2026-08-28

Sem motivo aparente

Sem motivo aparente

 

Numa nevoenta manhã

Surgiu assim de repente

Manifestação evidente

Que na terra uma maçã

Cai no chão a Ocidente

Tal e qual no Oriente

Com perfume de cortesã.

 

Sem motivo aparente

Veio dum sonho dormido

Sonhado todo despido

Em almofada decente

Por ter só um sentido

Mesmo sem tomar partido

Jurou ser meu parente

 

Mas se um malmequer

Pode ser desfolhado

Com requinte malvado

De quem despe uma mulher

Também um corpo cansado

Mesmo que descartado

Pode comer-se à colher

 

A culpa do que foi dito

Sem motivo aparente

E com lógica de maçã

Por cair de manhã

Será de mim no presente

O meu futuro predito

Poema de homem doente

Mas de mente pura e sã.

 

Tenho dito! 

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