Uma Canja
Sentado à mesa da cozinha,
com um copo na mão,
dou início à refeição.
No prato uma canja de galinha,
temperada com limão,
aquece-me o coração.
Bebo o caldo com cuidado,
com a colher meia de lado,
cheia de recordações.
Do calor que de lá vem,
o aroma que me detém,
é regaço acolhedor.
Lembra viagens antigas
a uma casa perdida,
onde deixei a infância.
Coisa sem importância,
assim vista à distância,
pelo tempo que passou.
Sabe a leite materno,
seio perene e eterno,
que fez de mim decoroso.
Sabe a febre e a espanto,
a conforto e a encanto,
de um passado saudoso.
Sabe a história presente,
de uma mão que me sente,
e não me deixa cair.
Sabe ao lar que abriga,
à voz que me alimenta,
e à esperança que sustenta.
A canja é feminina;
é cuidado e amor,
uma carícia na dor.
Ela é paixão e sustento,
é alguém que te quer,
e tem corpo de mulher.
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