Sem motivo aparente
Numa nevoenta manhã
Surgiu assim de repente
Manifestação evidente
Que na terra uma maçã
Cai no chão a Ocidente
Tal e qual no Oriente
Com perfume de cortesã.
Sem motivo aparente
Veio dum sonho dormido
Sonhado todo despido
Em almofada decente
Por ter só um sentido
Mesmo sem tomar partido
Jurou ser meu parente
Mas se um malmequer
Pode ser desfolhado
Com requinte malvado
De quem despe uma mulher
Também um corpo cansado
Mesmo que descartado
Pode comer-se à colher
A culpa do que foi dito
Sem motivo aparente
E com lógica de maçã
Por cair de manhã
Será de mim no presente
O meu futuro predito
Poema de homem doente
Mas de mente pura e sã.
Tenho dito!
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