2026-08-26

Poesia, para que te quero?

 

Poesia, para que te quero?

 

Regaço de coisas escritas,

aconchego de emoções.

Palavras que por não serem ditas,

versam noutras dimensões.

És Pacto de tinta e papel,

entre o que é doce e o fel,

manifesto de ilusões.

Estrofe que por ser da mão, és minha.

Verso que por ser meu, és pão.

No meu prato és sardinha,

em português és certidão.

És prosa, fado e lamento,

riso, pranto ou excremento,

sala cheia ou solidão.

Leio em ti o mundo inteiro,

o que na minha alma couber.

Do que sobrar vou inteiro,

enquanto não recolher.

Declamada és sangue que corre,

quem te escreveu nunca morre

se na palavra viver.

Faço em ti tudo o que sou,

o que não sou nem serei.

Por te ter feito onde estou

mostrarás por onde andei.

Serás vida por viver

E, da vida, o que houver.

Serás tudo o que encontrei.

Serás tudo o que eu quiser.

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