2026-08-17

Sem Limites

 

Sem Limites

 

Um risco e a razão para o limite.

Deste lado o sol brilha,

Ilumina o olhar de quem espera.

Por dentro, tudo o que fica oculto espera a sua vez.

De dia nada se vê,

E de noite é infinito.


A janela é a fronteira onde derramo o olhar.

Sou imigrante sem causa nem origem,

E procuro na vertigem uma razão para viver.

Queira lá quem houver,

Donos do mundo ao redor,

Um pedaço onde ficar.

 

Dobram-me a vida em traços,

Perpendiculares clandestinas e ilegais,

Que me devolvem retornos, insondáveis negações.

De tudo eu fujo:

De geometrias paralelas,

De outras formas diversas, com princípio e fim,

Da máquina que rosna e tortura sem conhecer o meu nome,

Dos inventores de padrões, que medem as liberdades e lhes definem limites,

Do sossego das estrelas, que já não existem, mas teimam no seu brilho,

Dos caminhos reservados e da reserva dos seus donos,

Do fastio das ideologias que se consomem em ambições,

Das chagas mal repartidas,

Dos estilhaços que marcam o território das emoções,

De tudo eu tenho fastio,

De tudo eu fujo.

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