Soneto
II
Doce sentimento, o amor,
Perfume por dentro do corpo
Que esconde a cara do morto,
Tingindo-lhe faces doutra cor.
Da morte, porque está perto,
Aprendi a rir dos seus humores.
Seus gélidos beijos de amor,
São prova de que estou certo.
Também na morte vejo amor.
Sem carne, tem outro encanto,
Outra maneira de abraçar.
Despindo-se de falso pudor,
Embala o meu sono sem pranto,
Cantando canções de embalar.
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