2026-08-13

Soneto III (Doce miragem)

 

Soneto III


Esculpi a paixão em rocha vulgar;

De nudez protegida do sol.

Inventei, cinzel na mão, o meu lar,

Refúgio do cantar de rouxinol.

 

Mirei-a de cima, e por debaixo,

Procurando, na pedra, imperfeições.

E foi por me vergar assim tão baixo,

Que do melhor, lhe desenhei as feições

 

Tacteei o meu rigor, e das formas, o amor.

Da sua beleza, a ausência de rancor.

E, deslumbrado, derramei-o na paisagem.

 

Pedra esculpida na alma, e com dor,

Precisa de nome para ter cor,

Por isso a baptizei: “doce miragem”.

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