2026-08-19

Uma Canja

 Uma Canja

 

Sentado à mesa da cozinha,

com um copo na mão,

dou início à refeição.

No prato uma canja de galinha,

temperada com limão,

aquece-me o coração.

 

Bebo o caldo com cuidado,

com a colher meia de lado,

cheia de recordações.

Do calor que de lá vem,

o aroma que me detém,

é regaço acolhedor.

 

Lembra viagens antigas

a uma casa perdida,

onde deixei a infância.

Coisa sem importância,

assim vista à distância,

pelo tempo que passou.

 

Sabe a leite materno,

seio perene e eterno,

que fez de mim decoroso.

Sabe a febre e a espanto,

a conforto e a encanto,  

de um passado saudoso.

 

 

Sabe a história presente,

de uma mão que me sente,

e não me deixa cair.

Sabe ao lar que abriga,

à voz que me alimenta,

e à esperança que sustenta.

 

A canja é feminina;

é cuidado e amor,

uma carícia na dor.

Ela é paixão e sustento,

é alguém que te quer,

e tem corpo de mulher.

Sem comentários: