2026-08-13

Soneto IV (do amor de que me acusam)

 

Soneto IV

 

No instante em que respiro,

Quando embebo do teu ar

Sinto no corpo um abrigo,

Livre espaço para te amar.


Não me julguem por gostar,

Nem me façam julgamento.

Mas vivendo do momento,

Como poderei eu escapar ?

 

Se vivi num amor indecente,

Foi porque a vida é urgência

E não me inventei paciente.

 

 

Não é por o amor ser urgente

Que não demonstra inocência,

Ou que se desnuda descrente.

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