Sem Limites
Um risco e a razão para o limite.
Deste lado o sol brilha,
Ilumina o olhar de quem espera.
Por dentro, tudo o que fica oculto espera a sua vez.
De dia nada se vê,
E de noite é infinito.
A janela é a fronteira onde derramo o olhar.
Sou imigrante sem causa nem origem,
E procuro na vertigem uma razão para viver.
Queira lá quem houver,
Donos do mundo ao redor,
Um pedaço onde ficar.
Dobram-me a vida em traços,
Perpendiculares clandestinas e ilegais,
Que me devolvem retornos, insondáveis negações.
De tudo eu fujo:
De geometrias paralelas,
De outras formas diversas, com princípio e fim,
Da máquina que rosna e tortura sem conhecer o meu nome,
Dos inventores de padrões, que medem as liberdades e lhes
definem limites,
Do sossego das estrelas, que já não existem, mas teimam no seu
brilho,
Dos caminhos reservados e da reserva dos seus donos,
Do fastio das ideologias que se consomem em ambições,
Das chagas mal repartidas,
Dos estilhaços que marcam o território das emoções,
De tudo eu tenho fastio,
De tudo eu fujo.
Sem comentários:
Enviar um comentário