mão

Para Não perturbar

De Longe o homem responde

que para a mesa do Fundo

vai um bagaço profundo

com poema a acompanhar

 

 

Sem comentários: