Soneto
III
Esculpi a paixão em rocha vulgar;
De nudez protegida do sol.
Inventei, cinzel na mão, o meu lar,
Refúgio do cantar de rouxinol.
Mirei-a de cima, e por debaixo,
Procurando, na pedra, imperfeições.
E foi por me vergar assim tão baixo,
Que do melhor, lhe desenhei as feições
Tacteei o meu rigor, e das formas, o amor.
Da sua beleza, a ausência de rancor.
E, deslumbrado, derramei-o na paisagem.
Pedra esculpida na alma, e com dor,
Precisa de nome para ter cor,
Por isso a baptizei: “doce miragem”.
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