2026-08-07

Portugal Revoltado?

 

Portugal Revoltado?

 

Henriques, Afonso de nome próprio

Lutou por um condado.

Homem revoltado?

Qual o objeto da sua revolta?

Terá sido explorado?

Possivelmente espoliado,

Ou apenas alma solta?

 

Um papel e uns quadrados.

Será um poker de mão,

Ou sondagem com recados

Fingindo revolução?

 

Alguém, escravo de modo próprio,

Entregou-se em todo o lado.

Homem vendido ou enganado?

Onde está a sua revolta?

Terá sido ameaçado?

Espancado, acorrentado?

Ou um revira sem volta?

 

Numa mão um papel.

Na outra, uma ilusão

É uma moeda que raspa;

Tem a força de um tostão.

 

Dom “Não Sei das Quantas”,

Por quem demanda Portugal?

Onde está esse povo

Que te imaginou imperial?

 

Hoje é mendigo envergonhado,

Perdeu a identidade

Nas praias de além-mar,

E nunca a recuperou.

 

Ser português, é ser herdeiro

De um nome sem dinheiro.

Esclavagista e interesseiro,

É racista por inteiro.

 

Não vale a pena negar.

O passado é presente,

E dizer-se inocente

Só irá piorar.

 

Num Portugal revoltado,

A culpa de ter nascido

Num país acontecido,

É certidão de pecado.

 

Enterrada a revolução,

Europeus reciclados,

Fizeram da culpa um senão

Para nos manter calados

 

Portugal envergonhado,

País perdido na história,

Nunca será revoltado,

Nem conhecerá a glória.

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